terça-feira, 25 de julho de 2023

As lições a aprender da política espanhola

Por razões de proximidade geográfica e cultural, quase tudo o que acontece em Espanha interessa aos portugueses e, portanto, as eleições gerais do passado domingo foram seguidas com muita atenção.
Havia 37,4 milhões de espanhóis para ir às urnas e as previsões apontavam para uma folgada vitória do PP de Alberto Feijóo e a derrota do PSOE de Pedro Sánchez, mas os resultados foram bem diferentes dos números apontados pelas sondagens, pois o PP teve 33,1% dos votos, enquanto o PSOE conseguiu 31,7%. Pouca diferença. Assim, o PP venceu e conseguiu 136 deputados, seguido pelo PSOE com 122, pelo Vox de Santiago Abascal com 33 e pelo Sumar de Yolanda Diaz com 31. Com estes resultados, a formação do novo governo espanhol torna-se muito difícil, pois nem o bloco da direita, nem o bloco da esquerda conseguiram a maioria de 176 dos 350 deputados. A solução poderá estar nos restantes 28 deputados eleitos pelos movimentos independentistas ou pelos interesses locais, como a ERC, Junts, EH Bildu, PNV, BNG e CCA.
Tanto Feijóo como Sánchez vão procurar negociar as alianças e os compromissos que permitam obter os 176 votos necessários à sua investidura pelo Congresso dos Deputados, como hoje anunciam o elPeriódico de Aragón e outros jornais espanhóis. Em política tudo é possível, mas parece muito provável que os espanhóis terão que ir novamente às urnas para resolver este imbróglio, ou esta hipótese de ingovernabilidade.
Entretanto, é bom que por na faixa mais ocidental da península Ibérica se aprenda alguma coisa com o que se passa com nuestros hermanos.