quarta-feira, 18 de abril de 2012

FMI traça-nos um futuro negro

Os jornais portugueses referem hoje o relatório da Primavera do FMI – o World Economic Outlook – que contém preocupantes previsões sobre o futuro imediato da Europa, da Zona Euro e, naturalmente, dos portugueses. Na base das preocupações manifestadas no relatório do FMI está o sobreendividamento europeu, mas também o desemprego e o decréscimo da competitividade, sobretudo nos países do Sul – Grécia, Portugal, Espanha e Itália – todos eles vítimas da espiral da dívida e da crise internacional.
No entanto, em termos mais imediatos, o problema português parece derivar também do previsível abrandamento da conjuntura europeia. De facto, a Itália e a Espanha (terceira e quartas economias da Zona Euro) deverão retroceder cerca de 2%, enquanto a Alemanha e a França (primeira e segunda economias da Zona Euro), deverão estagnar. Acontece que mais de metade das exportações portuguesas se dirigem para esses quatro países e, por isso, as perspectivas de crescimento económico e de emprego pela via do aumento das exportações está comprometida. Assim, a crise portuguesa tenderá a aprofundar-se, a não ser que seja estimulado o consumo interno e a poupança, o que só é possível com menos austeridade. É uma pescadinha de rabo na boca, que não depende só de nós. Como é evidente e já era sabido. Porém, há um ano atrás diziam-nos – o Catroga, o Moedas e o Nogeira - que com o corte de gorduras do Estado e a extinção de institutos tudo se resolveria. Afinal, não é assim. Paradoxalmente, há um programa que foi feito pelo FMI e, pasme-se, é o mesmo FMI que nos está a traçar um futuro negro, como salienta o Jornal de Notícias. Bom seria que se enganassem…