sábado, 26 de janeiro de 2019

A situação tensa que vive a Venezuela

A situação na Venezuela continua muito tensa, embora a imprensa venezuelana não exprima essa tensão talvez porque, desde há muitos anos, está habituada ao clima de instabilidade que agora se vive no país e o facto de haver dois presidentes, nem parece perturbá-la. As imagens que nos chegam pela televisão não são suficientemente esclarecedoras, porque o que se passa nas ruas de Caracas não é diferente do que vamos vendo em Atenas, Paris ou Barcelona. As imagens da abertura do ano judicial e da tomada de posição das chefias militares, até parecem mostrar que a vida política venezuelana decorre com toda a normalidade e que a instabilidade anunciada é uma construção mediática com origem nas agências internacionais que combatem o chavismo.
O que sabemos é que meio mundo está contra Maduro e que reconhece o jovem Guaidó como o presidente da Venezuela, mas é evidente que foram os incentivos de Trump e Bolsonaro que levaram à radicalização de posições. A União Europeia tem uma posição mais equilibrada e pede eleições livres e justas, enquanto o regime de Maduro, que tem o apoio da Rússia e da China, mas também de outros países, acusa Guaidó de estar à frente de um golpe com a cumplicidade americana.
Neste quadro, ninguém quer perder e, uma vez mais, lá estão confrontados os grandes interesses estratégicos e económicos dos senhores do costume, à custa dos venezuelanos ou do petróleo venezuelano.
As Forças Armadas da Venezuela já expressaram o seu apoio a Nicolás Maduro, mas o jornal colombiano El Observador pergunta hoje se esse apoio é firme. Essa pergunta parece insinuar que os militares se podem dividir e isso seria trágico. De facto, na tradição sul-americana o papel dos militares é decisivo e o que se espera é que se mantenham coesos, que contribuam para a pacificação política e social do país e que possam evoluir para uma posição de árbitros e de mediadores entre as duas venezuelas que estão em rota de colisão.