quarta-feira, 6 de maio de 2026

Donald Trump, o aproveitador

A mais recente edição do jornal Libération é demolidora para Donald Trump, tanto pela sua acusadora manchete ao afirmar que “desde a sua reeleição, segundo a revista Forbes, o presidente dos Estados Unidos e sua família teriam embolsado 1,4 mil milhões de dólares”, mas também pela imagem da capa que mostra uma estátua de Donald Trump feita de metal maciço banhado a ouro, em que a personagem se apresenta de punho erguido – “une image qui fait presque mal aux yeux”. 
A jornalista Alexandra Schwartzbrod chama-lhe ”aproveitador” e desvenda a mistura de interesses e de negócios deste homem de excessos, de narcisismo doentio e de fanfarronice, que usa a desinformação e a ameaça para satisfazer os seus interesses. Convencido de que está protegido por uma capa de invencibilidade e de super-herói, ele confunde os limites e explora a sua posição presidencial para cobrar por tudo o que leva o seu nome, desde os seus caricatos bonés até aos hotéis e campos de golfe que lhe pertencem, ou que controla, nos quais as suas iniciais aparecem estampadas em letras douradas. O mesmo acontece com o seu famoso resort Mar-a-Lago, na Florida, onde são cobrados preços exorbitantes pela condição de membro, ou por quaisquer alugueres.
O trabalho jornalístico também trata das guerras de Trump e dos que delas beneficiam, referindo que “o Pentágono está a esvaziar os seus cofres ao despejar o equivalente a mais de mil milhões de dólares em bombardeamentos no Irão todos os dias, segundo estimativas da Forbes”. A indústria da guerra floresce e Donald Trump e os seus amigos aproveitam. 
Porém, o remate mais incisivo no demolidor texto do Libération está na seguinte frase: “Basicamente, seja você um chefe de Estado ou um empresário, se quiser um favor de Trump, basta pagar”.
Nos seus túmulos, os pais fundadores da nação que em 1766 assinaram em Filadélfia a Declaração de Independência dos Estados Unidos, devem dar voltas…