Estão decorridos
quatro anos desde o dia em que as tropas russas iniciaram a sua “operação
militar especial” com o ataque à Ucrânia e hoje, de entre os muitos jornais
publicados no mundo, apenas encontramos três jornais que evocam essa data, através
de reportagens assinadas pelos seus enviados especiais às frentes de combate.
Este facto mostra como a imprensa internacional está cansada desta guerra e,
naturalmente, também mostra como as opiniões públicas se têm desinteressado
deste folhetim, em que poucos se preocupam com o povo ucraniano que é a grande
vítima desta “guerra civil”, ou deste choque de interesses e de vaidades entre
a Europa e a Rússia ou, ainda, deste confronto que prenuncia uma futura luta
mais intensa entre o Ocidente e o Oriente.
Os jornais que
hoje evocam os quatro anos de guerra na Ucrânia são os franceses La Dépêche du Midi (Toulouse) e La Croix (Paris) e o espanhol el Periódico (Barcelona). Os títulos e
subtítulos apresentados nas suas primeiras páginas dão-nos algum esclarecimento
sobre a situação.
O jornal La
Dépêche du Midi diz que “a Ucrânia oscila entre a esperança da paz e o
medo de um atoleiro” e que “o conflito só terminará quando russos e ucranianos
compreenderem que o custo da guerra é superior aos ganhos possíveis”.
O jornal católico
La
Croix escreve apenas que são “1500 km de linha da frente” e que “em
Kherson, aqueles que restam são os velhos, os pobres e os doentes”.
O jornal el
Periódico escreve que “quatro anos de guerra deixam a Ucrânia sem
forças”, acrescentando que “a população aceita cada vez mais renunciar a
territórios”, que “o conflito, com as frentes estancadas, já dura mais que a
guerra da Coreia” e que “a Europa, encurralada por Trump, busca o seu lugar nas
negociações”.
Neste quadro, é
tudo muito difícil e na Europa há erros acumulados e muitas divergências. Parece,
agora, que Macron e Meloni querem falar com Putin, que Friedrich Merz não vê o
final possível da guerra, que von der Leyen quer mais um pacote de sanções
contra a Rússia e que Viktor Órban bloqueia financiamentos à Ucrânia e sanções
à Rússia. Agora, também reapareceu o ex-primeiro-ministro britânico Boris
Johnson, provavelmente um dos maiores responsáveis por esta guerra não ter
terminado ao fim de uma ou duas semanas, a sugerir que o Reino Unido deveria enviar tropas não
combatentes para a Ucrânia, isto é, mandar gasolina para a fogueira. Com
esta gente e como se tem visto, é mesmo muito difícil acabar com o conflito e
há mesmo quem queira que prossiga, para depois tirar partido da desgraça dos
outros.
Como alguém
disse, ou escreveu, a guerra vai acabar pela exaustão e não com negociações.
