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sexta-feira, 31 de julho de 2026

"Ceuta, invadida", obriga-nos a pensar

A pressão migratória sobre a Europa continua a ser muito intensa e esse é um dos temas políticos, económicos e humanitários mais complexos da actualidade, colocando desafios à gestão das fronteiras, à integração dos migrantes nas sociedades de acolhimento e à cooperação entre os diferentes estados-membros da União Europeia. 
Este movimento migratório tem raízes essencialmente económicas, mas também resulta do crescimento demográfico, de conflitos armados, de efeitos das alterações climáticas e de perseguição política ou religiosa, mas representa sempre uma fuga à pobreza, à fome e, de uma forma geral, às condições indignas em que vivem milhões de pessoas no mundo, esquecidas pelos ricos e poderosos que se vão ocupando a fazer guerras. A Grécia, a Itália e a Espanha são os destinos mais procurados pelos migrantes através do mar Mediterrâneo mas, actualmente, a rota do Mediterrâneo Ocidental parece ser a que está a ser mais usada e, por terra ou por mar, a cidade autónoma espanhola de Ceuta é um dos objectivos dos migrantes legais ou ilegais que querem entrar na Europa.
Nas últimas horas, segundo informaram as autoridades espanholas, cerca de 49.000 migrantes entraram no enclave de Ceuta em apenas 24 horas, a nado ou saltando vedações, havendo já o registo de 19 mortos. Este número de entradas representa um aumento de quase 50% na população da cidade que tem 83.600 habitantes, resultando numa pressão insustentável sobre alojamentos e alimentos, vendo-se muitas centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas, enquanto mais migrantes continuam a entrar no território. 
O jornal ABC diz hoje que Ceuta foi “invadida”, mas toda a imprensa espanhola se mostrou alarmada. E tem boas razões de alarme, porque se trata uma de violação da integridade territorial da Espanha e do espaço comunitário, que não tem ar de ser espontânea e terá sido "organizada" pelo governo marroquino. Esta situação vem provar quão irresponsáveis e incompetentes são os líderes europeus que continuam a assustar-nos com a ameaça russa e que não sabem o que são direitos humanos, nem que há outros tipos de ameaças ao nosso modo de vida e bem estar. 
Como dizia o Velho do Restelo no Canto IV d’Os Lusíadas, “deixas criar às portas o inimigo, por ires buscar outro de tão longe”.  Nem mais, nem menos.

sábado, 13 de junho de 2026

A Espanha recebeu Leão XIV em euforia

No dia 21 de abril de 2025 foi anunciado o falecimento do Papa Francisco aos 88 anos de idade e 17 dias depois, no dia 8 de maio, os cardeais reunidos em Conclave elegeram Robert Francis Prevost como o 267º Papa da Igreja Católica, que escolheu o nome de Leão XIV. Como quase sempre acontece, esta escolha dos cardeais foi uma surpresa e na sua biografia, que rapidamente foi publicada pelo jornalista Christophe Henning, o novo Papa foi classificado como “o Sucessor Inesperado”.
O Cardeal Robert Prevost é americano e era pouco conhecido.
Durante os primeiros meses do seu pontificado, o Papa Leão XIV foi muito discreto, mas em novembro realizou a primeira viagem apostólica à Turquia e ao Líbano, depois esteve um dia no Mónaco e seguiu-se uma longa viagem à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Nessas viagens falou de paz, criticou a guerra e apelou à reconciliação, o que não agradou ao seu compatriota Donald Trump que o criticou. Porém, o Papa declarou não ter medo do governo de Trump e com essa corajosa declaração mostrou que o Papa e a Igreja Católica são confiáveis.
Agora, entre 6 e 12 de junho, o Papa realizou uma importante viagem apostólica a Espanha com passagens por Madrid, Barcelona, Las Palmas de Gran Canaria e Santa Cruz de Tenerife, tendo levado consigo uma mensagem de união para toda a Espanha, enquanto importante país de maioria católica, mas também a afirmação do direito dos migrantes a serem tratados com dignidade, tendo inaugurado a imponente torre central da Basílica da Sagrada Família em Barcelona.
Toda a imprensa espanhola acompanhou a visita do Papa Leão XIV e a euforia com que foi recebido, mas o jornal El Día de Santa Cruz de Tenerife publicou uma edição especial alusiva à sua passagem pela ilha de Tenerife, que foi a primeira visita realizada por um Papa àquela ilha e que aconteceu no dia 12 de junho de 2026.

domingo, 31 de maio de 2026

Leão XIV e a Magnifica Humanitas

O L'Osservatore Romano que é propriedade da Santa Sé mas que não é o seu jornal oficial, anunciou na sua edição de 26 de maio que o Papa Leáo XIV apresentara a sua primeira Carta Encíclica, a que deu o título Magnifica Humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”.
O texto oficial da encíclica foi divulgado pela Santa Sé, ocupa 48 páginas, distribui-se por 245 pontos e merece uma leitura atenta e reflexiva, sobretudo por quem se preocupe com o que se vai passando no mundo.
Logo no início o Papa Leão XIV diz que há 135 anos o Papa Leão XIII publicou a Encíclica Rerum Novarum que constituiu uma “reflexão sobre a sociedade, a economia e política a que hoje chamamos Doutrina social da Igreja”. Depois, acrescenta que hoje a Doutrina Social da Igreja é um património de sabedoria que nos ajuda “a ler os desafios do presente com lucidez, identificando caminhos adequados para viver, com alegria”. Tal como acontecia em finais do século XIX, também agora a tecnologia disponibiliza um poder sem precedentes, sobre a natureza, sobre a informação e até mesmo sobre a vida humana, numa lógica que se manifesta também na persistência da guerra como instrumento de afirmação política e de humilhação dos mais fracos. Nunca a Humanidade dispôs de tantos meios para controlar, vigiar, influenciar, dominar ou destruir.
O Papa Leão XIII enfrentou os desafios sociais e humanos da Revolução Industrial através da Encíclica Rerum Novarum. Agora, o Papa Leão XIV parece ter visto um paralelismo histórico entre o passado e o presente, pois à Revolução Industrial do século XIX está a suceder a Revolução Digital do século XXI e o Papa parte dessa realidade para “interpretar as grandes tendências do nosso tempo, em particular os progressos da técnica, a digitalização, a inteligência artificial (IA) e a robótica que estão a transformar o mundo” e a criar uma nova cultura do poder.
O Papa Leão XIV defende a civilização do amor, não como utopia sentimental mas como alternativa antropológica, política e cultural à cultura do poder.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Vem aí a época dos incêndios florestais

A edição de ontem do diário catalão el Periódico publica uma sugestiva ilustração em que o território espanhol da Península Ibérica aparece cercado pelo fogo e que, em manchete, escreve que “España olvida outra vez la prevención de incendios”.
Qualquer português que observe esta ilustração, ou que leia esta notícia, interroga-se sobre o que está, ou não está, a ser feito em Portugal para nos prevenirmos dessa calamidade que são os incêndios florestais que todos os anos nos ameaçam e que têm devastado vidas e bens. Porém, há que destacar que em Portugal o assunto não tem sido esquecido e que até está na ordem do dia.
Há cerca de um mês o ministro da Administração Interna (MAI) reconhecia que “o Verão vai ser muito duro” e elogiava o trabalho que estava a ser feito para prevenir os incêndios florestais, sobretudo nas zonas devastadas pelas recentes tempestades, porque “podem vir a ser seriamente afetadas”. Também estão a decorrer muitas acções de sensibilização e de esclarecimento da população para a defesa da floresta, lembrando sempre que o prazo legal para execução dos trabalhos de limpeza florestal termina a 30 de junho.
Entretanto, foi criado o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), com os Ministérios da Defesa, da Administração Interna e da Agricultura a juntar esforços na prevenção de fogos florestais e para assegurar a necessária eficácia e uma boa articulação de meios e esforços, tendo o MAI avisado que “tem de ser um combate de todos” e que “é possível trabalharmos em equipa” através de uma “mudança de mentalidade”.
Espera-se que estas medidas não sejam apenas de propaganda e que haja vontade de acabar com os excessos de protagonismos de políticos, bombeiros, proteção civil, autarcas e até alguns militares, mas cá estaremos para ver o que vai acontecer…

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Leão XIV aos tiranos: chega de guerras!

O jornal The Washington Post é um dos mais influentes jornais dos Estados Unidos, sobretudo em questões de política internacional, sendo muito respeitado pelos seus rigorosos padrões jornalísticos.
Porém, nos tempos que correm, a leitura de jornais não é tarefa fácil. Neste respeitado jornal, como em todos os jornais, o leitor deverá ter atenção aos temas dominantes, mais ou menos sensacionalistas e mais ou menos verdadeiros, mas também deverá saber distinguir o que é opinião e o que é notícia e, neste caso, deve procurar saber se essa notícia relata um acontecimento verdadeiro, ou não verdadeiro.
Ao contrário das nossas televisões que a cada minuto nos impingem Trump, Netanyahu e a sua loucura destruidora, a edição de hoje do jornal The Washington Post tem o Papa Leão XIV e a sua viagem de dez dias a quatro países africanos como o principal tema de capa, com uma fotografia da sua chegada à República dos Camarões. A legenda da fotografia salienta que “dias depois dos insultos do presidente Donald Trump”, “o Papa nascido em Chicago”, fez “um veemente apelo à paz e condenou o que descreveu como um ‘punhado de tiranos’ que estão a devastar o mundo”.
No discurso então pronunciado, o Papa disse que “o mundo tem sede de paz” e que “chega de guerras, com os seus penosos amontoados de mortos, destruições, exilados.”
A palavra do Papa é uma lição de coragem e de lucidez perante a alucinação da aliança destruidora Trump-Netanyahu e é com alegria que vemos o influente e rigoroso jornal The Washington Post a alinhar do lado da paz e a ignorar o Donald. Porém, a palavra do Papa tem sido muito ignorada em Portugal, o que é uma vergonha num país que, no artigo 7º da sua Constituição, defende “a solução pacífica dos conflitos internacionais”.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Missão Artemis II viu a outra face da Lua

A missão Artemis II da NASA está em curso desde o dia 1 de abril com grande sucesso e já ultrapassou o momento mais importante de toda a sua viagem em direcção à Lua, tendo sido a primeira vez que um ser humano viu o Sol eclipsar-se atrás do satélite natural da Terra. 
Nunca o ser humano tinha estado tão longe do nosso planeta e os astronautas da Artemis II já bateram o recorde da maior distância à Terra e já viram o lado oculto da Lua.
A missão Artemis II é o primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis que planeia levar astronautas à Lua em 2028, representado um novo incremento no avanço da Ciência e na descoberta espacial.
Recorda-se, aqui, que foram as missões Apollo da NASA que em 1969 levaram Neil Armstrong e Buzz Aldrin a pisar pela primeira vez o solo lunar e que, depois, houve mais dez astronautas que também estiveram na Lua, mas que há mais de cinquenta anos que o programa espacial americano estava desactivado.
As impressionantes fotografias captadas pelos astronautas em que se podem ver a Lua e a Terra, foram publicadas pela imprensa mundial de todas as latitudes, aparecendo na edição de ontem do diário Hoy que se publica na vizinha cidade espanhola de Badajoz.
Se Júlio Verne tivesse assistido a tudo isto, não tinha precisado de ter tanta imaginação na sua criação literária.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Ciência e tecnologia em direcção à Lua

Ontem pelas 18h 36m locais descolou do Centro Espacial Kennedy da NASA em Cape Canaveral, na Florida, o foguetão SLS levando acoplada a nave espacial Orion. É a primeira nave espacial tripulada a sair da órbita da Terra desde 1972, quando a Apollo 17 permaneceu 75 horas na superfície lunar. No seu interior seguiram quatro astronautas – os americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch e o canadiano Jeremy Hansen – que cumprem o primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis, com a duração de dez dias e que os levará a dar a volta à Lua. O grupo inclui pela primeira vez uma mulher, um astronauta afrodescendente e um não americano.
Esta é a missão Artemis II, um voo preliminar da missão Artemis IV que está planeada para 2028 e em que se prevê um desembarque lunar.
Numa altura em que muitos americanos e grande parte do mundo contestam as políticas de Donald Trump e a forma como vem desprestigiando os Estados Unidos, através do uso da força e da insensatez com que trata a comunidade internacional, o lançamento da missão Artemis II é um acontecimento que demonstra a capacidade científica e tecnológica americana e a sua capacidade de desenvolver projectos virados para o futuro da humanidade.
O acontecimento foi transmitido em directo por muitas estações televisivas e a generalidade dos jornais de todo o mundo deram notícia fotográfica do lançamento da nave espacial Orion. Por ser uma das mais expressivas, escolhemos a edição de hoje do jornal La Provincia, o diário da cidade canária de Las Palmas, que publica uma fotografia do lançamento e escreve que “La Luna, objetivo en tiempos convulsos”.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Uma mulher à frente da Igreja Anglicana

A Igreja da Inglaterra nomeou Sarah Mullally para ocupar o cargo de arcebispa de Cantuária, a posição mais alta da hierarquia da Igreja Anglicana de que passa a ser líder espiritual a nível mundial, sendo a primeira vez que uma mulher lidera aquela instituição religiosa em 1400 anos de história. O jornal The Times destaca este acontecimento com grande destaque na sua edição de hoje e não é caso para menos.
Sarah Mullally tem 63 anos de idade, foi nomeada bispa em 2015 e era a Bispa de Londres desde 2018. Antes de se tornar sacerdotisa aos 40 anos de idade, foi directora da enfermagem da Inglaterra com 37 anos de idade, tendo sido a pessoa mais jovem de sempre a ocupar o cargo.
A nova arcebispa tem um importante papel na vida pública inglesa pois tem assento na câmara alta do Parlamento (Câmara dos Lordes) e participa em em debates sobre questões sociais e religiosas e pode intervir em eventos de importância nacional. Porém, a nova arcebispa de Cantuária inicia o seu mandato num momento difícil para a Igreja Anglicana pois há muitos desacordos e controvérsias em questões sensíveis como o papel das mulheres, a benção a casais do mesmo sexo, os abusos sexuais revelados nos últimos anos e o tratamento das pessoas LGBTQ. A entronização da nova arcebispa decorreu na catedral de Cantuária, na presença do príncipe William e da mulher, do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, bem como de representantes do Vaticano, da Igreja Ortodoxa e de representantes de muitas das 42 igrejas anglicanas. 
O exemplo da Igreja Anglicana e da Inglaterra pode ser que inspire o Vaticano e a Igreja Católica a repensar o papel das mulheres no seu futuro.

terça-feira, 24 de março de 2026

A grave agressão em curso contra o Irão

A guerra que está em curso no Médio Oriente contra o Irão e o seu regime é mais um caso em que a força se sobrepõe a todos os princípios do direito internacional e das regras de convívio entre as nações. Israel e os seus amigos americanos, ou os Estados Unidos e os seus amigos israelitas, decidiram agredir um país soberano com falsos pretextos, sobretudo em relação ao seu programa nuclear. Já com o Iraque de Saddam Hussein aconteceu algo de semelhante e o mundo não ficou melhor.
Mais uma vez a informação a que temos acesso através da imprensa, da televisão e da internet está formatada num só sentido, isto é, não se denuncia a agressão nem os agressores, mas critica-se o agredido apenas porque se defende e usa as armas de que dispõe. O massacre desinformativo interno e internacional a que nos sujeitam é tão intenso que muita gente fica condicionada e esquece não só os crimes cometidos pelo regime de Netanyahu contra os palestinianos, mas também este desvario do presidente Trump e a agressão americano-israelita contra o Irão.
Estamos na era da desinformação e as narrativas construídas para servir determinados objectivos ocupam completamente os espaços noticiosos e a cognição dos seres humanos, condicionando-os e manipulando-os, como se o interesse dos poderosos fosse a verdade. No conflito da Ucrânia, aqueles que criticam a Europa por ter sido parte no conflito em vez de ser moderadora, são “amigos de Putin”; no conflito do Irão, aqueles que criticam a agressão desencadeada durante a negociação são “amigos dos aiatólas”. É este o caminho de falsidades que o mundo está a fazer, nesta nova era da pós-verdade e das fake news.
No entanto, ainda há jornais que se destacam, como mostra a edição de hoje do jornal argelino Le Quotidien d’Oran que, sem hesitações, chama agressão à injustificada ofensiva da parelha Netanyahu-Trump.   

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

André Mountbatten-Windsor e a imprensa

André Mountbatten-Windsor foi o filho favorito da Rainha Isabel II e é irmão do Rei Carlos III, ocupando a oitava posição na linha de sucessão ao trono britânico. Serviu na Royal Navy durante cerca de vinte anos e durante a guerra das Falklands em 1982, foi copiloto de helicópteros Sea King a bordo do porta-aviões Invencible
Nos últimos meses foram divulgadas as suas relações com Jeffrey Epstein e alguns escândalos sexuais pelo que lhe foram retirados todos os títulos nobiliárquicos. Ontem foi detido por suspeita de “irregularidades enquanto titular de um cargo público” e a comunicação social de todo o mundo “não falou de outra coisa”, tendo havido cadeias de televisão portuguesas que, propositadamente, mandaram repórteres a correr para Londres para noticiar o acontecimento. Um exagero mundial e um exagero nacional.
A detenção do cidadão André Mountbatten-Windsor ocupou a primeira página da edição de hoje do jornal The Times, mas também de muitos jornais de todo o mundo, reproduzindo a fotografia do detido na viatura em que foi conduzido aos calabouços da Polícia para ser interrogado. Embora o André não seja um cidadão qualquer, não se percebe a razão por que em Portugal, na Espanha, no Reino Unido, na França, na Suiça, na Irlanda, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Austrália, na Argentina, na Áustria, na Itália, na Grécia e certamente em muitos outros países, esse seja o tema central do interesse jornalístico. Não é aceitável tanta conversa sobre o André e haja um quase silêncio sobre o que está acontecer com o embargo americano a Cuba que, tendo sido iniciado em 1962, assumiu nas últimas semanas o carácter de um assassinato generalizado ao povo cubano, nem se fale na pressão israelo-americana para atacar o Irão, nem se fale do sofrimento dos palestinianos em Gaza e na Cisjordânia, nem em muitos outros problemas com que o mundo se debate. Não parece ser jornalismo sério. Até parece que o problema do mundo é o André…  

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Djokovic e Alcaraz: rei morto, rei posto!

Ontem, na cidade australiana de Melbourne, realizou-se a final do Australian Open, em que o tenista espanhol Carlos Alcaraz, de 22 anos de idade, venceu o tenista sérvio Novak Djokovic, de 38 anos de idade. Este resultado desportivo, entre dois atletas de 38 e de 22 anos de idade que se enfrentaram, tem um enorme simbolismo geracional, porque representa um “render da guarda” e significa que tem plena justificação o conhecido provérbio “rei morto, rei posto”. Ninguém é insubstituível e a partir de agora Djokovic tenderá a ser esquecido pelo público, enquanto Alcaraz se vai tornar, ou já é, o novo ídolo do ténis mundial.
Novak Djokovic, com Roger Federer e Rafael Nadal, representou uma era e é, provavelmente, o melhor tenista de todos os tempos, possuindo os recordes como número um do mundo durante 428 semanas e com vitórias em 24 torneios de Grand Slam e em 40 Masters 1000.  
Carlos Alcaraz representa uma nova geração do ténis mundial, já venceu 7 títulos do Grand Slam e oito Masters 1000, sendo o mais jovem tenista que venceu cada um dos quatro torneios do Grand Slam (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open).
Inúmeros jornais de todo o mundo destacaram nas suas edições de hoje, em primeira página e com fotografia, a vitória de Carlos Alcaraz, assim acontecendo com o diário The Age, que se publica em Melbourne. Naturalmente, os jornais espanhóis não se pouparam nos adjectivos – historico, leyenda, imparable, grande, total, el rey, de ensueño – tratando de transformar Carlos Alcaraz no novo ídolo da Espanha.

sábado, 31 de janeiro de 2026

A calamidade que nos trouxe a Kristin

Depois das depressões Ingrid e Joseph, o território continental português foi assolado pela depressão Kristin e aconteceu uma calamidade, sobretudo na região Centro do país, onde sopraram ventos ciclonicos e foi registada uma rajada de 209 km por hora. 
As imagens televisivas que pudemos observar mostram a dimensão de uma enorme catástrofe para que ninguém estava preparado, apesar dos habituais avisos amarelo e laranja que, por serem tão frequentes, já ninguém lhes liga. Para além de algumas mortes, houve muitas inundações, abundante queda de árvores, destruição de infraestruturas, telhados e postes partidos, cortes de energia, internet e comunicações, numa escala a que o país não estava habituado. 
Os prejuízos são incalculáveis e os efeitos desta calamidade irão sentir-se durante muito tempo.
O episódio, segundo o IPMA, teve as características de um ciclone-bomba e foi agravado por um fenómeno chamado sting jet, que é uma forte corrente descendente que, por vezes, se desenvolve no bordo das depressões extratropicais e gera ventos muito violentos e de efeitos muito destruidores.
Não é possível saber se as autoridades responderam com prontidão a esta catástrofe, porque nestas ocasiões de desespero é normal que surjam críticas por parte daqueles que sofrem e que precisam de ajuda. Agora há que olhar para o problema e atacá-lo deixando para mais tarde a avaliação do que aconteceu. Nestas circunstâncias de emergência, é necessária a solidariedade e a entreajuda de todos – voluntários, bombeiros, militares, associações, entidades locais – sobretudo nas áreas mais afectadas, para ajudar as populações isoladas ou mais carenciadas, para contribuir para a limpeza e para recuperação dos espaços públicos e para que a normalidade regresse tão depressa quanto possível.
Os portugueses que tantas vezes têm sido solidários com causas alheias, bem podem agora unir-se por esta causa humanitária.

domingo, 18 de janeiro de 2026

As eleições presidenciais em Portugal

Hoje é dia de eleições presidenciais em Portugal e todos os portugueses devem ir às urnas, porque é um dever cívico e porque é no exercício do voto que se fundamenta a Democracia e a Liberdade. 
A frase “o voto é a arma do povo” deveria ser inspiradora para cada cidadão, embora nos últimos tempos o acto de votar se tenha transformado num ritual descaracterizado, ou até mesmo mentiroso, porque os eleitos tendem a esquecer tudo o que antes prometeram, muitas vezes dão o dito por não dito e outras tantas vezes tratam de se servir dos cargos e de não servir aqueles que os escolheram. De forma simétrica, também as opções de voto dos eleitores são condicionadas pelas campanhas eleitorais e pelas influências partidárias, sindicais, corporativas e outras, de que resultam opções de voto formatadas por interesses alheios e que estão desalinhadas dos interesses profundos dos eleitores.
Por tudo isto, as Democracias estão em crise, um pouco por todo o mundo, mas a frase atribuída a Winston Churchill continua a ser válida, isto é, “a democracia é o pior dos sistemas, com excepção de todos os outros”, mas isso não significa que seja a forma perfeita para nos organizarmos e nos governarmos.
Depois de 48 anos de regime autoritário em que não havia eleições livres nem democráticas, desde 1975 que os portugueses têm sido chamados a votar para escolher aqueles que os representam ou que os governam. A maioria dos portugueses tem beneficiado de um enorme progresso social, observável na educação, na saúde, na economia e na cultura, mas sempre com origem no voto. Porém, há uma crescente abstenção eleitoral que mostra que muitos cidadãos não acreditam numa democracia que os ignora, ou que os trata de forma desigual, ou que os mantém na pobreza, mas essa é a excepção à regra.
Por isso, é necessário votar e combater o desinteresse e a indiferença com a arma do voto, porque só o voto pode garantir a Liberdade, a Democracia e o Progresso.

O Nobel e os apetites de Donald Trump

A vida internacional está a tornar-se demasiado desregulada, devido à mediocridade de muitos dos seus protagonistas e ao corrupio de casos que vão sucedendo. Porém, Donald Trump destaca-se ao concentrar a maioria dos casos que estão a abalar o mundo, com as suas ameaças, as suas tarifas, os seus bombardeamentos e os seus assaltos. Apesar de anunciar repetidamente que já acabou com oito guerras, o facto é que tem dado ordens para bombardear vários países, sempre para impor a sua ambição, a sua vaidade e os seus interesses.
Nessa sua postura, de que faz parte o seu enriquecimento pessoal, nunca omitiu alguns apetites maiores ou menores, designadamente pelo Prémio Nobel da Paz, embora o Comité Nobel lhe tivesse negado essa vontade. Porém, a venezuelana Maria Corina Machado que foi a laureada de 2025, numa decisão irresponsável decidiu oferecer-lhe o prémio e foi a Washington onde foi recebida por Donald Trump que, sem vergonha nem pudor, o aceitou.
O Comité Nobel tratou imediatamente de anunciar que “independentemente do que aconteça com os símbolos físicos, o laureado original mantém para sempre a honra e o reconhecimento, não podendo o galardão ser revogado ou repartido com terceiros”, acrescentando que a medalha, o diploma e a dotação financeira correspondente continuam a pertencer ao laureado, sendo ele que passa à história como recebedor do prémio. O caso é tão triste que o jornal La Vanguardia, que se publica em Barcelona, o destacou na sua edição de ontem, referindo em primeira página a ”indignação” com que a Noruega assistiu a esta farsa que poucos podiam imaginar.
Trump quis o Nobel e quer a Riviera em Gaza, as terras raras da Ucrânia, o petróleo venezuelano, a Gronelândia...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Um novo ano de 2026 com paz e progresso

Hoje é o último dia do ano de 2025, mas enquanto muitos jornais fazem balanços dos últimos doze meses, uma coisa que nos faz lembrar algumas guerras, várias tragédias e muita crueldade, há outros jornais que optam por simplesmente desejar um Bom Ano novo aos seus leitores. É o caso do Diario de Burgos, o principal jornal da histórica cidade de Burgos, que pertence à Comunidade Autónoma de Castilla y Léon, cuja capital é Valladolid e que é a maior das 17 comunidades espanholas em área territorial, isto é, maior do que Portugal.
O jornal publica uma fotografia da imponente catedral de Burgos e do casario da cidade, cobertas de neve numa imagem de serenidade, desejando Feliz 2026 aos seus leitores.
Também aqui, neste pequeno espaço da blogosfera que é a Rua dos Navegantes, se deseja que o mundo retome os caminhos da paz entre as nações e da harmonia entre os povos, que combata a pobreza, a doença e a desigualdade, que proteja os direitos de todos os seres humanos e que encontre soluções para se proteger das alterações climáticas que nos ameaçam. A vertigem belicista, que as televisões alimentam pouco responsavelmente e que reina um pouco por todo o mundo, conduz ao sofrimento, à destruição e não tem sentido, devendo dar lugar ao apaziguamento e à cooperação.
Nesta aldeia global em que todos vivemos e em que todos dependemos do outro, são os valores da paz, da liberdade, da democracia, da igualdade, da justiça social e da solidariedade que devem prevalecer sobre as pequenas questiúnculas do quotidiano, tanto nacional como mundial.
O povo simples tem razão quando, com a sua sabedoria, diz que “a falar é que a gente se entende” e, por isso, é preciso que aqueles que governam, tratem de falar para se entenderem e se deixem de egoísmos e de vaidades.
Aos meus leitores, aqui deixo votos de um feliz ano de 2026!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

O Natal é sempre que um homem quiser.

Hoje vai celebrar-se a noite de Natal que, embora continue a ser um símbolo de religiosidade muito forte para os cristãos, também se tornou numa grande operação de carácter comercial, embora seja, sob todas as perspectivas, uma data festiva para as famílias de raiz cristã.
Na época natalícia as famílias, mais restritas ou mais alargadas, convivem e participam em actos religiosos, reúnem em consoada, consomem as iguarias mais tradicionais, trocam presentes e fazem votos de saúde e de prosperidade para o novo ano que se aproxima. O Natal é, por isso, um ritual de convívio, de paz, de harmonia e de solidariedade.
As casas são decoradas de forma apropriada com símbolos natalícios, tanto religiosos como profanos, destacando-se essa anomalia do marketing comercial que são as imagens simbólicas da neve, das renas e dos trenós que trazem o Pai Natal desde a Lapónia, bem como as árvores de Natal que vandalizam a floresta, enquanto os presépios parecem despertar menos interesse como símbolos ou objectos decorativos.  
Com o desenvolvimento das telecomunicações e a movimentação internacional da força do trabalho e das populações das áreas desfavorecidas para as áreas mais prósperas, o Natal passou a ser também uma monumental operação de correio – postal, telefónico e electrónico – em que cada pessoa emite e recebe dezenas de mensagens para e de todo o mundo, constituindo um elo que nos revela que o nosso planeta é, cada vez mais, a aldeia global de que falou Marshall McLuhan. Essa aldeia e o sentido de que "estamos todos no mesmo barco" exigem-nos que acabem as guerras e haja paz, harmonia, solidariedade, democracia, respeito pelos direitos humanos, luta contra a pobreza, protecção do ambiente e da paisagem e amizade entre os povos.
Da minha parte, aproveito a manchete da edição de hoje do jornal Le Télégramme, que se publica na cidade bretã de Brest, para desejar um Joyeux Noël aos meus leitores, embora o Natal seja sempre que um homem quiser.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A tragédia australiana de Bondi Beach

Em Bondi Beach, a praia mais conhecida de Sydney, dois homens armados com espingardas atiraram de forma indiscriminada sobre a multidão de várias centenas de pessoas que participava numa das mais importantes celebrações judaicas. Era domingo, a praia estava cheia e, naturalmente, gerou-se o pânico e aconteceram actos de terror, como anunciou a edição de ontem do jornal The Camberra Times. Naquelas dramáticas circunstâncias, um homem chamado Ahmed al Ahmed, de 43 anos de idade e dono de uma frutaria em Caringbah South, aproximou-se de um dos atiradores e, com notável sangue-frio e muita coragem, conseguiu imobilizá-lo e desarmá-lo, evitando dessa forma que houvessem muito mais vítimas, para além dos 16 mortos e 40 feridos que a tragédia provocou. Esta acção de Ahmed al Ahmed foi filmada por vários moradores e isso fez com que fosse considerado um “herói genuino”. 
O trágico incidente emocionou a Austrália e, embora tenha acontecido a cerca de 18.000 quilómetros de distância, também foi notícia em Portugal, por se tratar de mais um acto de extrema barbaridade, como muitos outros que parecem estar a aumentar no mundo, pelas mais diversas razões.
Neste caso de Sydney há duas singularidades: a primeira foi o facto de ter sido a atitude corajosa de um árabe, emigrante sírio, que poupou muitas vidas de elementos da comunidade judaica de Sydney, enquanto a segunda mostra que “quem semeia ventos colhe tempestades”, ou que há muita gente no mundo que não esquece a violência e a crueldade do regime extremista de Netanyahu, que destruiu Gaza, que matou milhares de palestinianos inocentes e que atacou os árabes do Líbano e da Síria.
A tragédia de Bondi Beach deve ser repudiada universalmente, embora a retaliação seja uma arma que todos usam.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Uma “tempestade perfeita” na Venezuela

A Venezuela é governada desde 2012 por Nicolás Maduro Moros, um homem de elevada estatura, elevada arrogância e elevado autoritarismo. Começou por assumir a presidência interina do país após a vitória eleitoral de Hugo Chávez, devido à grave doença do presidente eleito que veio a falecer em março de 2013. No mês seguinte, Maduro conseguiu vencer as eleições presidenciais e tornar-se o 57º presidente da República Bolivariana da Venezuela. Cinco anos depois Maduro foi reeleito, embora o resultado das eleições de 2018 não tivesse sido reconhecido, tanto pela oposição, como pela generalidade da comunidade internacional que, desde então, o têm considerado um presidente ilegítimo e o consideram um ditador.
O país vive atrofiado pelo autoritarismo e pela repressão praticados pelo regime e, segundo é regularmente noticiado nos media, a Venezuela está em declínio socioeconómico, com aumento dos problemas políticos e sociais, incluindo o aumento da pobreza, da inflação, da criminalidade e da fome, mas também o crescimento descontrolado do narcotráfico. O ataque ao narcotráfico foi o pretexto que levou Donald Trump a restaurar a Doutrina Monroe, que tendo sido enunciada em 1823, tinha por lema “a América para os americanos”. Assim, há uma escalada na tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela, estando a acontecer uma intensa movimentação militar americana para aquela região, tendo Donald Trump já anunciado que vai haver “ataques americanos contra alvos no interior da Venezuela”, o que é muito preocupante, sobretudo para os venezuelanos.
Perante este quadro, o jornal Diario 2001, que se publica em Caracas, dedica toda a manchete da sua edição de hoje à jovem Clara Vegas Goetz, que foi eleita Miss Venezuela em representação do estado de Miranda e que é “un orgullo para su mamá la también Miss Venezuela 1990 Andreina Goetz”.
Clara estará em Porto Rico no próximo ano e espera-se que seja “la octava corona universal para Venezuela”. 
Quando a situação venezuelana parece configurar uma “tempestade perfeita” que ameaça desabar sobre o país, os venezuelanos e a sua imprensa pensam nas misses 

domingo, 30 de novembro de 2025

Memória de um dia trágico em Hong Kong

Quatro dias depois do trágico incêndio no bairro social Wang Fuk Cour, na zona de Tai Po, nos Novos Territórios de Hong Kong, estão contabilizados 128 mortos e mais de duzentos desaparecidos, segundo anuncia o jornal hojemacau, que publica na sua capa uma impressionante fotografia das torres calcinadas.
Hong Kong e Macau são territórios separados por cerca de 60 quilómetros de distância e ambas são Regiões Administrativas Especiais da República Popular da China, pelo que tudo o que acontece numa delas interessa à outra e daí que o incêndio de Tai Po tenha ocupado as manchetes da imprensa macaense durante alguns dias.
O bairro social Wang Fuk Cour foi construído nos anos 80 do século passado, é constituído por oito torres com cerca de 30 andares com um total de 1.984 apartamentos, nele vivendo cerca de quatro mil pessoas. Estava em trabalhos de manutenção e terá sido por negligência das equipas que nele trabalhavam que deflagrou o pavoroso incêndio que foi possível ver em directo pela televisão, com os bombeiros a procurar extinguir o fogo e a tentar resgatar muitos residentes que estavam retidos nos seus apartamentos.
Certamente que as autoridades de Macau mas também das cidades de todo o mundo onde existem este tipo de torres residenciais, aprenderão a lição desta tragédia para reforçar as necessárias medidas de segurança.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Uma grande catástrofe em Hong Kong

Um incêndio de enormes proporções, considerado o mais mortífero na história de Hong Kong, deflagrou ontem no bairro social Wang Fuk Court, construído nos anos 80 do século passado, que é constituído por oito torres com cerca de trinta andares, com 1.984 apartamentos onde se estima que viviam cerca de 4.000 pessoas. 
O jornal South China Morning Post, que é o principal jornal da antiga colónia inglesa, dedicou toda a primeira página da sua edição de hoje ao catastrófico incêndio, informando que havia “36 mortos e 279 desaparecidos”, mas as notícias mais recentes já referem “94 mortos e quase 300 desaparecidos”.
Embora ainda não se conheçam as causas do trágico incêndio, tudo aponta para uma grosseira negligência de alguns trabalhadores que vinham realizando trabalhos de manutenção em algumas daquelas torres, pois foram descobertos materiais inflamáveis e esponjosos que arderam rapidamente, que libertaram fumos tóxicos e que propagaram o fogo pelos sucessivos andaimes em estruturas de bambu, que apoiavam os trabalhos de manutenção que estavam a ser realizados. O fogo propagou-se rapidamente às outras torres e a acção dos bombeiros revelou-se ineficaz.
Segundo foi declarado, tudo correu mal, pois não foram audíveis quaisquer sinais de alarme e não terão sido atendidas as reclamações de muitos moradores contra os trabalhos que decorriam nos prédios que alegaram falta de segurança.
As imagens televisivas desta catástrofe foram impressionantes e lembraram os ataques às torres gémeas de Nova Iorque, acontecidos no dia 11 de setembro de 2001.