quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Casa dos Estudantes do Império

No prédio localizado na esquina da Avenida Duque de Ávila com a Rua Dona Estefânia, no Bairro do Arco do Cego em Lisboa, entre 1943 e 1965, esteve instalada a Casa dos Estudantes do Império. A Casa dos Estudantes do Império foi criada pelo regime do Estado Novo e sucedeu à Casa dos Estudantes de Angola, que reunia estudantes angolanos, maioritariamente filhos de colonos e de funcionários daquela colónia, que estudavam em Portugal. A casa tinha a missão de apoiar social e logisticamente os estudantes oriundos das colónias portuguesas e até do Brasil, com um refeitório e assistência médica, além de promover actividades culturais e desportivas. Apesar de ser financiada pelo Estado português e de ter objectivos sociais, a Casa dos Estudantes do Império tornou-se o berço do nacionalismo das ex-colónias em Portugal e por ela passaram, em Lisboa e em Coimbra, os mais destacados líderes dos movimentos de libertação africanos como Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Lúcio Lara, Mário Pinto de Andrade, Marcelino dos Santos, Joaquim Chissano, Francisco Tenreiro, Luandino Vieira, José Craveirinha, Aquino de Bragança, Paulo Jorge, Iko Carreira e muitos outros. As actividades políticas dos estudantes geraram as perseguições da PIDE e o risco de prisão, numa altura em que as actividades contra o regime político se tinham acentuado. Depois, o início da luta armada em Angola despertou muitos entusiasmos, pelo que muitos estudantes se exilaram para se integrarem nos movimentos de libertação. Ficou célebre a fuga para o exílio de cerca de uma centena de estudantes que aconteceu em 2 de Junho de 1961. Em 1965 o governo decidiu encerrar definitivamente a Casa dos Estudantes do Império. Em 1992, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu colocar uma placa encastrada no pavimento da rua, para chamar a atenção para um local por onde passaram muitas figuras da resistência anti-colonial e que vieram a tornar-se os principais dirigentes dos respectivos países.

Um ano de troika

O jornal Público lembra-nos hoje que o Memorando de Entendimento com a troika foi assinado há um ano. Porém, sobre os resultados alcançados até agora, vamos ouvindo de tudo – do melhor e do pior. A análise dos indicadores é pouco conclusiva, mas as oscilações do discurso político, a teimosia governativa, a lógica do bom aluno e a arrogância tecnocrática, são deveras preocupantes. Hoje, é evidente que eles não conheciam a situação, nem tinham soluções como tantas vezes afirmaram. O que mostraram em desmedida ambição, faltou-lhes em competência e bom senso. Instalaram-se e não cuidaram de dar bons exemplos que fossem mobilizadores para a sociedade. Pelo contrário. A necessária austeridade revelou-se demasiado severa para os mais débeis. Os sacrifícios estão muito injustamente distribuidos. O desemprego disparou e a pobreza é cada dia mais evidente aos nossos olhos nas nossas ruas. A emigração voltou a ser uma saída para os portugueses. Há um ar de decadência social e um ambiente muito tenso na sociedade, agravado pelos ventos que vêm da Grécia e da Espanha. O equilíbrio social é muito instável e o equilíbrio político está ameaçado. A confiança e a esperança estão a perder-se. Eles fecham-se porque se saem à rua são vaiados. Neste quadro ocorre-me transcrever a estrofe 97 do Canto IV d’Os Lusíadas e, por alguns instantes, fazer de "velho do Restelo": A que novos desastres determinas/ De levar estes reinos e esta gente?/ Que perigos, que mortes lhe destinas/ Debaixo dalgum nome preminente?/ Que promessas de reinos, e de minas/ D'ouro, que lhe farás tão facilmente?/ Que famas lhe prometerás? que histórias?/ Que triunfos, que palmas, que vitórias?