As comemorações
do 52º aniversário do 25 de Abril foram uma grande festa popular e confirmaram
o que o jornal Expresso escrevera
dois dias antes ao referir-se à ”tarde mais bonita do ano na avenida da
Liberdade - e noutros pontos do país”.
Embora tenham acontecido
as mais diversas cerimónias comemorativas por todo o país – sessões solenes e
manifestações, jantares e almoços, exposições e concertos, colóquios e
conferências, arraiais e concursos, corridas e outros eventos desportivos, para
não referir essa parolice bizantina de ligar o teatro e um só actor ao 25 de
Abril – o ponto alto das comemorações do 25 de Abril continua a ser o grandioso
desfile popular que sempre se realiza na avenida da Liberdade em Lisboa, com
milhares de pessoas, em grande unidade e de cravo na mão, a celebrar a
Liberdade e a Democracia, sendo evidente o envolvimento das novas gerações, de
que é exemplo aquele jovem que empunhava um simples cartaz em que afirmava ”eu
não estava lá, mas agora estou aqui!”.
Por tudo isto, o
25 de Abril está vivo e povo gritou bem alto: “25 de Abril sempre!”.
Porém, os
festejos deste 52º aniversário também tiveram um novo aliciante, que foi ver o
Presidente da República de cravo ao peito e de se afirmar, sem quaisquer
equívocos, um homem do 25 de Abril e de assumir a defesa dos valores de Abril,
não deixando de ser curioso e eloquente que, na sessão solene da Assembleia da
República, a sua mulher vestisse de vermelho e a mulher do primeiro-ministro
vestisse de preto...
As televisões
estiveram bem ao divulgar as imagens essenciais da grande festa, mas a imprensa
esteve distraída e até o jornal Público, que destacou a festa do 25
de Abril com uma fotografia na sua primeira página a cinco colunas, se limitou
a escrever em tímida manchete que “o Presidente falou para os jovens e as ruas encheram-se de
cor”. É pouco, para descrever o que se viu…
