quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Privatizar a TAP? Não, obrigado!

Na onda de privatizações que, explícita ou implicitamente, estão referidas no ponto 3.31 do Memorando assinado com a troika em Maio de 2011, encontram-se algumas empresas que são símbolos da identidade nacional e que o governo quer alienar por meia dúzia de milhões de euros. Dezoito meses depois da assinatura daquele documento, já é tempo para o reapreciar e arrepiar caminho.
A identidade nacional é um conjunto de sentimentos e representações simbólicas que fazem com que cada indivíduo se sinta parte integrante de uma nação: a língua, o território, os monumentos, as práticas culturais, a bandeira e o hino nacionais, entre outros. No caso português, para além daqueles factores de identidade há outros que, sobretudo no estrangeiro e no seio da diáspora, têm uma importante carga simbólica e identitária, como sucede com o Ronaldo e o Mourinho ou as Festas dos Santos Populares, mas também com o bacalhau, a sardinha assada, o pastel de nata ou o arroz doce. Nessa perspectiva, também algumas empresas são marcas da nossa identidade e do imaginário nacional, casos da TAP, dos Correios ou da RTP. Nenhum governo ocasionalmente no poder, nem nenhuma troika de funcionários de segunda linha, têm autoridade ou mandato para beliscar esses símbolos da nossa identidade e da nossa soberania.
Em nome do interesse público e da defesa da nossa secular identidade, essas empresas não podem ser alienadas. A função do Estado é assegurar a união, a coesão e a defesa da comunidade, é preservar a nossa memória histórica, é garantir a independência e a defesa nacional, a administração da justiça, a ordem pública e a salvaguarda dos interesses nacionais onde quer que eles se encontrem. Nenhum governo pode vender uma parte do território, nem hipotecar a Torre de Belém, nem desfazer-se dos Painéis de S. Vicente, nem alienar as marcas da nossa própria identidade. Privatizar a TAP? Não obrigado!