segunda-feira, 6 de março de 2017

O trabalho dos falcões de Alicante

A intensificação do transporte aéreo implica cada vez mais medidas de segurança nos aeroportos, que começam ainda antes da aterragem dos aviões e que vão para além dos controlos da polícia.
Sucede que, muitas vezes, os corredores aéreos de aproximação às pistas de aterragem são atravessados por aves que podem colidir com os aviões e causar-lhes graves problemas, pelo que uma das medidas mais habituais de prevenção é a utilização de falcões.
O jornal Información de Alicante dedicou ontem uma grande reportagem às “centinelas del cielo” do aeroporto de Alicante-Elche, onde há catorze falcões que voam todos os dias do ano desde os primeiros alvores do dia, haja calor ou frio, haja chuva ou vento. Essa acção é realizada desde 2002 com bons resultados e todos os dias os falcões de Alicante voam centenas de quilómetros para evitar a presença de outras aves que possam chocar com os aviões, isto é, os falcões não caçam e são recompensados com comida pelo seu tratador.
A actividade falcoeira é mais do que uma profissão, pois é um verdadeiro sacerdócio, passando de pais para filhos e exigindo milhares de horas de treino para conseguir a eficácia desejada. Desconhecemos se esta prática é utilizada em outros aeroportos, como sucede com este aeroporto de Alicante-Elche, que no ano passado movimentou mais de 12 milhões de passageiros e registou mais de 87 mil voos, o que representa uma média diária de 238 voos.

Os nossos campeões do triplo salto

O atleta português Nelson Évora garantiu ontem a medalha de ouro no triplo salto dos Europeus de pista coberta em Belgrado e tornou-se campeão da Europa, alguns anos depois de ter sido campeão do mundo em 2007 e campeão olímpico em 2008. Na véspera também a atleta portuguesa Patrícia Mamona obtivera o 2º lugar na mesma prova do triplo salto feminino.
Parece, portanto, que em triplo salto ninguém nos bate.
O jornal Público não teve complexos e trouxe para a sua primeira página uma fotografia de Nelson Évora a saltar em Belgrado, ao contrário dos jornais futeboleiros portugueses que colocaram todo o seu ênfase no empate do Sporting e se limitaram a dar uma pequena notícia dos nossos triplo-saltadores nas suas primeiras páginas.
Nos tempos que atravessamos, em que diariamente assistimos à revelação de gravíssimas situações fraudulentas ou de grande irresponsabilidade que ferem os princípios da nossa sociedade, nas quais sabemos estarem envolvidos por acção ou omissão muitos dos nossos dirigentes políticos, que deviam estar calados e envergonhados, estas notícias desportivas dão-nos algum alento.  
De facto, num país tão sacrificado pela ambição e pela ganância de uns tantos novos-ricos que não olharam a meios para enriquecer, vão-nos valendo todos os Ronaldos, mais os Mourinhos, os Rui Costa e os Nelson Évora para nos alimentarem a auto-estima... e também o António Guterres e não só.