Mostrar mensagens com a etiqueta DOS JORNAIS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta DOS JORNAIS. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Fernando Pimenta só sabe ganhar

Fernando Pimenta concluiu no passado domingo a participação portuguesa nos Mundiais de canoagem, em Poznan, na Polónia, tendo-se tornado num duplo campeão do mundo pois triunfou na prova de K1 5000m, depois de ter vencido no sábado a prova de K1 1000m. 
Com 37 anos de idade, o atleta Fernando Pimenta elevou para 187 o número de medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos, nos Campeonatos Mundiais, nos Campeonatos Europeus e em outras provas internacionais de canoagem, merecendo especial destaque as suas duas medalhas olímpicas – em Londres 2012 e em Tóquio 2020 – bem como os seus 14 títulos mundiais. “Uma proeza tremenda”, como se referiu o jornal Público às vitórias deste homem que é o maior atleta português de todos os tempos, num país de que também fazem parte outras glórias desportivas como Carlos Lopes e Rosa Mota, ou Eusébio e Cristiano Ronaldo, entre outras.
Exceptuando o Público que o homenageou com destaque de primeira página na sua edição de ontem, nenhum outro jornal generalista destacou os feitos desportivos de Fernando Pimenta e até os jornais desportivos se limitaram a publicar pequenas notas noticiosas de primeira página, pois andavam muito ocupados com a promoção desse grande futebolista que é João Palhinha, cuja fotografia ocupou as páginas dos jornais desportivos durante uma semana, ou mais.
Os feitos desportivos de Fernando Pimenta não mereciam esta miopia jornalística ou esta visão distorcida da imprensa desportiva portuguesa.
Fernando Pimenta é um exemplo de trabalho, de perseverança, de sacrifício e de talento, pois só com esses atributos é possível ter sido campeão do mundo em 14 ocasiões, mas também é um exemplo de sucesso e de grande orgulho para os desportistas portugueses.
Daqui a dois anos, entre 14 e 30 de julho de 2028, vão realizar-se os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Todos contamos com Fernando Pimenta!

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Os milhões de lucro da banca são extorsão

A banca portuguesa está em festa porque os seus lucros continuam num nível muito elevado, como se a sua actividade decorresse num país economicamente rico e socialmente equilibrado, com recursos abundantes e sustentáveis, com uma boa base tecnológica e industrial, com grande capacidade exportadora e com empresários empreendedores e com mão-de-obra qualificada.
Hoje, toda a imprensa portuguesa de referência anunciou esse sucesso: o Jornal de Notícias informou em manchete que “maiores bancos cobram aos clientes sete milhões por dia em comissões”, o Diário de Notícias destacou em primeira página que “cinco maiores bancos lucram meio milhão de euros por hora” e o Público anunciou que os “bancos lucram mais de dois mil milhões semestrais pelo quarto ano consecutivo”. É muito dinheiro e não há milagres.
Estes resultados são escandalosos e obscenos, porque como escreve o Jornal de Notícias as “comissões salvam lucros dos bancos e clientes pagam a conta”. Não está em causa a legitimidade da banca para cobrar taxas e comissões pelos serviços que presta, mas não é aceitável a autêntica extorsão que é a cobrança de comissões, sobretudo as chamadas despesas de manutenção de conta e as anuidades dos cartões de crédito a que não temos alternativa, que penalizam o pequeno depositante e fazem inchar os lucros da banca. Dizem os banqueiros que os preços destas comissões não sobem, mas o facto é que também não descem, depois de terem sido aumentadas durante anos consecutivos.
Os pequenos depositantes conhecem bem a injustiça que é o diferencial entre juros passivos (que o cliente paga ao banco pelos empréstimos que contraiu) e os juros activos (que o cliente recebe pelo dinheiro que empresta ou deposita no banco), porque é a imagem mais fiel das práticas de extorsão bancária em Portugal.
Por isso, eu digo ao gestor Macedo a mesma coisa que diz a publicidade do Continente: "Assim também eu!".
Nestas circunstâncias, ocorre-nos O Canto e as Armas de Manuel Alegre, publicado em novembro de 1967 que, no belo Poemarma, diz: 
Que o poema […] chegue ao banco e grite: abaixo a pança!"

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Fernando Pimenta é um atleta de eleição!!!

O canoísta Fernando Pimenta participou no 2026 ICF Canoe Sprint & Paracanoe World Cup, ou mais simplesmente Taça do Mundo de Canoagem, que se realizou em Montreal entre os dias 9 e 12 de julho, tendo conquistado nada menos que duas medalhas de ouro: a primeira na prova de K1 1.000 metros realizada no dia 11 e, a segunda, na prova de K1 5.000 metros disputada no dia 12. A proeza de Fernando Pimenta é notável e, com estas duas medalhas, já soma 32 medalhas de ouro em provas da Taça do Mundo, sendo também um dos poucos atletas olímpicos portugueses duplamente medalhados, respectivamente em Londres 2012 e Tóquio 2020.
Esperava-se, naturalmente, que as edições de hoje dos jornais portugueses, sobretudo os jornais ditos desportivos, destacassem nas suas primeiras páginas as vitórias de Fernando Pimenta e as suas medalhas, pois como referiu o jornalista Rui Guimarães no jornal O Jogo, ele é “muito provavelmente o melhor atleta português de todos os tempos”. Porém, nem os jornais desportivos nem os jornais generalistas destacaram nas suas manchetes de primeira página o atleta Fernando Pimenta, preferindo destacar os futebolistas Schjelderup e Prestianni, mais o Trincão e o Pote, o regresso do Palhinha e os milhões da Arábia, numa subserviência ao futebol e aos seus interesses, vícios e negociatas.
Alguns jornais deram uma pequena notícia da proeza de Fernando Pimenta numa página interior, mas o jornal A Bola ignorou completamente este grande atleta português, preferindo promover futebolistas de quinta categoria.
Embora de nada valha, aqui deixo um protesto por estes desvios de uma imprensa dita desportiva, desonesta e míope, que nada vê para além dos interesses do futebol, deixando também o devido aplauso ao grande atleta que é Fernando Pimenta.

terça-feira, 31 de março de 2026

Portugal e Cabo Verde unidos e fraternos

A última edição do semanário Expresso das Ilhas que se publica na cidade da Praia, inclui uma desenvolvida reportagem sobre o primeiro transplante renal realizado em Cabo Verde, que “foi um sucesso”. É um marco histórico na medicina em Cabo Verde que aconteceu no dia 24 de março no Hospital Universitário Agostinho Neto e, segundo a equipa médica, tanto a dadora como o receptor que são irmãos, estão a recuperar bem da intervenção. A intervenção durou cerca de três horas e contou com uma equipa de cerca de 30 pessoas cabo-verdianas e portuguesas, chefiada pelo cirurgião português António Norton de Matos que, há 43 anos, realizou o primeiro transplante renal na cidade do Porto.
Evandro Monteiro, o gestor do Hospital Universitário Agostinho Neto, reconheceu o mérito da parceria estabelecida entre Cabo Verde e Portugal nesta matéria, com  o empenho da equipa cabo-verdiana e da equipa portuguesa, “sobretudo do Hospital de Santo António, no Porto, que estiveram directamente envolvidos no processo de preparação e realização do transplante” e afirmou que “é para continuar”.
A mesma edição do Expresso das Ilhas noticia, também em primeira página, que o jornal assegura a distribuição em exclusivo em Cabo Verde de uma edição especial de “Os Lusíadas”, no âmbito das comemorações do V Centenário de Luís de Camões. Essa edição será publicada em fascículos a serem distribuídos na última edição do jornal de cada mês, durante dez meses.
Esta edição mostra que, tanto no plano da cooperação médico-cientifica, como nas vertentes culturais, é realmente enorme a proximidade (e a fraternidade) entre Portugal e Cabo Verde e que não passa apenas pela emoção da morna, ou a da gula pela cachupa.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

André Mountbatten-Windsor e a imprensa

André Mountbatten-Windsor foi o filho favorito da Rainha Isabel II e é irmão do Rei Carlos III, ocupando a oitava posição na linha de sucessão ao trono britânico. Serviu na Royal Navy durante cerca de vinte anos e durante a guerra das Falklands em 1982, foi copiloto de helicópteros Sea King a bordo do porta-aviões Invencible
Nos últimos meses foram divulgadas as suas relações com Jeffrey Epstein e alguns escândalos sexuais pelo que lhe foram retirados todos os títulos nobiliárquicos. Ontem foi detido por suspeita de “irregularidades enquanto titular de um cargo público” e a comunicação social de todo o mundo “não falou de outra coisa”, tendo havido cadeias de televisão portuguesas que, propositadamente, mandaram repórteres a correr para Londres para noticiar o acontecimento. Um exagero mundial e um exagero nacional.
A detenção do cidadão André Mountbatten-Windsor ocupou a primeira página da edição de hoje do jornal The Times, mas também de muitos jornais de todo o mundo, reproduzindo a fotografia do detido na viatura em que foi conduzido aos calabouços da Polícia para ser interrogado. Embora o André não seja um cidadão qualquer, não se percebe a razão por que em Portugal, na Espanha, no Reino Unido, na França, na Suiça, na Irlanda, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Austrália, na Argentina, na Áustria, na Itália, na Grécia e certamente em muitos outros países, esse seja o tema central do interesse jornalístico. Não é aceitável tanta conversa sobre o André e haja um quase silêncio sobre o que está acontecer com o embargo americano a Cuba que, tendo sido iniciado em 1962, assumiu nas últimas semanas o carácter de um assassinato generalizado ao povo cubano, nem se fale na pressão israelo-americana para atacar o Irão, nem se fale do sofrimento dos palestinianos em Gaza e na Cisjordânia, nem em muitos outros problemas com que o mundo se debate. Não parece ser jornalismo sério. Até parece que o problema do mundo é o André…  

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Continua a crueldade israelita sobre Gaza

O cessar-fogo em Gaza foi declarado no dia 10 de outubro de 2025 e, teoricamente continua em vigor, embora haja frequentes relatos de violações e de confrontos, em que Netanyahu e o Hamas se acusam mutuamente. 
Porém, o que aconteceu ontem foi mais um exemplo da brutalidade israelita sobre o território de Gaza e sobre a martirizada população palestiniana, pois um violento ataque matou pelo menos 32 pessoas, incluindo uma dezena de mulheres e seis crianças, o que constitui o maior número de mortes num só dia, desde o cessar-fogo. Assim, o número de palestinianos mortos desde a trégua de outubro já soma mais de meio milhar. 
Os governos do Egipto, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Paquistão, Turquia, Arábia Saudita e Catar já condenaram “as reiteradas violações por parte de Israel do cessar-fogo em Gaza, que causaram morte e ferimentos a mais de mil palestinianos". 
Procuramos saber como tinha reagido a imprensa internacional a esta agressão israelita e, com surpresa, apenas encontramos dois jornais que, com destaque de primeira página, mostraram a fotografia da violenta explosão provocada pelo ataque israelita de ontem no território de Gaza: um deles é o diário La Jornada que se publica na cidade do México e o outro é o jornal Rio Negro que é publicado na cidade argentina de General Roca, na Patagónia. Como diria o Papa Francisco foram os jornais do “fim do mundo” que estiveram atentos à desumanidade e mostraram que continua a crueldade em Gaza, enquanto a imprensa ocidental continua a mostrar-se indiferente ao genocídio de Netanyahu, ou alinhada com os seus falcões extremistas.
Naturalmente, a Europa também continua sem nada fazer, nem nada dizer...

sábado, 13 de dezembro de 2025

Portugal será a economia do ano de 2025?

A mais recente edição da prestigiada revista inglesa The Economist tem sido muito citada em Portugal porque o nosso país foi considerado como “a economia do ano de 2025” num artigo intitulado Which economy did best in 2025?.
Diz o texto que podia ter sido muito pior, porque foi em Abril que Donald Trump começou a sua trade war e temeu-se então por uma recessão global que não aconteceu. O crescimento global da economia foi de cerca de 3%, semelhante ao do ano anterior, o desemprego continuou baixo, o mercado acionista esteve em alta e só a inflação suscitou alguma preocupação. O método utilizado para a escolha combina cinco indicadores de 36 mostly rich countries – inflação, amplitude da inflação, produto, emprego e mercado acionista.
A revista faz a escolha da “economia do ano” pelo quinto ano consecutivo e os vencedores foram a Grécia em 2022 e 2023, a Espanha em 2024 e agora Portugal, o que não deixa de ser estranho, até porque dessa lista fazem parte, entre outros, o Canadá, a Noruega, a Suécia, o Reino Unido, a Áustria e a Nova Zelândia. A escolha de Portugal que a revista considera as sweet as a pastel de nata, baseia-se nos indicadores indicados e nos efeitos do turismo e na fixação de estrangeiros devido à baixa fiscalidade. Portugal será mesmo a economia do ano de 2025? Os meus olhos dizem que não... enquanto The Economist diz que sim.
A mesma revista inclui uma reportagem sobre Europe’s Populist Right – Can they be stopped?, tendo escolhido para ilustrar a capa desta edição uma montagem fotográfica com as imagens de alguns dos principais símbolos da direita populista europeia, tais como Jordan Bardella, Nigel Farage, Marine Le Pen, Giorgia Meloni e Alice Weidel.

sábado, 1 de novembro de 2025

jtm: 43 anos em prol da Língua Portuguesa

A mais recente edição do jtm – Jornal Tribuna de Macau anuncia, com grande destaque na primeira página, a passagem do seu 43º aniversário, isto é, de “43 anos em prol de Macau e da Língua Portuguesa”. Esse desígnio distingue-o da generalidade dos jornais que no estrangeiro se publicam em português, pois nenhum outro jornal da diáspora portuguesa, ou dos países de língua oficial portuguesa, se apresenta como defensor da língua portuguesa.
O Jornal Tribuna de Macau é um dos três diários em língua portuguesa da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China, tendo aparecido nas bancas pela primeira vez no dia 28 de Outubro de 1982 com o título Jornal de Macau, ainda no tempo em que o território estava sob soberania portuguesa.
Entretanto, já passaram cerca de 26 anos desde “o regresso de Macau à China” e o jornal continua a ser um farol da língua portuguesa no território.
O jornal é considerado um diário, embora não se publique aos sábados, domingos e feriados, imprimindo habitualmente 16 páginas. A sua última edição tem o número 7275, o que bem atesta o serviço que o jornal tem prestado à língua e à cultura portuguesa nos seus 43 anos de vida.
Está de parabéns Sérgio Terra, o seu director e principal sócio.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

A escolha de 2025 da World Press Photo

O prémio de Fotografia do Ano da 68ª edição do concurso World Press Photo foi ontem atribuído em Amesterdão à imagem de um menino palestiniano de nove anos de idade que perdeu os dois braços durante um ataque aéreo israelita na Faixa de Gaza. O menino chama-se Mahmoud Ajjour e a imagem foi captada pela fotógrafa palestiniana Samar Abu Elouf e foi publicada pelo jornal The New York Times.
O concurso reconhece e celebra anualmente o melhor fotojornalismo do ano anterior, através da apreciação de um júri independente, depois das avaliações feitas em Janeiro e Fevereiro pelos júris regionais. Este ano o júri final escolheu 42 vencedores em várias categorias entre as 59.320 candidaturas de 3.778 fotojornalistas de 141 países.
No actual cenário político e mediático, a imagem escolhida como a Fotografia do Ano convida aqueles que a observam a pensar para além da rotina do ciclo noticioso, cada vez mais influenciado pela desinformação, pela manipulação e pelo poder dos grandes interesses. Por isso, a escolha feita pela World Press Photo é também um grito de alerta para o que se está a passar na Palestina, perante o silêncio e até a cumplicidade de muitos países, designadamente da União Europeia, mas também de muitos mass media.
Numa busca feita por algumas centenas de jornais mundiais, só encontramos a Fotografia do Ano distinguida na primeira página do jornal irlandês Irish Examiner e do jornal dinamarquês Politiken, a demonstrar como a causa palestiniana tem sido subalternizada pelo mundo, o que tem permitido as atrocidades que os israelitas continuam a fazer.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

A paz no mundo deve começar em nós…

Na altura da passagem do ano é costume fazerem-se balanços sobre o ano que findou e formularem-se votos para o novo ano, sendo frequente expressarem-se desejos de saúde, paz, harmonia, prosperidade e outras coisas boas. Os jornais não fogem a essa regra, pois fazem balanços do ano que findou e relatam as festas do fim do ano, mostrando as imagens do fogo-de-artifício em Sydney, em Kuala Lumpur, no Dubai e em muitos outros locais do mundo.
Na sua primeira edição do novo ano de 2025, para além das imagens do fogo-de-artifício, a generalidade dos jornais internacionais noticiou o atentado terrorista de New Orleans, tentou perspectivar o que vai ser a presidência de Donald Trump nos Estados Unidos, divagou sobre o futuro das guerras na Europa Oriental e no Médio Oriente e, poucas vezes, tratou a paz com o devido destaque.
O Correio Brasiliense, o principal jornal de Brasília, foi uma singular excepção, ao publicar uma pomba da paz na sua primeira página e ao escolher para manchete a frase “A paz deve começar em nós…” e, acrescentando depois, “… Não importa qual a sua fé, o que importa é a vontade de lutar para um mundo melhor, essa é a mensagem de religiosos de vários credos ouvidos pelo Correio aos brasilienses. Devemos sempre manter a capacidade de largar o ódio, pois essa pode ser a única maneira de pacificar nosso planeta. É preciso recomeçar. Afinal, o caminho da vida é o da liberdade e da beleza… Feliz 2025!”
Esta mensagem que diz que a paz deve começar em nós e que é preciso recomeçar, apelando à paz e ao fim do ódio, bem precisava de chegar aos ouvidos de meia dúzia de dirigentes mundiais, mas também aos dirigentes menores que continuam a incitar ao ódio, mas também àqueles que, nomeadamente na Europa, se calam e que, por isso, consentem.

sábado, 2 de novembro de 2024

Cultura e tradição lusitana na Califórnia

houve um desfile, uma tourada, apresentação de folclore, várias missas católicas, procissões e uma ampla oportunidade de partilhar a comida, a língua e a cultura da comunidade portuguesa, que é “muito poderosa” e que “vive escondida nas terras agrícolas da Califórnia” e, em especial, no seu Vale Central. Curiosamente, a reportagem é ilustrada com uma fotografia de uma tourada em que intervém o matador mexicano Israel Tellez, embora o texto também refira a actuação de um grupo de forcados.
Na actual conjuntura política americana, os votos da comunidade portuguesa da Califórnia valem muito – são um pouco mais de 350 mil portugueses e lusodescendentes, de acordo com o censo dos Estados Unidos de 2020. Por isso, os deputados John Duarte, David Valadao e Jim Costa não faltam às festas portuguesas e recordam ao povo as suas raízes familiares lusitanas, sobretudo açorianas,

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

A 1ª medalha olímpica chegou a Portugal

Ao sétimo dia das provas olímpicas em Paris, os portugueses tiveram a alegria de ver uma atleta portuguesa ser medalhada, pois Patrícia Sampaio conseguiu o terceiro lugar e a correspondente medalha de bronze na prova de judo feminino para menos de 78 quilogramas. 
Não foi a estreia olímpica de Patrícia Tavares que em 2021 participou nas Olimpíadas de Tóquio 2020, onde chegou aos oitavos de final.Muitos portugueses, provavelmente já desesperavam por ver o nome do nosso país no medalheiro olímpico, pelo que este sucesso inesperado de Patrícia Sampaio, que correspondeu à 29ª medalha olímpica conquistada por portugueses em todas as suas participações olímpicas, veio dar algum ânimo aos desportistas portugueses.
Ontem tínhamos criticado a indiferença noticiosa da comunicação social portuguesa relativamente ao brilhante desempenho dos nossos triatletas Vasco Vilaça e Ricardo Baptista que se classificaram em 5º e 6º lugares na prova do triatlo, bem como de outros atletas como o ciclista Nelson Oliveira que obteve o 7º lugar na prova de contrarelógio, ou a atiradora Inês Baptista que conseguiu o 8º lugar na prova de tiro com arco.
O facto é que nas suas edições de hoje, a generalidade da imprensa portuguesa destacou em primeira página, o feito e a foto de Patrícia Sampaio, incluindo os jornais Público e Diário de Notícias, o que aqui vivamente saudamos, embora o apreço pelos atletas não tenha necessariamente de ser expresso apenas quando ganham medalhas.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Todo ambicionam medalhas olímpicas

Ao fim de cinco dias de provas olímpicas, as imprensas nacionais vão glorificando os seus atletas com noticiários e títulos que procuram ser mobilizadores para eles, para os seus patrocinadores e para os seus públicos. É assim em toda a parte.
Ontem o jornal francês Le Parisien escrevia que “les Bleus sont chauds”, enquanto o espanhol Marca anunciava que “España ruge”, o italiano La Stampa escrevia “Regina di spada”, o New York Post escolhia como título “Golden girls” e o Correio Braziliense escrevia apenas “Gigantes”. Neste contexto informativo excessivamente desportivo e demasiado laudatório, o noticiário sobre o que se passa na Venezuela, na Ucrânia, em Gaza ou no Líbano, torna-se absolutamente marginal, embora as diferentes situações continuem a ser preocupantes.
O facto é que as competições da 33ª Olimpíada vão decorrendo como se o mundo vivesse tempos gloriosos de paz e de concórdia, enquanto Emmanuel Macron vai aproveitando esta anestesia que está a acalmar os franceses, para se recompor dos seus desaires políticos.
A França tem estado à altura deste grande desafio e, enquanto país organizador, tem tido assinalável sucesso desportivo. O medalheiro deste episódio olímpico designado como Paris 2024 vai sendo preenchido e, nesta altura, já há 40 países que ganharam medalhas, dos quais 21 ganharam medalhas de ouro. Todos ambicionam medalhas olímpicas, mas a China, a Austrália e o Japão já estão na frente, enquanto os portugueses ainda esperam com alguma impaciência para ver a sua bandeira ser hasteada no mastro do pódio olímpico e ouvir A Portuguesa.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

España reina en Europa y Alcaraz también

A Espanha vive horas de grande euforia porque a sua selecção nacional de futebol – la roja – ganhou o Euro 2024, somando sete indiscutíveis vitórias em sete jogos. Ontem bateu a selecção da Inglaterra, depois de, sucessivamente, ter derrotado as selecções da Croácia, da Albânia, da Itália, da Geórgia, da Alemanha e da França. O triunfo espanhol resultou do valor dos seus jogadores e da coesão da equipa, não assentou em quaisquer polémicas e tem o aplauso unânime da crítica internacional.
Toda a imprensa espanhola alinha na enorme onda de entusiasmo que inunda o país, quase esquecendo o brilhantismo da vitória de Carlos Alcaraz sobre Novak Djokovic no Torneio de Wimbledon, enquanto a imprensa internacional centra a sua atenção na tentativa de assassinato de Donald Trump, um caso de violência política que que está a perturbar a América e a preocupar o mundo.
Porém, justificando os seus créditos como jornal de referência internacional, a edição de hoje do jornal El País destaca em primeira página esses três acontecimentos importantes para a Espanha, mas também para o mundo, com os seguintes títulos: “España reina en Europa”, “Alcaraz abre outra era en Wimbledon” e “el intento de asesinato a Trump sacude EE UU en plena campaña”. O jornal mostra como é possível identificar os assuntos que são notícia e informar com rigor, sem alinhar em sensacionalismos, nem em distorções com objectivos “cirúrgicos”, nem nas práticas cada vez mais comuns de desinformação.
Hoje, no meio do turbilhão de louvores e de discursos, por vezes demasiado exaltados e desproporcionados que toda a imprensa espanhola presta à la roja, o El País dá um exemplo de bom jornalismo. 

domingo, 26 de maio de 2024

Portugueses em destaque lá por fora

No 77º Festival de Cinema de Cannes que ontem terminou, o cinema portuguès esteve em destaque pois o cineasta Miguel Gomes ganhou o Prémio de Melhor Realização com o filme “Grand Tour” e, outro cineasta de nome Daniel Soares, recebeu uma menção honrosa pela curta-metragem “Mau por um Momento”. A Palma de Ouro, o mais alto galardão do festival, foi atribuido ao filme “Anora” do americano Sean Baker. 
Não é costume que o cinema português seja premiado internacionalmente e, por isso, a comunicação social tratou de elogiar os premiados, coisa a que me associo. Acontece até que os jornais de referência como o Diário de Notícias, mas também o Público, publicaram uma fotografia a cinco colunas do premiado Miguel Gomes na primeira página das suas edições de hoje. Certamente são critérios editoriais respeitáveis, mas que são difíceis de atender.
Enquanto arte, negócio ou actividade comercial, o cinema é importante, mas também são importantes outras áreas em que os portugueses ontem brilharam e aqueles jornais não lhes deram semelhante destaque. Foi o caso de Bruno Fernandes e Diogo Dallot que venceram a Taça de Inglaterra a jogar futebol pelo Manchester United, mas também de Vitinha e de Nuno Mendes que ganharam a Taça de França a alinhar pelo Paris Saint-Germain. Também na canoagem houve ontem brilho português, pois Fernando Pimenta conquistou a medalha de ouro na prova de K1 500 metros da Taça do Mundo disputada em Poznan, na Polónia. Não sei se na Política Internacional, na Arte ou na Ciência se destacaram ontem outros cidadãos portugueses, mas o Miguel Soares (e os seus patrocinadores) que me desculpem, mas o destaque que os jornais de referência hoje lhe deram é desproporcionado.
Vá-se lá saber porquê…

sexta-feira, 26 de abril de 2024

25 de Abril sempre!

O semanário Expresso adquiriu um estatuto de jornal de investigação, de objectividade noticiosa e de não alinhamento partidário, que lhe conferem uma singular posição de prestígio no panorama da imprensa portuguesa. Nascido há mais de 51 anos, o seu grafismo foi sempre muito discreto e nunca apostou em grandes manchetes, nem sequer no sensacionalismo com que muitas vezes se enganam os leitores. Porém, na edição de ontem que dedicou aos 50 anos do 25 de Abril, o semanário parece ter sido seduzido pelo entusiasmo popular e pelos cravos vermelhos que regressaram às ruas portuguesas, utilizando uma ilustração que representa a alegria do povo e um advérbio de tempo que aparece muitas vezes associado ao 25 de Abril: sempre.
Até parece que o Expresso só agora aderiu aos ideiais do 25 de Abril, o que obviamente não é verdade. Numa altura em que há sérias preocupações quanto ao futuro, tanto lá fora como por cá, os portugueses regressaram às grandes manifestações populares e mostraram como estão alinhados com os ideais da Liberdade e da Democracia, podendo afirmar-se com segurança, que ressuscitaram a força mobilizadora, as esperanças e o entusiasmo do 25 de Abril, voltando a cantar as canções de José Afonso. A simbólica manifestação que em Lisboa costuma descer a avenida da Liberdade, juntou muitos milhares de pessoas, um verdadeiro mar de gente como já não se via desde há muitos anos. Como diria Chico Buarque, “foi bonita a festa pá, fiquei contente”.
A imprensa portuguesa, bem como alguma imprensa estrangeira, associaram-se a esta efeméride e destacaram os progressos sociais proporcionados aos portugueses pelas “portas que Abril abriu”, lembrando que a revolução portuguesa também inspirou a democratização em Espanha, na Grécia e em vários países da América Latina, para além de ter permitido o fim da guerra colonial e a independência dos novos países de língua oficial portuguesa.
Tal como o Expresso escreveu na sua edição de ontem, também aqui deixamos a nossa mensagem: 25 de Abril sempre!

segunda-feira, 22 de abril de 2024

A imprensa e a evocação do 25 de Abril

Estão a comemorar-se cinquenta anos sobre o 25 de Abril de 1974 – o dia inicial, inteiro e limpo, como se lhe referiu Sofia de Melo Breyner – e, sem polémicas nem contestações, os portugueses estão a celebrar essa data histórica com entusiasmo.
Numa sondagem publicada na última edição do semanário Expresso era revelado que 65% dos portugueses considerava o 25 de Abril o mais importante acontecimento da História de Portugal, enquanto 68% entendia que o modelo de comemoração oficial ainda faz sentido. De facto, um pouco por todo o país, em especial nas escolas, nas autarquias e nas associações cívicas, tanto o Estado como a sociedade civil têm vindo a celebrar a reconquista da Liberdade e da Democracia por diferentes formas, sobretudo exposições, conferências, colóquios, torneios desportivos e festas populares.
A comunicação social tem-se associado a esta histórica celebração com edições especiais, nas quais se fazem balanços, se evocam episódios mais ou menos conhecidos, se republicam fotografias históricas e se destaca o papel de alguns protagonistas como Salgueiro Maia, Otelo Saraiva de Carvalho ou Vasco Lourenço. Porém, a edição especial do Jornal de Letras, Artes e Ideias ou, simplesmente JL, dirigida pelo histórico José Carlos de Vasconcelos, difere da generalidade das outras edições especiais, ao focar-se na análise dos 50 anos de Liberdade e Democracia através de textos subscritos por diversos intelectuais de referência. É frequente que, por motivos comerciais, algumas edições especiais usem a frase “esta é uma edição para guardar”, mas não é o caso do JL, embora tivesse todo o sentido que essa recomendação fosse feita. É mesmo uma edição para ler e guardar!

sábado, 20 de janeiro de 2024

Golos com os pés e... golos com as mãos

A selecção nacional de andebol está a disputar o Men’s EHF Euro 2004 Handball, ou Campeonato da Europa de Andebol Masculino, que está a decorrer em várias cidades da Alemanha. Na fase preliminar a equipa portuguesa derrotou a Grécia por 31-24 e a República Checa por 30-27, tendo perdido com a Dinamarca. Foi uma das doze equipas que passou à main round e, nesta fase, começou por bater a Noruega por 37-32, tendo ontem derrotado a equipa da Eslovénia por 33-30. Ainda vai defrontar a Suécia e os Países Baixos, mas está bem colocada para atingir as finais a disputar em Colónia e com boas possibilidades para se apurar para os Jogos Olímpicos de Paris, o que seria um feito inédito.
Os jogos da selecção nacional têm sido transmitidos pela RTP2 e têm constituído excelentes espectáculos televisivos, para além de suscitarem o entusiasmo dos adeptos desportivos, porque não é habitual que o nosso desporto tenha tão boas prestações internacionais.
Depois da excelência da exibição de ontem frente à Eslovénia, à qual a selecção nacional não ganhava há treze anos, fiquei na expectativa de ver essa tão invulgar notícia desportiva plasmada na nossa imprensa generalista e, em especial, na imprensa desportiva. Puro engano. Só os jornais desportivos fazem uma discreta referência de primeira página ao resultado do jogo com a Eslovénia. No caso do jornal A Bola, que se afirma “jornal de todos os desportos”, todo o destaque vai para um jogador argentino e outro brasileiro que marcaram os golos com que o Benfica ganhou ao Boavista, mas os seus concorrentes seguem o mesmo caminho nas suas linhas editoriais.
Alguém imaginava que um jogo de futebol entre o Benfica e o Boavista pudesse merecer mais destaque noticioso que uma brilhante vitória num jogo de andebol entre Portugal e a Eslovénia? Será que os golos com os pés valem mais do que os golos com as mãos?
Os jornais e os jornalistas são mesmo um mundo muito estranho!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Ano Novo e as iluminações do Burj Khalifa

Hoje é o primeiro dia do novo ano de 2024 e muitos jornais publicaram fotografias dos fogos-de-artifício que iluminaram algumas das grandes cidades mundiais. Era habitual que a entrada no novo ano fosse ilustrada na imprensa com a fotografia da Harbour Bridge, na cidade australiana de Sydney, mas nos anos mais recentes são as iluminações e os fogos-de-artifício do Burj Khalifa, o mais alto edifício do mundo, situado na cidade do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), que desperta mais interesse da imprensa internacional que acompanha as notícias relativas às passagens de ano.
O Burj Khalifa tem 829,8 metros de altura, 163 andares e é servido por 58 elevadores, alguns dos quais percorrem 504 metros. Foi projectado por Skidmore, Owings e Merrill (SOM), uma empresa de engenharia e arquitectura americana com sede em Chicago, tendo sido construído entre 2004 e 2010 pela empresa sul-coreana Samsung C&T.
As autoridades dos EAU utilizam o Burj Khalifa como factor de promoção da modernidade deste riquíssimo país, que é uma confederação de sete monarquias ou emirados, anunciando que suporta a maior exibição de fogo-de-artifício do mundo.
O jornal The National que se publica na cidade de Abu Dabi, a capital e segunda maior cidade dos EAU, destaca na sua edição de hoje uma fotografia das iluminações do Burj Khalifa, mas também salienta, com destaque de primeira página, a necessidade de “um novo esforço para uma trégua duradoura na guerra de Gaza”.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Merry Christmas ou, antes, um Feliz Natal

Hoje é dia de Natal e, como escreveu o poeta António Gedeão, é o dia de ser bom e é o dia de pensar nos outros. Hoje é dia de Natal e, como também escreveu o poeta António Gedeão, é dia de Amor, de Paz, de Felicidade, de Sonhos e de Venturas.
Para a Cristandade é um dia de grande festa religiosa, com os seus múltiplos símbolos como o presépio, a “missa do galo”, a ceia de Natal, as músicas natalícia e os cumprimentos de “Boas Festas”, mas a sociedade de consumo cristã ou não cristã, adoptou o Natal como a grande festa do consumo, da troca de presentes, das grandes festas profanas, da árvore da Natal e das iluminações públicas e, sobretudo, dessa invenção comercial e sem enquadramento histórico que é o Pai Natal, viajando desde a Lapónia num trenó rebocado por uma rena, fazendo a distribuição de presentes às crianças.
O impacto comercial do Natal é cada vez maior e a imprensa, que faz a intermediação entre os produtos e os consumidores, designadamente através da Publicidade e das suas sugestivas técnicas, tem um papel importante nesta onda consumista natalícia, através de mensagens, umas directas e outras subliminares. Assim devem ser interpretadas algumas manchetes apresentadas por jornais, sobretudo americanos, como acontece na edição de hoje do The Standard-Times, que se publica na cidade de New Bedford, no estado de Massachusetts, que ao desejar um Feliz Natal aos seus leitores, está subliminarmente a mobilizá-los para a ideia do consumo e não para os valores intrínsecos do Natal.Apesar disso, o Natal ainda é um tempo de reflexão, em que se pensa na paz no mundo e na solidariedade entre os homens e as nações, para que não haja sofrimento, nem fome, nem destruição.
Naturalmente, são muitos os que desejam o fim das guerras na Ucrânia e em Gaza, que tanto sofrimento e tanta dor causam, perante a indiferença ou a cumplicidade de tantos dirigentes políticos mundiais.
Finalmente, no Natal cumprimentam-se os amigos e deseja-se que tenham saúde e sucesso nas suas vidas. É essa a mensagem que aqui fica para os leitores deste texto.