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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Fernando Pimenta só sabe ganhar

Fernando Pimenta concluiu no passado domingo a participação portuguesa nos Mundiais de canoagem, em Poznan, na Polónia, tendo-se tornado num duplo campeão do mundo pois triunfou na prova de K1 5000m, depois de ter vencido no sábado a prova de K1 1000m. 
Com 37 anos de idade, o atleta Fernando Pimenta elevou para 187 o número de medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos, nos Campeonatos Mundiais, nos Campeonatos Europeus e em outras provas internacionais de canoagem, merecendo especial destaque as suas duas medalhas olímpicas – em Londres 2012 e em Tóquio 2020 – bem como os seus 14 títulos mundiais. “Uma proeza tremenda”, como se referiu o jornal Público às vitórias deste homem que é o maior atleta português de todos os tempos, num país de que também fazem parte outras glórias desportivas como Carlos Lopes e Rosa Mota, ou Eusébio e Cristiano Ronaldo, entre outras.
Exceptuando o Público que o homenageou com destaque de primeira página na sua edição de ontem, nenhum outro jornal generalista destacou os feitos desportivos de Fernando Pimenta e até os jornais desportivos se limitaram a publicar pequenas notas noticiosas de primeira página, pois andavam muito ocupados com a promoção desse grande futebolista que é João Palhinha, cuja fotografia ocupou as páginas dos jornais desportivos durante uma semana, ou mais.
Os feitos desportivos de Fernando Pimenta não mereciam esta miopia jornalística ou esta visão distorcida da imprensa desportiva portuguesa.
Fernando Pimenta é um exemplo de trabalho, de perseverança, de sacrifício e de talento, pois só com esses atributos é possível ter sido campeão do mundo em 14 ocasiões, mas também é um exemplo de sucesso e de grande orgulho para os desportistas portugueses.
Daqui a dois anos, entre 14 e 30 de julho de 2028, vão realizar-se os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Todos contamos com Fernando Pimenta!

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Ele é o maior ciclista de todos os tempos

Terminou a 113ª edição do Tour de France que é, seguramente, um dos maiores espectáculos desportivos da actualidade, sobretudo pela excelência das suas transmissões televisivas, que nos permitem acompanhar a prova com bastante detalhe informativo, observar o entusiasmo popular que suscita e ver muitas imagens do património natural e arquitectónico francês.
Naturalmente, há competições desportivas que atraem o interesse e o entusiasmo de públicos mais numerosos, como acontece com os Jogos Olímpicos, os grandes torneios de futebol da FIFA e da UEFA, os torneios de ténis do Grand Slam ou as corridas de Formula 1, mas pode afirmar-se que o entusiasmo mobilizador do Tour de France é único. 
Nesta ano de 2026 os ciclistas pedalaram 3.320,7 quilómetros desde Barcelona até Paris, repartidos por 21 etapas das quais oito em alta montanha, nos Pirinéus, no Maciço Central, nos Vosges, no Jura e nos Alpes.
O vencedor foi o ciclista esloveno Tadej Pogačar que, com 27 anos de idade, juntou o seu nome ao lote de pentacampeões do Tour de France, de que fazem parte os franceses Jacques Anquetil e Bernard Hinault, o belga Eddy Merckx e o espanhol Miguel Induráin. Os jornais desportivos franceses e espanhóis, designadamente a Marca, com que ilustramos este texto, mas também alguns jornais generalistas, destacaram a vitória deste excepcional atleta que já é considerado o maior ciclista de todos os tempos.
Como curiosidade registamos que o único português que participou nesta edição do Tour de France foi o ciclista Nélson Oliveira da equipa espanhola Movistar. Terminou na 65ª posição entre os 158 ciclistas que concluíram a prova, mas bateu um recorde, ao tornar-se no primeiro ciclista a cumprir 24 grandes Voltas consecutivas sem abandonos. É obra!

domingo, 19 de julho de 2026

Pogačar dominador no Tour de France

Enquanto todas as atenções futebolísticas e outras, estão concentradas no Mundial e na final que hoje se vai disputar entre as equipas da Espanha e da Argentina, os franceses vivem o Tour de France com enorme euforia e com o seu habitual entusiasmo, não só porque se trata de uma das maiores competições desportivas do mundo, mas também porque lhes serve para esquecer a desilusão por não estarem hoje na final como tanto desejavam.
O Tour de France que este ano está na sua 113ª edição, iniciou-se em Barcelona no dia 4 de julho e terminará em Paris no dia 26 de julho. Já estão disputadas 14 das 21 etapas da prova e, nesta altura, o ciclista esloveno Tadej Pogačar enverga a camisola amarela e já venceu quatro etapas, exibindo uma tão grande superioridade sobre os seus adversários que a crítica já o considera “o maior ciclista da história”. Ontem, na etapa que ligou Mulhouse a Le Markstein e que introduzia os Alpes na corrida, Tadej Pogačar voltou a vencer isolado no alto da montanha, deixando para trás o dinamarquês Jonas Vingegaard e o belga Remco Evenepoel, que são os ciclistas que mais o poderiam incomodar. 
Na sua edição de hoje, o jornal L’Alsace, um quotidiano que se publica em Mulhouse, destacou a proeza de Tadej Pogačar e escolheu como manchete que “esta etapa ficará nas memórias”, mas um outro diário escolheu como manchete que “o espectáculo começou”.
Nos últimos anos habituámo-nos a ver um ciclista português chamado João Almeida, a pedalar entre os melhores ciclistas mundiais, mas este ano esteve ausente do Giro de Italia e do Tour de France. Será que o teremos na Vuelta?

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Fernando Pimenta é um atleta de eleição!!!

O canoísta Fernando Pimenta participou no 2026 ICF Canoe Sprint & Paracanoe World Cup, ou mais simplesmente Taça do Mundo de Canoagem, que se realizou em Montreal entre os dias 9 e 12 de julho, tendo conquistado nada menos que duas medalhas de ouro: a primeira na prova de K1 1.000 metros realizada no dia 11 e, a segunda, na prova de K1 5.000 metros disputada no dia 12. A proeza de Fernando Pimenta é notável e, com estas duas medalhas, já soma 32 medalhas de ouro em provas da Taça do Mundo, sendo também um dos poucos atletas olímpicos portugueses duplamente medalhados, respectivamente em Londres 2012 e Tóquio 2020.
Esperava-se, naturalmente, que as edições de hoje dos jornais portugueses, sobretudo os jornais ditos desportivos, destacassem nas suas primeiras páginas as vitórias de Fernando Pimenta e as suas medalhas, pois como referiu o jornalista Rui Guimarães no jornal O Jogo, ele é “muito provavelmente o melhor atleta português de todos os tempos”. Porém, nem os jornais desportivos nem os jornais generalistas destacaram nas suas manchetes de primeira página o atleta Fernando Pimenta, preferindo destacar os futebolistas Schjelderup e Prestianni, mais o Trincão e o Pote, o regresso do Palhinha e os milhões da Arábia, numa subserviência ao futebol e aos seus interesses, vícios e negociatas.
Alguns jornais deram uma pequena notícia da proeza de Fernando Pimenta numa página interior, mas o jornal A Bola ignorou completamente este grande atleta português, preferindo promover futebolistas de quinta categoria.
Embora de nada valha, aqui deixo um protesto por estes desvios de uma imprensa dita desportiva, desonesta e míope, que nada vê para além dos interesses do futebol, deixando também o devido aplauso ao grande atleta que é Fernando Pimenta.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Uma notável proeza de um atleta queniano

Foi no dia 26 de abril que Sabastian Kimaru Sawe, um maratonista queniano de 31 anos de idade, conseguiu a extraordinária proeza atlética de correr os 42,195 quilómetros da Maratona de Londres em 1.59:30. Tratou-se de um resultado histórico pois nunca ninguém completara esta prova em menos de duas horas e o jornal espanhol Marca deu-lhe honras de primeira página e, por um dia, esqueceu o futebol.
A maratona é uma prova que interessa os portugueses que tiveram em Carlos Lopes e Rosa Mota os seus grandes campeões, ambos com medalhas de ouro olímpicas.
No dia 12 de agosto de 1984 – já lã vão quase 42 anos – todos rejubilamos quando Carlos Lopes conseguiu a primeira medalha olímpica de ouro para Portugal ao vencer a Maratona de Los Angeles em 2.09:21, o que na altura constituiu um novo recorde olímpico.
Agora, este queniano gastou quase 10 minutos a menos para fazer o mesmo percurso, o que é verdadeiramente notável. Porém, há uma curiosidade em torno desta proeza. As grandes marcas desportivas vinham procurando criar umas sapatilhas especiais e a Adidas parece que se adiantou à Nike. Sabastian Sawe correu com sapatilhas Adizero Adios Pro Evo 3, o modelo da Adidas com menos de 100 gramas que foi desenvolvido para maximizar a eficiência energética e que cria um efeito de retorno de energia que reduz o custo fisiológico ao longo da prova. “O ténis é muito bom, muito leve, confortável e oferece bastante suporte, além de impulsionar para frente”, disse o Sabastian. Não se lhe tira o mérito, mas

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Milano-Cortina 2026 acabou em festa

Os XXV Jogos Olímpicos de Inverno que se disputaram nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo, terminaram hoje e se as cerimónias de abertura realizadas no Milano San Siro Olympic Stadium foram “inesquecíveis”, como então escreveu a organização, as cerimónias de encerramento que aconteceram hoje em Verona, na imponente Verona Olympic Arena, ou Coliseu de Verona, foram uma festa formidável de exibição da cultura italiana e, em especial, da erudita arte da ópera.
Verona é uma cidade histórica e simbólica, tendo sido o cenário escolhido por William Shakespeare em finais do século XVI para situar a sua peça trágica “Romeu e Julieta”, havendo na cidade um palácio, conhecido como o Palácio dos Capuletos, onde até se pode ver a famosíssima “varanda da Julieta”…
Relativamente aos resultados desportivos desta Olimpíada destacou-se o norueguês Johannes Klæbo, que foi o primeiro atleta a conquistar seis medalhas de ouro em Jogos Olímpicos de Inverno, ao vencer todas as competições em que entrou e que já acumula 11 medalhas de ouro olímpicas. Só os nadadores Mark Spitz com sete medalhas de ouro em Munique 1972 e Michael Phelps com oito medalhas de ouro em Pequim 2008, fizeram melhor. Porém, na lista dos mais medalhados olímpicos de sempre, a seguir a Phelps que ganhou 23 medalhas de ouro, está agora Klæbo que tem onze na sua vitrina.
As medalhas em Milano-Cortina 2026 foram distribuídas por atletas de 29 países, com destaque para a Noruega (41 medalhas das quais 18 de ouro), Estados Unidos (33 medalhas das quais 9 de ouro), os Países Baixos (20 medalhas das quais 10 de ouro) e a Itália (30 medalhas das quais 10 de ouro). Os atletas da China, que nos últimos anos apareceram nestes Jogos, já conquistaram 15 medalhas, das quais cinco foram de ouro, pelo que a edição de hoje do jornal China Daily destaca em primeira página os campeões chineses. No “medalheiro” destacaram-se ainda a Espanha com três medalhas, incluindo uma medalha de ouro) e o Brasil com uma medalha de ouro. 
Milano-Cortina 2026 terminou. A 36ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno será realizada em 2030 nos Alpes Franceses. Até lá...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Brasil ganha ouro em Cortina d’Ampezzo

Estão a decorrer os XXV Jogos Olímpicos de Inverno que se disputam nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo, que são vulgarmente conhecidos por Milão-Cortina 2026. Desde o dia 6 de fevereiro e até ao dia 22, estarão em prova 2.871 atletas representando 96 países, a maioria dos quais com uma presença simbólica, como acontece com a Guiné-Bissau, o Benim, a Eritreia, a Colômbia, o Quénia e até mesmo com Portugal, porque os desportos de inverno só acontecem onde há neve e gelo. Daí que os Jogos Milão-Cortina 2026 interessem pouco os portugueses e que a maioria das medalhas até agora disputadas tenha sido conquistada por noruegueses, italianos, americanos, suecos, holandeses, franceses, alemães e austríacos.
Porém, por vezes acontecem imprevistos e até o tropical Brasil, que escalda em tempo de Carnaval, teve uma medalha olímpica de ouro!
Aconteceu no dia 14 de fevereiro, quando a prova de Sky Alpino Slalom Gigante Masculino foi ganha por Lucas Pinheiro Braathen, que bateu os suíços Marco Odermatt e Loic Meillard. 
Lucas nasceu em Oslo, é filho de mãe brasileira e tem 25 anos de idade. A sua dupla nacionalidade brasilo-norueguesa permitiu-lhe representar o Brasil e ser o primeiro brasileiro e latino-americano a conquistar uma medalha olímpica nos Jogos de Inverno (na mesma prova o português Emeric Guerillot foi o 38º classificado).
Quando da subida ao pódio para receber a sua medalha de ouro, o medalhado Lucas Pinheiro não aguentou a sua euforia e deu um salto de satisfação, pouco habitual nestas cerimónias mas muito compreensível, tendo essa fotografia ilustrado a edição d’O Estado de S. Paulo, mas também de outros jornais brasileiros e estrangeiros. Essa fotografia vai certamente figurar na galeria das mais expressivas fotografias dos Jogos Milão-Cortina 2026.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Djokovic e Alcaraz: rei morto, rei posto!

Ontem, na cidade australiana de Melbourne, realizou-se a final do Australian Open, em que o tenista espanhol Carlos Alcaraz, de 22 anos de idade, venceu o tenista sérvio Novak Djokovic, de 38 anos de idade. Este resultado desportivo, entre dois atletas de 38 e de 22 anos de idade que se enfrentaram, tem um enorme simbolismo geracional, porque representa um “render da guarda” e significa que tem plena justificação o conhecido provérbio “rei morto, rei posto”. Ninguém é insubstituível e a partir de agora Djokovic tenderá a ser esquecido pelo público, enquanto Alcaraz se vai tornar, ou já é, o novo ídolo do ténis mundial.
Novak Djokovic, com Roger Federer e Rafael Nadal, representou uma era e é, provavelmente, o melhor tenista de todos os tempos, possuindo os recordes como número um do mundo durante 428 semanas e com vitórias em 24 torneios de Grand Slam e em 40 Masters 1000.  
Carlos Alcaraz representa uma nova geração do ténis mundial, já venceu 7 títulos do Grand Slam e oito Masters 1000, sendo o mais jovem tenista que venceu cada um dos quatro torneios do Grand Slam (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open).
Inúmeros jornais de todo o mundo destacaram nas suas edições de hoje, em primeira página e com fotografia, a vitória de Carlos Alcaraz, assim acontecendo com o diário The Age, que se publica em Melbourne. Naturalmente, os jornais espanhóis não se pouparam nos adjectivos – historico, leyenda, imparable, grande, total, el rey, de ensueño – tratando de transformar Carlos Alcaraz no novo ídolo da Espanha.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Os brilhantes andebolistas portugueses

Neste ano de 2026 realizou-se pela 17ª vez o EHF European Men's Handball Championship ou, mais simplesmente, o Campeonato da Europa de Andebol, com a equipa portuguesa a classificar-se no 5º lugar, o que constitui a sua melhor classificação de sempre.
A equipa fez oito jogos e brilhou: na fase preliminar (grupo B) com a Roménia (40-34), a Macedónia do Norte (29-29) e a Dinamarca (31-29); no main round (grupo I) com a Alemanha (28-30), a França (38-46), a Noruega (35-35) e a Espanha (35-27). Seguiu-se o jogo para a atribuição do 5º lugar e bateu a Suécia (36-35). Foram 4 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, numa campanha de grande nível competitivo, em que esteve com os melhores. Amanhã, a Dinamarca e a Alemanha vão disputar a final e, tendo essas duas equipas estado no caminho da equipa portuguesa, basta ver os resultados para concluir que Portugal poderia ter sido finalista. Entretanto, a equipa ficou apurada para o próximo Campeonato do Mundo que se realizará em 2027, no qual procurará melhorar o seu 4º lugar conquistado em 2025. Estão de parabéns os andebolistas portugueses que fazem do andebol um espectáculo tão artístico como um moderno bailado.
Pensava-se que a imprensa desportiva portuguesa iria destacar esta proeza desportiva, mas assim não aconteceu. Hoje os três jornais desportivos portugueses tratam de futebol, de futebol e de futebol. Com grandes fotografias na primeira página, cada jornal mostra um “ídolo”, que por acaso nenhum é português: um mostra um tal Alisson que o Nápoles quer mas que ninguém sabe quem é, outro exibe o Suárez que diz que não tem limites e o outro elogia um tal Temem Moffi que ainda nem chegou ao nosso país, mas que os nossos jornalistas já idolatram. 
Os brilhantes e talentosos andebolistas portugueses – n’A Bola, no Record e n’O Jogo – não mereceram mais que uma pequena nota de rodapé na sua primeira página. Palavras para quê?

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A volta ao mundo à vela em 40 dias

Diversos jornais franceses destacaram nas suas edições de ontem a proeza náutica de Thomas Coville no Trophée Jules-Verne, porque com a sua equipa de seis elementos a bordo do veleiro trimaran Sodebo Ultim 3, bateu o recorde da volta ao mundo em equipa e sem escalas, ao retirar quase treze horas à marca estabelecida por Francis Joyon a bordo do Idec Sport em 2017. Thomas Coville e a sua tripulação completaram o seu desafio em 40 dias, 10 horas, 45 minutos e 50 segundos, percorrendo um total de 28.315 milhas à velocidade média de 29,17 nós (54 km por hora) e essa marca foi assinalada em manchete pelo jornal ouest france, que se publica na cidade de Rennes, na região francesa da Bretanha.
A ideia de criar o Trophée Jules-Verne nasceu em 1990 inspirada em ”A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, o famoso livro de Júlio Verne, tendo ficado assente que o percurso se faria desde Ouessant, uma pequena ilha nas proximidades de Brest, seguindo para o Cabo da Boa Esperança, para o Cabo Leeuwin e para o Cabo Horn, regressando depois a Ouessant.
As primeiras tentativas para estabelecer um recorde ocorreram em 1993, tendo o primeiro sido estabelecido por Bruno Peyron e pela sua tripulação, em 79 dias, 6 horas e 15 minutos, a bordo do catamaran Commodore Explorer. Desde então realizaram-se 35 tentativas para bater o recorde, mas apenas 16 barcos concluíram a prova e destes só dez bateram o recorde que, em 32 anos, passou de 79 para 40 horas.
Todos estes velejadores são franceses e, como diria o famoso Asterix, “ces Français sont fous…”

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Isaac Nader: o algarvio campeão mundial

Ninguém conhecia Isaac Nader até que se tornou campeão do mundo dos 1500 metros no World Athletics Championships que estão a decorrer em Tóquio e a edição de hoje do jornal Público prestou-lhe uma justa homenagem, ao publicar a sua fotografia a toda a largura da primeira página, o que nenhum jornal desportivo português fez porque estavam todos envolvidos com a mexeriquice à volta do novo treinador de futebol do Benfica que, durante várias horas, monopolizou toda a atenção da comunicação social portuguesa. Só aqueles que "viram, ouviram e leram" sabem bem que a cobertura em espaço e em tempo que foi dada ao treinador Mourinho é um caso notável de provincianismo e de mediocridade jornalística.
O desconhecido Isaac Zambujeiro Nader nasceu em Faro, tem 26 anos de idade e é filho de um futebolista marroquino que jogou futebol em Portugal e da portuguesa Ana Zambujeiro. Habituados, como ainda estamos, a lembrar os campeões olímpicos Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro e alguns poucos mais atletas, talvez já estivéssemos conformados com o não aparecimento de um atleta capaz de ser campeão mundial numa corrida de pista, mas ele aí está. Com humildade e confiança ganhou a sua prova com autoridade e fez com que A Portuguesa se ouvisse na capital do Japão. 
Entretanto, já declarou que trabalha todos os dias para chegar a 2028 na sua melhor forma física e psicológica, o que significa que aposta numa vitória nos próximos Jogos Olímpicos, que vão realizar-se em Los Angeles.
Aqui felicitamos o nosso campeão mundial Isaac Nader e lhe desejamos boa sorte para o seu sonho desportivo de 2028.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

O salto à vara e o fenómeno Duplantis

Está a decorrer em Tóquio até 21 de Setembro o World Athletics Championships, em que o atleta sueco Armand Duplantis saltou 6,30 metros e voltou a bater o record mundial do salto à vara pela 14ª vez na sua carreira. O jornal L’Équipe dedicou-lhe a sua primeira página com uma expressiva fotografia e classificou-o como galáctico, mas a imagem do salto de Duplantis a passar a fasquia com elegância e segurança ilustrou muitos jornais internacionais, rendidos à sua capacidade atlética, que aparenta ser única na sua geração.
Nasceu nos Estados Unidos de mãe sueca e pai norte-americano, mas dele se pode dizer que “filho de peixe sabe nadar”, pois os seus pais já eram atletas de bom nível e o pequeno Armand parece que aos 4 anos de idade já saltava à vara.
O facto é que aos 25 anos de idade, é bicampeão olímpico com triunfos em Tóquio 2021 e Paris 2024, mas também é tricampeão mundial com títulos conquistados em em 2022 em Eugene/Estados Unidos, em 2023 em Budapeste e agora em 2025 em Tóquio.
A primeira vez que Duplantis bateu o recorde do mundo foi em Fevereiro de 2020 com um salto de 6,17 metros, mas desde então bateu o seu próprio recorde 14 vezes e, centímetro a centímetro, já vai em 6,30 metros.
Armand Duplantis é realmente um fenómeno do desporto, mas também um artista, que optou pela nacionalidade da mãe nas competições internacionais. No entanto, a sua conta bancária deve ser bem mais pequena do que a conta de qualquer futebolista ou tenista de segunda categoria, para não referir os pilotos da Formula 1, os futebolistas de topo ou os basquetebolistas da NBA.
Com as actuais varas de fibra de vidro o salto à vara já não é o que era, mas Duplantis é realmente muito grande!

sábado, 6 de setembro de 2025

João Almeida brilhou no cimo do Angliru

Que os desportistas portugueses me desculpem, sobretudo os que apreciam os sucessos dos nossos futebolistas, canoístas, hoquistas, andebolistas e outros praticantes desportivos de alta notoriedade e, por vezes, de grande valor, mas o desempenho ciclista de João Almeida na Vuelta a España 2025 que está a decorrer e que diariamente podemos acompanhar em directo através das transmissões televisivas, está a ser simplesmente notável.
Ontem, nas montanhas do Principado das Asturias, o ciclista João Almeida dominou e venceu a 13ª etapa da prova, corrida entre Cabezón de la Sal e o mítico Alto de L’Angliru, cujo troço final com 12,4 quilómetros tem um declive médio de 9,8%, o que faz deste troço a a escalada mais famosa e mais temida da Vuelta.
O jornal A Bola, provavelmente recordado dos êxitos de Joaquim Agostinho na Vuelta a España (2º em 1974) e no Tour de France (3º em 1978 e 1979), destacou a exibição de João Almeida que, realmente, “brilhou nas alturas” e deu uma grande alegria aos milhares de portugueses que o incitaram com bandeiras e aplausos ao longo da íngreme subida.
A escalada do Alto de L’Angliru só entrou na Vuelta em 1999, mas desde logo os seus vencedores adquiriram um estatuto especial, com os seus nomes a serem gravados num obelisco apropriado que foi instalado no local. Assim, o nome de João Almeida vai ficar gravado nesse obelisco pela vitória brilhante, em que percorreu a subida num excepcional tempo, pois gastou apenas mais um segundo do que o melhor tempo alguma vez feito por um ciclista naquela subida. 
Parabéns ao grande atleta de A-dos-Francos, no concelho das Caldas da Rainha!

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Tadej Pogacar dominou o Tour de France

Terminou ontem em Paris a 112ª edição do Tour de France que teve como vencedor indiscutível o ciclista esloveno Tadej Pogacar que, aos 26 anos de idade, ganhou pela quarta vez a prova maior do ciclismo mundial.
De 5 a 27 de julho foram percorridos 3.302 quilómetros, distribuídos por 21 etapas, tendo este fenómeno do desporto internacional triunfado em quatro etapas, brilhado nas etapas de montanha e também nas etapas contra-relógio.
Através das imagens televisivas e da excelência das reportagens apresentadas, todos puderam ver a superioridade de Tadej Pogacar sobre os outros ciclistas e o enorme entusiasmo com que os franceses acompanham o Tour de France.
A prova terminou nos Champs-Elysées, em Paris, numa festa com enorme entusiasmo popular que, inesperadamente, também foi uma disputadíssima etapa, o que levou a edição de hoje do jornal L’Équipe a dedicar-lhe a palavra “épique”.
Depois de Pogacar classificaram-se o dinamarquês Jonas Vingegaard e o alemão Florian Lipowitz. Terminaram a prova 160 ciclistas, tendo Nélson Oliveira (Movistar Team) obtido o 74º lugar da classificação geral, enquanto João Almeida (UAE Team Emirates) desistiu na sequência de uma queda em que fracturou uma costela.
No dia 23 de agosto começa La Vuelta a España. Espera-se que João Almeida esteja recuperado, que participe e que possa lutar por uma boa classificação.

sábado, 5 de julho de 2025

Tour de France 2025: le départ et la fête!

A 112ª edição do Tour de France começa hoje em Lille e até ao dia 27 de Julho, os 204 ciclistas de 23 equipas irão percorrer 3.338,8 quilómetros distribuídos por 21 etapas. Dizem as crónicas que a corrida deste ano promete ser uma das edições mais emocionantes e exigentes da história recente, pela previsível luta entre o esloveno Tajed Pogacar (vencedor em 2020, 2021 e 2024), o dinamarquês Jonas Vingegaard (vencedor em 2022 e 2023) e o belga Remco Evenepoel, embora haja outros ciclistas dispostos a entrar nesta disputa, como Primoz Roglic, Adam Yates, Matteo Jorgenson e, naturalmente, o português João Almeida.
O Tour de France é a prova rainha do ciclismo mundial e é uma das provas desportivas que mais interesse despertam. A sua transmissão televisiva, que será assegurada pela RTP, é um “espectáculo dentro do espectáculo”, constituindo um programa de informação  turístico-cultural de grande qualidade.
Na prova deste ano participam os portugueses João Almeida e Nélson Oliveira e, naturalmente, espera-se que nos possam dar algumas alegrias.
Os portugueses não têm grande historial no Tour de France. Na classificação geral, Joaquim Agostinho é, até agora, o português mais bem classificado de sempre, com o 3.º lugar em 1978 e 1979. Seguem-se João Almeida com o 4º posto em 2024, José Azevedo com o 5.º posto em 2004 e Alves Barbosa com o 10.º lugar em 1956.
Este ano, o nosso João Almeida tem a obrigação contratual de ajudar Tajed Pogacar que é o seu chefe de equipa, mas todos esperamos que os dois portugueses possam juntar o seu nome ao dos cinco compatriotas que já venceram etapas no Tour de France: Joaquim Agostinho (4), Acácio da Silva (3), Rui Costa (3), Paulo Ferreira (1) e Sérgio Paulinho (1).
A corrida começa hoje e o jornal La Voix du Nord é apenas um dos jornais franceses que assinalou a partida desta grande festa desportiva dos franceses.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

O desporto que brilha não é só o futebol

Em finais do século XIX o cidadão francês Pierre de Coubertin criou o movimento olímpico e inspirou os Jogos Olímpicos Modernos, não apenas como uma forma de promoção do exercício físico como instrumento da educação integral dos indivíduos, mas também para a promoção da paz e da união entre as nações.
Numa altura que há várias guerras a perturbar o mundo, em que escasseiam os dirigentes capazes, em que caem bombas em Kiev, em Gaza, em Teerão e em Telavive, com toda a gente a viver tempos de incerteza, o sossego dos homens ainda pode ser encontrado no desporto.
Um exemplo disso aconteceu ontem em Portugal com as prestações internacionais de alguns atletas portugueses que muitas alegrias nos deram e que tanto nos ajudam a suportar a desinformação televisiva que nos entra em casa sobre o que acontece no mundo, que é frequentemente manipulada, sectária e mentirosa.
Ontem o ciclista João Almeida venceu com enorme brilhantismo a Volta à Suíça e todos pudemos ver a sua prova em directo pela televisão. Nos Campeonatos da Europa de Canoagem disputados na Chéquia, também os canoístas portugueses se destacaram ao conquistarem 4 medalhas de ouro e uma de prata, com destaque para o olímpico Fernando Pimenta que se sagrou campeão europeu nas provas de K1 1000 (pela 4ª vez) e de K1 5000 (pela 2ª vez).
Na sua edição de hoje, o jornal A Bola destacou o “Domingo de Ouro” de João Almeida e de Fernando Pimenta. Por um dia, o jornal esqueceu a futebolite aguda de que tanto sofre e, em primeira página, não nos serviu o Gyokeres, o Kokçu, o Otamendi ou o Pavlidis, nem as tricas à volta de Rui Costa ou de André Villas-Boas.
Viva o João Almeida, o Fernando Pimenta e os atletas brilham na Europa e de que tanto nos orgulhamos! 

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Portugal campeão da Europa de Sub-17

O futebol português está em festa pois a sua selecção nacional de Sub-17 venceu ontem a final do Campeonato da Europa dessa categoria, na Arena Kombëtare, na cidade albanesa de Tirana. Na final venceu a equipa da França por um expressivo 3-0, depois de nas meias-finais ter derrotado a Itália num encontro decidido no desempate por grandes penalidades.
Esta vitória acontece em 2025, depois da equipa portuguesa já ter vencido o título europeu desta categoria em 2003 e 2016, o que mostra como são talentosos os jovens futebolistas portugueses, pelo que aqui fica expresso o nosso regozijo por esta vitória europeia.
Curiosamente, nos últimos dias e a reboque da imprensa desportiva, ou melhor da imprensa futebolística, só se falou de dirigentes sempre zangados uns com os outros e de jogadores e de treinadores, sempre avaliados em milhões, embora muitas vezes não se saiba de onde vem tanto dinheiro para contratar esta gente.
Nesse contexto, a vitória dos jovens jogadores portugueses entusiasma aqueles que verdadeiramente gostam de futebol e, bem a-propósito, o jornal A Bola chamou-lhes Meninos de Ouro.
Não sei o que lhes vai acontecer com este sucesso tão prematuro na sua carreira futebolística, mas será bom que cada um deles aproveite para se aconselhar e não seja rapidamente “engolido” pelos tubarões que vegetam e engordam no mundo do futebol. 

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Uma grande vitória de João Almeida

O ciclista João Almeida triunfou na 64ª edição da Volta ao País Basco, a famosa Itzulia 2025, que integra o calendário da UCI World Tour, tornando-se no primeiro português a vencer esta prova, que é caracterizada pela exigência do seu percurso e pelas suas íngremes e desafiadoras subidas.
Correndo com a camisola da equipa UAE Emirates e competindo com muitos dos grandes nomes do ciclismo mundial, o ciclista de A-dos-Francos teve um comportamento de elevado nível e os desportistas portugueses puderam ver a sua incontestável vitória na prova, mas também em duas das seis etapas da corrida, através da sua transmissão televisiva em directo. 
João Almeida já antes ganhara a Volta à Polónia e a Volta ao Luxemburgo, já brilhara no Giro de Itália e na Vuelta à Espanha, mas esta vitória no País Basco coloca-o em definitivo num elevado patamar do ciclismo mundial. Nas suas palavras, este foi o maior triunfo da sua carreira, mas pode mesmo afirmar-se que foi um dos maiores sucessos do ciclismo e até do desporto português.
Porém, nenhum jornal português, generalista ou desportivo, destacou o feito desportivo de João Almeida, para além de pequenas referências de primeira página. Os próprios jornais bascos que muito apostam no noticiário desportivo, também ignoraram esta vitória, muito provavelmente por João Almeida ser português. A excepção foi o jornal Gara, que se publica em Donostia (San Sebastián) e que é o terceiro jornal mais lido na Comunidade Autónoma Basca.
Aqui se regista o nosso aplauso pelo sucesso de João Almeida na famosa Itzulia 2025.

sábado, 25 de janeiro de 2025

Andebol português a brilhar como nunca

A vitória sobre a selecção espanhola por 35-29 alcançada ontem em Oslo e a passagem aos quartos-de-final do 29º Campeonato do Mundo de Andebol, ou 2025 IHF World Men’s Handball Championship, é um acontecimento notável no panorama desportivo português! O jornal A Bola esqueceu por um dia o futebol e as futebolices que vegetam agregadas a esse belo especáculo desportivo, tratando de destacar na sua primeira página as fotografias de alguns jogadores da equipa nacional de andebol e escolhendo como manchete a frase “assim se faz história”.
Primeiro decorreu o Preliminary round e a equipa portuguesa defrontou os Estados Unidos (30-21), o Brasil (30-26) e a Noruega (31-28), conseguindo três vitórias. Está em curso o Main round e os adversários foram a Suécia (37-37) e a Espanha (35-29), faltando ainda o jogo com o Chile, com a curiosidade da Suécia já ter vencido o Campeonato do Mundo quatro vezes e a Espanha duas vezes.
Nunca o andebol português tinha chegado tão longe! 
A RTP está a cumprir a sua obrigação de serviço público e tem transmitido em directo estes jogos que realmente entusiasmam e que são um motivo de satisfação e até de orgulho para os desportistas portugueses.
Está garantido, portanto, que Portugal vai terminar o 29º Campeonato do Mundo nos oito primeiros lugares da classificação final, o que é inédito e constituirá (ou já constitui) um dos mais brilhantes resultados do desporto português.  
O meu mais entusiástico aplauso a esta equipa e a estes atletas!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Bravo a Charlie Dalin, o ultra marinheiro

O primeiro concorrente da 10ª da Vendée Globe 2024 chegou ontem a Les Sables-d’Olonne e, tendo partido no dia 10 de Novembro, terminou ontem a sua volta ao mundo em solitário em 64 dias, 19 horas, 22 minutos e 49 segundos. Chama-se Charlie Dalin, é um velejador francês de 40 anos de idade, natural da cidade de Le Havre, que pulverizou o record desta prova ao terminá-la com menos 9 dias que o anterior record.
Na sua edição de hoje o jornal desportivo L’Équipe chama-lhe com muita propriedade o Ultra MarinDos 40 concorrentes que iniciaram a prova em Les Sables-d’Olonne até agora apenas se verificaram seis abandonos, mas enquanto o vencedor já chegou ao fim, há seis concorrentes que ainda não passaram o cabo Horn, havendo 27 veleiros que navegam no Atlântico em direcção à meta. Nesta altura em que Charlie Dalin se afirma “o homem mais feliz do mundo” e festeja o seu sucesso por ter percorrido em solitário cerca de 27.667 milhas à volta do mundo no Macif Santé Prévoyance à fantástica média de 17,8 nós, o segundo classificado que é Paprec Arkéa de Yoan Richomme aproxima-se da meta. Na 8ª posição e a cerca de 2800 milhas da meta navega a velejadora suiça Justine Mettraux, que é a concorrente feminina melhor classificada.
Les Sables-d’Olonne está em festa pelo enorme sucesso desportivo e social desta prova, em que Charlie Dalin bateu o anterior record de 74 dias, 3 horas e 36 minutos. Ele é mesmo um ultra marinheiro!