Nas teorias da comunicação surgidas no
século XX para conhecer os efeitos sociais dos novos meios de comunicação -
rádio e da televisão – é sempre destacada a célebre emissão radiofónica da CBS conduzida
em 1938 por Orson
Welles, baseada em “A Guerra dos Mundos”.
Esse programa “transmitiu em directo”
uma invasão devastadora de marcianos que atacaram Nova Iorque e outras cidades
americanas. O pânico foi generalizado, os nova-iorquinos ficaram aterrorizados
e essa histórica emissão passou a ser um paradigma dos efeitos sociais dos mass media. Quase cem anos depois, um
palerma chamado Mark Rutte, que é o secretário-geral da NATO, veio usar a mesma
ideia para criar o pânico e para nos dizer que o perigo são os russos e não são
os marcianos.
Conforme noticia o jornal The
Independent, o palerma disse que “a Rússia poderar atacar a NATO dentro
de cinco anos” e voltou a adirmar que “as despesas militares devem aumentar
rapidamente para que as nossas forças armadas disponham dos meios de que
necessitam para nos manter seguros”. Há poucos meses, em directo pela
televisão, o palerma sabujou-se de uma forma ridícula e indigna ao presidente
do Estados Unidos, ao atribuir-lhe “todo o mérito” por levar os membros da NATO
a aumentar as despesas militares para 5% do PIB e dizer-lhe que a Europa iria
comprar e pagar material americano.
Donald Trump é um homem de negócios e, segundo afirmam os jornais, já
acrescentou a sua fortuna em milhares de milhões desde que chegou à presidência
dos Estados Unidos. Tudo lhe serve para ganhar dinheiro – bonés e perfumes,
jantares e hotéis e, naturalmente, mísseis, drones e aviões.
O palerma do Mark Rutte é o seu lacaio favorito e o seu agente de
negócios junto dos países da NATO. Por isso, para ser eficaz no marketing dos interesses do seu patrão, recorre
à imaginação de Orson Welles e ameaça com o perigo russo, tal como acontecia
nos anos mais tensos da Guerra Fria.
