quarta-feira, 9 de maio de 2018

O czar Putin e o renascimento da Rússia

Diversos jornais mundiais publicaram ontem a mesma fotografia de Vladimir Putin a desfilar numa passadeira vermelha após tomar posse como Presidente da Rússia, naquele que é, segundo a lei russa em vigor, o seu 4º mandato e último mandato presidencial. Um desses jornais foi o The Wall Street Journal, a revelar como a presidência russa é muito importante para os Estados Unidos.
Vladimir Putin foi reeleito nas eleições do passado dia 18 de Março em que obteve 76,69% dos votos e decidiu que a sua investidura tivesse pompa e circunstância, pelo que na respectiva cerimónia estiveram cerca de cinco mil convidados. O reeleito presidente deslocou-se numa limousine de fabrico russo para mostrar ao país a modernidade da sua indústria automóvel e no seu discurso comparou a Rússia à Fénix que renasce das cinzas, prometendo melhorar a qualidade de vida dos russos e, à maneira de Donald Trump, também afirmou a sua vontade de tornar a Rússia grande outra vez.
Vladimir Putin encarna o desejo russo de resgatar a humilhação que foi a implosão da União Soviética e a incapacidade russa para a evitar, mas também simboliza a perseverança russa para ultrapassar os ciclos de provação que a sua milenar história regista, de que são exemplos a resistência de Moscovo às tropas de Napoleão e de Estalinegrado aos tanques de Hitler.
É sabido que os valores democráticos de Putin são demasiado musculados e que a oposição sofre, mas o facto é que o “novo czar” elevou a respeitabilidade da Rússia, pela forma muito coerente como tem actuado nos diferentes tabuleiros internacionais, o que não tem acontecido com os seus rivais americanos e europeus.
No entanto, as legítimas vontades de Putin e de Trump de tornarem os seus países grandes outra vez, não podem conduzir a qualquer escalada de tensão mundial ou ao retorno da guerra fria e, nessa matéria, os europeus têm que pensar pela sua própria cabeça.

Um português de visita oficial a Cuba

Muitos portugueses viajam para Cuba e parece que os hotéis e as praias da estância balnear de Varadero são os locais por eles mais desejados. Porém, a edição do Granma, o órgão oficial do comité central do Partido Comunista de Cuba, deu ontem grande destaque à visita oficial de António Guterres, o português que ocupa o cargo de Secretário-geral das Nações Unidas. Não é costume que as visitas de Guterres sejam notícia de primeira página nos jornais e por isso aqui a destacamos.
Ao contrário dos habituais turistas portugueses, Guterres apenas esteve em Havana no âmbito das sessões da Comissão Económica para a América Latina e Caribe das Nações Unidas, tendo sido recebido por Miguel Díaz-Canel, o novo presidente do Conselho de Estado que, como foi muito repetido, não tem no seu nome o habitual apelido Castro. Segundo refere o Granma, os dois homens falaram sobre paz e segurança internacionais e sobre alterações climáticas, mas certamente que Guterres incentivou Díaz-Canel a abrir-se à democracia e ao mundo, encorajando-o no caminho das reformas que os novos tempos reclamam para Cuba.
Durante a sua estadia em Havana, Guterres visitou a Old Havana and its Fortification System, que desde 1982 está inscrita na Lista do Património Mundial da Unesco e mostrou-se impressionado com a sua boa conservação, tendo felicitado os homens e as mulheres que trabalharam no seu restauro com grande rigor histórico e declarado que tendo conhecido a cidade há vinte anos, não podia imaginar que perante as dificuldades económicas e o bloqueio, fosse possível fazer tão importante trabalho de recuperação.
Quem sabe se Guterres conseguiu ou não dar um contributo para a "desfossilização" do regime cubano que dura há sessenta anos?