segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Ucrânia: quatro anos de guerra e de dor

Estão decorridos quatro anos desde o dia em que as tropas russas iniciaram a sua “operação militar especial” com o ataque à Ucrânia e hoje, de entre os muitos jornais publicados no mundo, apenas encontramos três jornais que evocam essa data, através de reportagens assinadas pelos seus enviados especiais às frentes de combate. Este facto mostra como a imprensa internacional está cansada desta guerra e, naturalmente, também mostra como as opiniões públicas se têm desinteressado deste folhetim, em que poucos se preocupam com o povo ucraniano que é a grande vítima desta “guerra civil”, ou deste choque de interesses e de vaidades entre a Europa e a Rússia ou, ainda, deste confronto que prenuncia uma futura luta mais intensa entre o Ocidente e o Oriente.
Os jornais que hoje evocam os quatro anos de guerra na Ucrânia são os franceses La Dépêche du Midi (Toulouse) e La Croix (Paris) e o espanhol el Periódico (Barcelona). Os títulos e subtítulos apresentados nas suas primeiras páginas dão-nos algum esclarecimento sobre a situação.
O jornal La Dépêche du Midi diz que “a Ucrânia oscila entre a esperança da paz e o medo de um atoleiro” e que “o conflito só terminará quando russos e ucranianos compreenderem que o custo da guerra é superior aos ganhos possíveis”.
O jornal católico La Croix escreve apenas que são “1500 km de linha da frente” e que “em Kherson, aqueles que restam são os velhos, os pobres e os doentes”.
O jornal el Periódico escreve que “quatro anos de guerra deixam a Ucrânia sem forças”, acrescentando que “a população aceita cada vez mais renunciar a territórios”, que “o conflito, com as frentes estancadas, já dura mais que a guerra da Coreia” e que “a Europa, encurralada por Trump, busca o seu lugar nas negociações”.
Neste quadro, é tudo muito difícil e na Europa há erros acumulados e muitas divergências. Parece, agora, que Macron e Meloni querem falar com Putin, que Friedrich Merz não vê o final possível da guerra, que von der Leyen quer mais um pacote de sanções contra a Rússia e que Viktor Órban bloqueia financiamentos à Ucrânia e sanções à Rússia. Agora, também reapareceu o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson, provavelmente um dos maiores responsáveis por esta guerra não ter terminado ao fim de uma ou duas semanas, a sugerir que o Reino Unido deveria enviar tropas não combatentes para a Ucrânia, isto é, mandar gasolina para a fogueira. Com esta gente e como se tem visto, é mesmo muito difícil acabar com o conflito e há mesmo quem queira que prossiga, para depois tirar partido da desgraça dos outros.
Como alguém disse, ou escreveu, a guerra vai acabar pela exaustão e não com negociações.

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