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terça-feira, 21 de julho de 2026

Os faróis e a nossa herança marítima

No passado domingo, em que todas as atenções se concentravam no futebol e na final do Mundial, o jornal Açoriano Oriental, que se publica na cidade de Ponta Delgada e que no seu cabeçalho afirma ser “o mais antigo jornal português fundado em 1835 por Manuel António de Vasconcelos", dedicou uma “grande reportagem” aos faróis açorianos que “continuam a orientar quem navega pelo Atlântico”. 
Para ilustrar a sua primeira página, foi escolhida uma fotografia do belíssimo farol do Arnel, localizado na ponta nordeste da ilha de S. Miguel e que está em funcionamento desde 1876. Depois, a reportagem reparte-se por três páginas e assenta em duas entrevistas feitas a Rui Melo e Mário Riscado, dois dos 31 faroleiros que asseguram a operação e a manutenção dos faróis do arquipélago dos Açores e que, nesta reportagem, explicam a especificidade técnica da sua profissão e transmitem ao leitor uma exemplar postura de dedicação a este serviço público.
A reportagem é muito esclarecedora quanto à importância dos faróis, pela confiança que transmitem aos navegantes apesar das modernas ajudas à navegação em que se destaca o Global Positioning System, vulgarmente conhecido como GPS, mas também pelo seu enquadramento na paisagem marítima.
Na Ode Marítima, um dos mais conhecidos e inspirados poemas de Fernando Pessoa sob o heterónimo de Álvaro de Campos, o poeta evoca “o olhar humanitário dos faróis na distância da noite” e, de facto, sobretudo em condições meteorológicas adversas, os faróis são um sinal de hospitalidade para a comunidade marítima e para aqueles que se aproximam de terra, depois de horas ou dias de muito desconforto e de perigo.
Os faróis são, portanto, indispensáveis à navegação, mas também são uma memória histórica e um elemento patrimonial único da paisagem marítima.
Aqui deixo expressa a minha gratidão e o meu aplauso aos faróis e aos faroleiros, Que sejam mantidos e protegidos em nome da nossa herança cultural marítima.

domingo, 12 de julho de 2026

Boston acolheu “desfile naval do século”

O estado de Massachusetts e a sua capital que é a cidade de Boston, estão a celebrar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos de forma entusiástica, conforme se pode ler na edição de hoje do jornal Boston Herald e na generalidade da imprensa da cidade.
Massachusetts foi a segunda colónia britânica mais antiga da América, depois da Virginia, tendo sido uma das treze colónias que em 1775 se revoltaram contra o poder colonial britânico. No seu território aconteceram as primeiras batalhas da guerra da independência, que a tradição história conserva como uma marca cultural daquela cidade, daquele estado e de toda a região da Nova Inglaterra.
Por isso, a comemoração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos foi organizada nesta cidade com especial cuidado e foi possível juntar na cidade muitos dos grandes veleiros históricos provenientes de mais de vinte países para participarem no desfile naval comemorativo, que aconteceu ontem no porto de Boston e nas festividades incluídas no Sail Boston 2026, que decorrerão até ao dia 16. No desfile naval participaram mais de sessenta navios que, durante cerca de seis horas, desfilaram tendo como guia a barca americana Eagle, sempre acompanhados por muitas dezenas de pequenas embarcações, sob a admiração e o aplauso de muitos milhares de espectadores. No desfile incorporaram-se, entre outros veleiros, o Americo Vespuci, o Dar Mlodziezy, o Esmeralda, o Gloria, o Gorch Fock, o Libertad e a famosa barca portuguesa Sagres, mas também os históricos May Flower II e Constitution. Segundo foi referido com assinalável exagero, foi o sail of the century, ou o “desfile do século”.
As festividades continuaram com um espectáculo pirotécnico e continuarão nos próximos dias com actividades dedicadas às tripulações dos navios.

sábado, 14 de março de 2026

O Irão, o Donald e as lições de Sun Tzu

Há cerca de 25 séculos o grande sábio chinês Sun Tzu escreveu A Arte da Guerra, provavelmente um dos mais importantes tratados militares e estratégicos que alguma vez foi escrito e, logo no início, afirma: “Toda a guerra é baseada no engano”.
Esta lição de Sun Tzu aplica-se ipsis verbis ao conflito no Irão porque se trata de um engano, de um caso de infoxicação, ou de uma situação de pós-verdade, um conceito aparecido em 1992, segundo o qual a verdade é irrelevante e a mentira prevalece como axioma indiscutível.
Donald Trump parece ser um perito no discurso pós-verdade porque mente descaradamente todos os dias e há quem o aplauda, inclusive na Europa, cujos dirigentes ele não desiste de humilhar. Porém, não se sabe o que realmente se passa no terreno porque as notícias são filtradas pelas propagandas de ambos os lados, que continuam a ameaçar-se mutuamente. Embora o Donald afirme diariamente que o Irão está derrotado e destruído, o facto é que o tráfego marítimo no estreito de Ormuz está cortado e que 16 navios já foram atingidos nas margens do golfo Pérsico, no estreito de Ormuz e até no mar de Omã, como mostra um mapa publicado na primeira página da edição de hoje do jornal The New Tork Times.
Anunciou-se que a guerra duraria uns dias, mas já vai em duas semanas…
Recorrendo ainda a Sun Tzu, ele afirma que a arte da guerra depende de vários factores, incluindo o comandante que, neste caso é, Donald Trump, tendo escrito: “O comandante deverá ter as virtudes da sabedoria, honestidade, benevolência, coragem e rigor”.
Como todo o mundo já viu, o comandante americano não possui nenhuma das virtudes apontadas por Sun Tzu e, por isso, Donald Trump vai perder porque, como disse o sábio chinês, “manter um exército fora do seu país leva ao empobrecimento do povo” e os americanos não aceitam isso. Já no Vietnam e no Afeganistão foi assim.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

França vai mostrar mais músculo em 2038

A França é o maior país da União Europeia em área e o terceiro maior do continente europeu, só superado pela Rússia e pela Ucrânia, sendo também a segunda maior economia da União Europeia e a sétima do mundo, destacando-se nos sectores da agricultura, aeroespacial, moda e turismo. O país costuma ser considerado o berço da moderna cultura europeia e a cidade de Paris continua a ser a classificada como a Cidade-Luz, pelo seu património, pela sua história e pelo seu luxo, daí resultando que os quase 70 milhões de franceses continuem com o seu chauvinismo de origem napoleónica, ou com um exagerado nacionalismo, considerando-se superiores aos outros europeus.
Porém, a França acumulou muitas derrotas nos últimos dois séculos nas suas guerras com os ingleses, os russos, os alemães, os vietnamitas, os argelinos e outros, mas através de Emmanuel Macron – que não tem o prestígio de Charles de Gaulle, nem de François Mitterrand – tudo faz para ter um estatuto de liderança europeia, o que os alemães e os ingleses não lhe facilitam.
No actual contexto mundial de quase-guerra-fria, o presidente Emmanuel Macron afirmou que “nesta era de predadores precisamos de ser fortes para sermos temidos” e tomou a decisão de mandar construir um porta-aviões “para a França mostrar os seus músculos” e para substituir o porta-aviões Charles de Gaulle, que está ao serviço desde 1994. O novo porta-aviões estará pronto em 2038 e custará 10 mil milhões de euros, o que está a causar muita controvérsia, segundo anuncia a edição de hoje do jornal La Dépêche du Midi.

sábado, 8 de novembro de 2025

A China aprontou um novo porta-aviões

A República Popular da China anunciou que o novo porta-aviões Fujian entrou ao serviço e a notícia apareceu na edição de hoje do jornal South China Morning Post, um jornal em língua inglesa de Hong Kong. 
Esse facto ocorreu esta semana no porto de Sanya, no sul da China, numa cerimónia a que assistiu Xi Jinping e, segundo tem sido salientado pelos especialistas, a entrada ao serviço do Fujian é um passo decisivo na modernização militar chinesa.
A China já dispunha dos porta-aviões Liaoning e Shandong, mas com o novo Fujian, que é dotado de propulsão convencional mas que se anuncia ter catapultas electromagnéticas, é um avanço tecnológico importante e “um marco sem precedentes na história da tecnologia de catapultas de porta-aviões”.
A incorporação do Fujian na Marinha do Exército de Libertação Popular simboliza o amadurecimento industrial e militar da China. Com este novo porta-aviões, a China consolida a sua posição entre as maiores potências navais do mundo, ao lado dos Estados Unidos, que também possuem uma dezena de porta-aviões com catapultas eletromagnéticas. 
Porém, mais do que um avanço tecnológico, o Fujian reflecte a ambição chinesa de projetar poder marítimo e proteger os seus interesses estratégicos globais, embora o faça sempre com um discurso de “defesa nacional e de manutenção da estabilidade regional”, conforme repetem as autoridades do país. 
Naturalmente, a questão de Taiwan e o seu regresso à mãe-pátria continua a ser uma questão de soberania nacional para a República Popular da China e, sobretudo,  esse problema foi decisivo para que se equipasse com porta-aviões.

Uma réplica resgata a cultura marítima

Toda a imprensa basca de hoje, incluindo o diário El Correo, deu grande destaque ao lançamento à água da nau San Juan, uma réplica de um navio-baleeiro do século XVI com o mesmo nome, que foi construída pelo Albaola Itsas Kultur Faktoria, um museu-estaleiro localizado em Pasaia, na província de Gipuzkoa do País Basco, próximo da fronteira franco-espanhola.
Esse navio-baleeiro naufragara em 1565 nas costas atlânticas do Canadá e em 1985 foi tema de uma reportagem no National Geographic Magazine. A partir daí, com o entusiasmo de um carpinteiro naval basco, nasceu o projecto de recuperação da história marítima basca e dos seus navios-baleeiros.
Os destroços do San Juan foram localizados em Red Bay, na costa sueste da península do Labrador, graças às pesquisas realizadas pela historiadora Selma Huxley e pelos Serviços Arqueológicos Subaquáticos do Canadá, que catalogaram os milhares de peças que permitiram definir com precisão o casco e as técnicas de construção do século XVI, tornando este achado numa referência internacional da arqueologia subaquática.
Com as informações recebidas do Canadá, o Albaola Itsas Kultur Faktoria e o seu animador Xabier Agote iniciaram a construção da réplica científica do San Juan, que teve o apoio da UNESCO e demorou cerca de 12 anos. Nos próximos meses, o San Juan passará a ser um navio-museu visitável. 
Como foi afirmado na cerimónia da botadura “no es solo la reconstrucción de um barco histórico, sino la espresión del esfuerzo colectivo de una comunidad. Mediante esta iniciativa, Pasaia demuestra una vez más que un pueblo pequeño, desde sus raíces y la fuerza de su gente, puede proyectarse al mundo”.

domingo, 13 de julho de 2025

A memória de Elcano regressou à Corunha

A edição de hoje do jornal El Ideal Gallego que se publica na cidade da Corunha desde 1917, insere uma bela fotografia a toda a largura da sua primeira página, na qual se vê o navio-escola Juan Sebastián de Elcano a aproximar-se da Torre de Hércules, o histórico farol que se encontra à entrada do porto.
A Torre de Hércules foi construída pelos Romanos no século I d.C. sobre um rochedo de 57 metros de altitude e tem 55 metros de altura, dos quais 34 correspondem à construção romana e 21 metros foram acrescentados quando a torre foi restaurada no século XVIII. No ano de 2009 a Torre de Hércules foi inscrita pela UNESCO na sua Lista do Património Mundial.
O jornal destaca em título que “Elcano” regressou à Corunha, numa dupla alusão à visita do veleiro e às celebrações do 5º centenário da partida da expedição de Garcia Jofre de Loaysa para as Molucas, a que os espanhóis então chamavam islas del Poniente, na qual tomou parte o experiente Juan Sebastián de Elcano. 
A expedição de Loaysa largou da Corunha e foi a primeira que o Imperador Carlos V enviou às Molucas, depois de Fernão de Magalhães ter descoberto em 1519, o estreito que liga o Atlântico ao Pacífico. Nessa expedição, que partiu da Corunha no dia 15 de julho de 1525, participaram sete navios, mas só um chegou ao seu destino e, tanto Elcano como Loaysa, morreram antes de chegar às Molucas.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Ainda o acidente do veleiro “Cuauhtémoc”

O jornal nova-iorquino Daily News dedicou toda a sua primeira página da edição do dia 19 de maio à “tragedy of tall ship”, mas hoje voltou a destacar o estranho acidente ocorrido no porto de Nova Iorque com o navio-escola mexicano Cuauhtémoc, ilustrando-o com uma fotografia onde se vêem os seus mastros partidos e as velas caidas.
O jornal afirma que as autoridades federais estão a investigar o “ship horror”, pois parece ter acontecido uma “tempestade perfeita” onde terão havido muitos erros humanos, de que resultou a morte de dois cadetes. O veleiro Cuauhtémoc largava do cais com os cadetes alinhados nos mastros a fazer as tradicionais saudações de largada do porto, sendo auxiliado nessa manobra por um velho rebocador, sem que lhe passasse um cabo de reboque e limitando-se a poder empurrá-lo, se fosse necessário. Porém, o rebocador era de pouca potência para aquela manobra e, a bordo, tanto o comandante como o piloto americano, não terão percebido a situação, talvez deslumbrados pelas luzes da Big Apple, ou pelas saudades que ficaram no cais.
A corrente arrastou o navio em direcção à Ponte de Brooklyn, sem que o comandante o detivesse com motores ou com âncoras. Os três mastros de 147 pés, iluminados e cheios de cadetes, embateram no tabuleiro inferior da ponte que está a 135 pés de altura e partiram-se. Houve dois cadetes mortos e duas dezenas de feridos, mas dizem as crónicas que foi uma sorte os mastros não terem caido ao rio com os cadetes. Entretanto. 172 cadetes já regressaram ao México, enquanto dois ainda estão hospitalizados. A viagem de instrução de cadetes ,terminou pois o navio vai ser repareado em Nova Iorque.
O porto de Nova Iorque gosta de receber os tall ships e este acidente suscitou muito interesse por parte da imprensa local.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Acidente raro com veleiro em Nova Iorque

Os grandes veleiros marcaram a história da navegação marítima do século XIX, quando o comércio se globalizou e a navegação à vela competia em velocidade e economicidade com a navegação a vapor, sobretudo nas grandes rotas oceânicas que ligavam a Ásia e a América à Europa. Alguns desses veleiros, como os tea clippers Cutty Sark e Thermopylae foram, porventura, os mais famosos tall ships desse tempo e a memória das suas corridas perdurou no tempo, pelo que o culto pelos veleiros se manteve até aos nossos dias nas nações marítimas. Alguns foram preservados e outros foram construídos de novo, como símbolos de uma era histórica, como património cultural ou como escola de formação náutica, suscitando sempre a admiração de quem os vê.
Assim sucede em Portugal (Sagres), na Espanha (Juan Sebastián de Elcano), Alemanha (Gorch Foch), na Itália (Americo Vespucci), no Chile (Esmeralda), nos Estados Unidos (Eagle) e no México (Cuauhtémoc), entre muitos outros.
No passado sábado o navio-escola mexicano Cuauhtémoc largava de Nova Iorque com rumo à Islândia com 277 tripulantes. Estava a manobrar no East River, no "east side" de Manhattan e nas proximidades da histórica Ponte do Brooklyn. Algo de anormal se passou que está a ser investigado, mas alguns filmes mostraram o navio com seguimento e aparentemente desgovernado a navegar em direcção à ponte. Um velho rebocador que auxiliava na manobra não terá sido eficaz e, a bordo, não se lembraram de fundear o navio. Eram cerca de 20.30 horas e já anoitecera. Os três mastros iluminados do veleiro (147 pés), embateram com estrondo no tabuleiro inferior da ponte (135 pés) e partiram-se. Havia tripulantes nos mastros e houve dois cadetes mortos e vinte tripulantes feridos, alguns com gravidade.
Os jornais mexicanos e nova-iorquinos destacaram este invulgar acontecimento, como fez o jornal La Jornada que se publica na Cidade do México e que escreveu: “choca buque de la Armada en Nueva York”.

quarta-feira, 26 de março de 2025

A eficiência na captura de um submarino

A notícia foi divulgada pela Polícia Judiciária e informava que um submarino vindo da América do Sul, que transportava cerca de sete toneladas de cocaína, tinha sido interceptado e capturado a sul do arquipélago dos Açores. Nunca tal tinha acontecido na Zona Económica Exclusiva portuguesa e, por isso e pela importante captura efectuada, esta acção vai ficar como um exemplo da eficiência portuguesa no combate ao tráfico de droga.
A acção que recebeu o nome de Operação Nautilus desenvolveu-se durante alguns dias com a cooperação da Marinha e da Força Aérea portuguesas, tendo sido o resultado de uma investigação em que cooperaram várias entidades ou agências portuguesas, espanholas, americanas e britânicas.
A Polícia Judiciária também informou que o submarino interceptado pertencia a uma organização criminosa e que havia cinco tripulantes a bordo, sendo três de nacionalidade brasileira, um espanhol e um colombiano, que foram detidos e transportados para Ponta Delgada a bordo de um navio da Marinha Portuguesa. O submarino foi rebocado e também já se encontra no porto de Ponta Delgada.
A imprensa portuguesa, tanto continental como açoriana, destacaram esta notícia, mas foi o jornal galego Diario de Pontevedra que publicou a mais esclarecedora fotografia deste submarino que, embora utilizado em acções criminosas, não deixa de admirar aqueles que andam, ou andaram no mar, pela ousadia de atravessar o Atlântico em tão precárias condições.
Naturalmente, também aqui se saúda a eficiência da Polícia Judiciária e a boa cooperação que lhe foi prestada nesta importante operação.

sábado, 22 de março de 2025

Os estragos da depressão Martinho

Durante vários dias desta semana a depressão Martinho perturbou a região ocidental da península Ibérica, em terra e no mar, tendo provocado vento muito forte, chuva intensa e forte ondulação. Metade do território continental português esteve sob aviso amarelo ou laranja, houve muitas inundações, foram derrubadas centenas de árvores, muitas infraestruturas e telhados foram danificados e houve cortes de estradas. As rajadas de vento ciclónico foram frequentes, tendo a mais forte que foi registada acontecido na serra de Monchique e atingido 158,9 km/hora. Os prejuízos foram enormes e as televisões mostraram muitas das perturbações e estragos que o Martinho causou.
Porém, a edição de hoje do jornal Faro de Vigo destaca uma fotografia em primeira página do porta-contentores MSC Houston V com a legenda “Martinho noquea a un gigante”. Este porta-contentores que está registado na ilha da Madeira e usa bandeira portuguesa, tem um comprimento de 267 metros, uma largura de 35 metros, uma arqueação bruta de 44.768 toneladas e uma capacidade para transportar 4.432 contentores. No passado dia 20, o navio dirigia-se do Pireu para Liverpool e navegava ao largo da costa portuguesa, nas proximidades do cabo de S. Vicente, quando foi “visitado” pelo Martinho e por ventos da ordem dos 100 km/hora, que deixaram marcas.
Pelo menos 15 contentores caíram ao mar, enquanto muitos dos que permaneceram a bordo colapsaram para estibordo, perto da popa, conforme mostra a fotografia publicada. O navio procurou abrigo em Vigo e foi aí que o Faro de Vigo colheu a sensacional fotografia que hoje publicou na sua primeira página.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Carlos III rejeita nome de novo submarino

Está em construção nos estaleiros ingleses de Barrow-in-Furness o sétimo submarino nuclear da classe Astute, que se destina à Royal Navy e que se espera entrar ao serviço em finais de 2026. A ordem para a construção desta última unidade da classe Astute foi dada em 2018 e em Maio desse ano foi iniciada a sua construção, mas o seu nome já foi alterado duas vezes, pois antes chamou-se Ajax e, depois, foi baptizado como Agincourt
Porém, como hoje informa o jornal Daily Express, o rei Carlos III interveio recentemente para anular o nome original do submarino, cujo nome tinha recebido luz verde da Rainha Isabel em 2018, pelo que o governo britânico anunciou que o submarino seria rebaptizado como HMS Achilles, supostamente para evitar ofender ou incomodar os franceses.
Agincourt ou Azincourt foi uma batalha decisiva travada no norte da França em 1415, durante a Guerra dos Cem Anos, na qual os ingleses de Henrique V bateram o exército francês que era numericamente muito superior. Os ingleses sempre deram um grande valor simbólico a esta vitória que na época humilhou a França, que era o seu maior rival, até porque o seu rei Henrique V terá comandado pessoalmente as suas tropas e terá participado em combates corpo-a-corpo.
Agincourt antecipou em cerca de 400 anos outra importante vitória inglesa sobre os franceses de Napoleão, acontecida em 1815 nos campos de Waterloo. Apesar do rei Carlos III ter sido criticado pelos Conservadores, o governo trabalhista de Keir Starmer atendeu aos seus pedidos em nome das relações de boa vizinhança com os franceses.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

A inquietação global e “le défi chinois”

O jornal Global Times é um tablóide publicado sob a orientação do Partido Comunista Chinês e que, no Ocidente, é considerado como um instrumento da propaganda chinesa. Na sua última edição, o jornal destaca a fotografia de uma força naval do Exército de Libertação Popular da China (Chinese People’s Liberation Army ou PLA), em que se destacam os porta-aviões Liaoning e Shandong.
Segundo refere o jornal, estas unidades encontraram-se em Outubro pela primeira vez num exercício de treino conjunto realizado no Mar Amarelo, no Mar da China Oriental e no Mar da China Meridional, salientando que “a capacidade de combate de um grupo de dois porta-aviões é maior do que a simples soma de dois porta-aviões”. A fotografia publicada mostra que a força naval incluia pelo menos 11 unidades navais de escolta, designadamente contratorpedeiros, fragatas e navios de reabastecimento, para além de caças multifuncionais Shenyang J-15 embarcados nos porta-aviões, que a fotografia mostra a voarem em formação sobre a força naval.
Na actual conjuntura mundial, em que a Ocidente e a Oriente se acumulam fricções e declarações que inquietam o mundo, com os Estados Unidos a viver sob uma grande incógnita eleitoral, com a Europa desunida e em contínua desagregação e com os BRICS a levantarem a sua voz a reclamar uma nova ordem mundial, esta “reportagem encomendada” do Global Times pretende mostrar ao mundo o crescente poderio militar da República Popular da China.
Em 1967 o jornalista francês Jean-Jacques Servan-Schreiber publicou o livro “Le défi américan”, que foi um best-seller desse tempo com milhões de exemplares vendidos. Se fosse vivo, 57 anos depois, talvez Servan-Schreiber escrevesse agora o ”Le défi chinois”…  

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

O treino das Marinhas latino-americanas

O diário chileno El Mercúrio que se publica em Santiago do Chile, destaca na sua última edição a realização do UNITAS LXV (65), um exercício naval multinacional que se enquadra nos propósitos do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, ou Tratado do Rio, um pacto de defesa mútua interamericano assinado em 1947 no Rio de Janeiro.
No exercício do corrente ano, que vai decorrer até 12 de setembro, participam 25 países, com 17 navios, dois submarinos, 20 aeronaves e mais de 4.000 marinheiros e fuzileiros navais e, entre os países participantes, estarão “delegaciones europeas y del Asia Pacifico”.
Diz a organização que o UNITAS é o exercício naval mais antigo do mundo, pois realiza-se anualmente desde 1960 sob a orientação operacional dos Estados Unidos e com a participação de várias Marinhas latino-americanas, com o objectivo de treinar, capacitar e estabelecer vínculos de confiança entre si. Nessa altura, o exercício destinava-se à preparação das Marinhas para fazer frente à ameaça soviética no contexto da Guerra Fria mas, com o tempo, os seus objectivos foram-se ampliando para novos aspectos da guerra no mar e para os novos cenários mundiais. A partir de 1999 o UNITAS passou a dividir-se em três fases que se realizam alternadamente no Atlântico, no Pacífico e nas Caraíbas. 
O exercício UNITAS LXV (65) vai decorrer na costa chilena do Pacífico e terá como bases os portos de Valparaíso e de Punta Arenas, no estreito de Magalhães.

sábado, 24 de agosto de 2024

Aste Nagusia, a grande festa de Bilbau

Estão a decorrer na cidade de Bilbau as Fiestas de Bilbao ou, utilizando a sua designaçáo em língua basca, a Aste Nagusia, que é o acontecimento cultural mais importante da cidade que se realiza anualmente.
As tradicionais festividades da cidade aconteciam no mês de agosto, mas com o fim do franquismo e o reconhecimento da identidade basca, a partir de 1978 foi criada a Aste Nagusia como uma importante celebração da cultura basca, das suas tradições e dos seus costumes, em que se estimulava a participação popular, mas também se divulgavam as actividades culturais de raíz basca.
As festividades são organizadas pelo Ayuntamiento de Bilbao e pelos Bilboko Konpartsak, que são grupos populares de voluntários organizados para apoiar a preparação das actividades. Diz a organização que “durante 9 dias, quienes se acercan a Bilbao pueden participar de cientos de actividades de todo o tipo: festivas, culturales, artisticas, deportivas”, das quais “más de 300 actividades programadas por el Ayuntamiento de Bilbao son gratuitas”, podendo destacar-se as dezenas de concertos de todos os tipos de música, as oito corridas de touros na Plaza de Toros de Vista Alegre e várias exposições, designadamente no Guggenheim Bilbao Museum.
Este ano, a Aste Nagusia teve uma novidade que foi assinalada na primeira página do jornal El Correo, com a visita, ou “o regresso a casa”, do navio-escola Guayas, uma barca da Marinha do Equador. Esta barca foi construída nos Astilleros Celaya de Erandio, na ria de Bilbao, os mesmos estaleiros que em 1967 construíram a barca colombiana Gloria e, em 1982, a barca mexicana Cuauhtemoc
O navio-escola Guayas deixara Bilbau em 1977 para a sua primeira viagem e, 47 anos depois, regressou ao porto onde foi construído para assistir à Aste Nagusia 2024.

sábado, 13 de julho de 2024

Brest 2024 Maritime Festival

O Brest 2024 Maritime Festival iniciou-se ontem, vai prolongar-se até ao dia 17 de julho e, como destaca na sua edição de hoje o jornal Le Télégramme, “les brestois pavoisent”, isto é, o povo de Brest exibe-se e mostra toda a sua vocação atlântica.
Brest é a cidade mais ocidental da França, localiza-se na Bretanha e é a sede do departamento da Finisterra. O mar e o Atlântico fazem parte da sua identidade cultural e, oito anos depois da sua última edição, está de volta o já famoso Festival Marítimo Internacional de Brest, agora na sua 8ª edição, reunindo “uma multidão de barcos de todo o mundo”, do passado e do presente, cuja presença mostra as diferentes formas pelas quais se navegou ao longo do processo histórico e como é diversa a herança cultural marítima dos povos.
Destaca-se a presença de alguns navios classificados como tall ships, provenientes de diversos países europeus, entre os quais se anuncia a presença do Santa Maria Manuela, um lugre de quatro mastros português. Porém, a organização tem insistido que o Festival Marítimo Internacional de Brest é muito mais do que um encontro de navios e embarcações, pois preparou um programa para todos os públicos que envolve música, dança, artes de rua, workshops, gastronomia, visitas a navios, desfiles e outras actividades dirigidas aos milhares de visitantes que a cidade e o porto de Brest vão receber.
Depois das frustrações futebolísticas que vieram fdo Euro2024 e das emoções políticas e eleitorais por que passaram nos últimos tempos, os bretões e o povo de Brest talvez se possam divertir.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

O novo e moderno porta-aviões chinês

A edição de hoje do jornal China Daily destaca com uma eloquente fotografia, o início dos primeiros testes de mar do novo porta-aviões da Marinha do Exército Popular de Libertação da China, que está a ser construído em Xangai, desde há seis anos. Trata-se do Fujian, o terceiro porta-aviões chinês, que desloca 80 mil toneladas e que se junta ao Shandong de 66 mil toneladas e ao Liaoning de 60 mil toneladas.
Logo que entre ao serviço, só a Marinha americana terá porta-aviões maiores que o Fujian. De acordo com a notícia, o novo porta-aviões chinês dispõe de um sistema de catapulta electromagnética semelhante ao do USS Gerald Ford, o único porta-aviões que até agora dispunha desse sistema, o que lhe permitirá operar aviões maiores e com maior capacidade de transporte. Com este novo navio e com as tecnologias que terá disponíveis, a China melhora enormemente a capacidade da sua Marinha, o que parece ser uma preocupação para os Estados Unidos, pelo seu impacto no que respeita ao domínio do mar da China e, sobretudo, em relação à questão de Taiwan.
Porém, o crescimento da Marinha chinesa não é uma novidade, pois nesta altura já é a maior força naval do mundo com mais de 340 navios de guerra e com uma produção a “um ritmo frenético” de novos navios em estaleiros chineses. Relativamente aos porta-aviões, desde 1985 que a China decidiu estudá-los para que a sua indústria os pudesse projectar e construir, tendo para esse efeito comprado quatro porta-aviões que estavam fora de serviço, sendo um australiano (HMAS Melbourne) e três utilizados pela ex-União Soviética (Minsk, Kiev e Varyag).
E assim vai o mundo no que respeita ao rearmamento...

Submarino emergiu da calote polar ártica

A edição de hoje do jornal The New York Times apresenta com grande destaque uma reportagem do seu jornalista Kenny Holston, que embarcou num submarino de ataque com propulsão nuclear, “para ver como o Pentágono está a treinar para uma potencial guerra abaixo do mar congelado”. 
O jornalista embarcou no USS Hampton (SSN 767), uma unidade da classe Los Angeles, habitualmente estacionada na Base Naval de Point Loma, em San Diego. O navio navegou para a região polar e emergiu no gelo ártico duas vezes, no quadro da sua participação na Operação Ice Camp, uma operação anual de três semanas que testa a capacidade da frota submarina americana operar em ambiente hostil. O jornalista descreveu a navegação sob a calote de gelo polar, tendo verificado como é complexa, acontecendo por vezes que o submarino navega entre duas ameaças: a camada de gelo por cima e o fundo do mar por baixo. Segundo o comandante do navio “operamos o navio a 6 metros do fundo, com 12, 18 metros de gelo acima de nós, assim conseguindo evitar os picos de gelo, virados para baixo”.
Como acontece em qualquer submarino, o espaço é sempre muito escasso e a reportagem aborda esse problema, muito importante quando o submarino está submerso, bem como a comida limitada e a ausência de qualquer comunicação externa durante várias semanas.
O embarque do jornalista Kenny Holston no USS Hampton, insere-se numa campanha de divulgação das actividades da Marinha americana, pois esta missão do submarino está relatada em diferentes jornais.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Invulgar acidente marítimo em Baltimore

Quando na madrugada de ontem largava do porto de Baltimore com destino ao Sri Lanka, o navio porta-contentores Dali que tem 300 metros de comprimento e hasteava a bandeira de Singapura, perdeu capacidade de manobra e colidiu com um pilar da ponte Francis Scott Key. A colisão provocou a imediata queda do seu principal tabuleiro e, numa reacção em cadeia, originou o colapso de outros tabuleiros da mesma ponte, que tem um comprimento de 2,6 quilómetros. Muitos jornais do mundo inteiro, incluindo o The New York Times, publicaram impressionantes fotografias do Dali, carregado com milhares de contentores - 4700 segundo foi depois divulgado - e com uma parte do pavimento da ponte sobre o seu convés.
O navio tinha largado do cais do porto de Baltimore menos de trinta minutos antes com 22 tripulantes e tinha a bordo dois experientes pilotos locais, mas foram detectadas anomalias eléctricas e foi verificado que os seus movimentos estavam descontrolados, pelo que a tripulação emitiu um pedido de socorro que permitiu que as autoridades portuárias ainda tivessem travado o tráfego de veículos na ponte. Além disso, o navio ainda adoptou procedimentos de emergência ao largar âncoras para travar o seu deslocamento descontrolado, mas essa medida que era adequada não produziu qualquer efeito.
O porto de Baltimore é um dos maiores dos Estados Unidos e o colapso da ponte vai afectar a vida económica do estado de Maryland, porque vai obrigar à paralização do tráfego portuário, tanto de carga como de passageiros, mas também afectará toda a Costa Leste dos Estados Unidos. Por isso e porque este ano há eleições nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden considerou que se tratou de um “terrível acidente” e determinou que se inicie a imediata reconstrução da ponte Francis Scott Key.

domingo, 24 de março de 2024

Os franceses e o seu forte "apelo do mar"

Na comuna francesa de La Ciotat, localizada na costa mediterrânica entre Toulon e Marselha, está a realizar-se o seu importante salão náutico que sempre desperta o interesse das populações da Provença e ao qual o jornal La Provence, que se publica na cidade francesa de Marselha, dedica uma interessante reportagem na sua última edição.
Essa reportagem que o jornal intitulou “l’appel du large” e que ilustrou com uma sugestiva fotografia de uma regata com várias embarcações de vela, afirma que “o interesse dos provençais pelo mar continua inabalável”.
O jornal apresenta vários tipos de embarcações destinadas à prática da navegação de recreio, mas reconhece que a compra e a manutenção de um qualquer veleiro “é um luxo para muitos velejadores”, pelo que o aluguer de embarcações, sob diversos tipos de contrato, se tornou uma moda nos portos de recreio franceses. Por isso, o salão náutico de La Ciotat, atrai milhares de franceses entusiastas da vela que procuram assegurar atempadamente e a melhor preço, o aluguer das embarcações com que esperam navegar nos meses de Verão. Na costa atlântica e em especial nos portos de La Rochelle, Saint Malo, Cherbourg, Carcassone, entre outros, também a procura de embarcações para alugar é cada vez mais a solução daqueles que sentem “o apelo do mar”.
Curiosamente, o aluguer de embarcações de recreio também já entrou nos hábitos de alguns portugueses, embora muitas vezes esse aluguer não signifique que o objectivo seja a prática desportiva da vela porque, muitas vezes, se trata apenas de um acto de exibicionismo social e uma pretensa afirmação de estatuto económico.