terça-feira, 26 de dezembro de 2023

O novo confronto Trump-Biden em 2024

A menos de um ano das eleições presidenciais americanas e com as eleições primárias quase a começar, parece confirmar-se um novo encontro entre o actual e o anterior presidente dos Estados Unidos, ou entre o democrata Joe Biden de 81 anos de idade e o republicano Donald Trump de 77 anos de idade. O assunto interessa tanto aos americanos como ao resto do mundo e, por isso, a imprensa europeia já lhe dedica a sua atenção, como se observa na edição de hoje do jornal francês La Dépèche du Midi, que se publica em Toulouse e que anuncia com grande destaque o regresso do confronto entre Trump e Biden.
Segundo informa o jornal, Donald Trump está confrontado com uma série de processos judiciais, mas verifica-se que cada novo processo parece fortalecê-lo ”entre a sua base eleitoral fanática” e assegurar-lhe fundos adicionais para a sua campanha eleitoral. Mesmo os seus concorrentes republicanos Ron DeSantis e Nikki Haley, têm poupado os ataques contra Trump com receio de ofender a sua base de apoio, que ainda está muito mobilizada e, acima de tudo, ávida por vingança pela repressão da sua rebelião de 6 de Janeiro de 2021.
Do outro lado, os bons resultados económicos da Administração Biden não parecem trazer-lhe o reconhecimento dos americanos para um segundo mandato. As sondagens são-lhe desfavoráveis, sobretudo entre o eleitorado jovem, decepcionado com a posição pró-israelita no actual conflito entre Israel e o Hamas. Os bons resultados económicos de Joe Biden não têm sido mobilizadores e apenas 2% do eleitorado considera “excelente” a sua política económica (Bidenomics), havendo 52% que a considera “má”, enquanto 59% do eleitorado considera que Trump teria um melhor desempenho económico. Finalmente, todos criticam a idade dos candidatos que levará a que o futuro presidente dos Estados Unidos tenha uma idade bem avançada.
Como cantava Doris Day nos anos 1955, que sera sera (whatever will be)...

O apelo à paz no discurso de Carlos III

Se eu fosse nascido no dia 5 de Outubro de 1910 e já tivesse idade para isso, eu estaria ao lado daqueles que instauraram a República em Portugal. Eu sou um republicano convicto pois entendo que o chefe do Estado deva ser escolhido pelos cidadãos por períodos limitados, além de não me agradar a hierarquia social nem o sistema de privilégio que vive à volta das realezas, muitas vezes sem qualquer mérito. Porém, nada me move contra os vários soberanos que reinam na Europa, como Filipe VI de Espanha, Carlos III do Reino Unido, Filipe I da Bélgica, Guilherme Alexandre dos Países Baixos, Margarida II da Dinamarca, Carlos Gustavo da Suécia ou Harald V da Noruega, acontecendo que muitas vezes eles nos surpreendem com mais coragem, mais princípios e mais bom senso do que muitos daqueles que são escolhidos pelo povo para os dirigir.
O exemplo de Carlos III é elucidativo. Em Setembro de 2022 ascendeu ao trono por morte da sua mãe a rainha Isabel II, quando tinha 73 anos de idade, havendo muitas dúvidas sobre a sua idoneidade para ser a cabeça do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e de mais 14 Estados soberanos e independentes chamados Reinos da Comunidade de Nações (Commonwealth), onde se incluem a Austrália, o Canadá e a Nova Zelândia, entre outros.
A subida ao trono de Carlos III não me despertou nenhum interesse especial, até que li o discurso de Natal que ontem fez aos seus súbditos. Nesse discurso, apelou à ”protecção do planeta” porque é “a casa que todos partilhamos” e, embora não tendo abordado directamente os conflitos na Ucrânia ou na Faixa de Gaza, falou nos “conflitos cada vez mais trágicos” que se travam no mundo. Disse que “não façamos aos outros o que não queremos que nos façam a nós” e, vários jornais como o Scottish Daily Mail, destacaram “o apelo pela paz no discurso de Natal do Rei”. Quando muitos dirigentes europeus estão calados, indiferentes ou alinhados com a guerra, as suas tragédias e os seus negócios de armamento, as palavras de Carlos III alinham-se com a esperança e com a paz. Até que enfim que alguém fala em paz...