domingo, 15 de janeiro de 2012

Costa Concordia: come il Titanic

Apesar do desenvolvimento da tecnologia e dos modernos sistemas electrónicos de posicionamento no mar, o luxuoso paquete Costa Concordia encalhou junto da ilha de Giglio, na costa ocidental italiana, daí resultando cinco mortos, quatro dezenas de desaparecidos, um susto para mais de quatro mil pessoas e a provável perda de um dos mais modernos paquetes do mundo. O tempo estava calmo e tudo aponta para que a causa da tragédia tenha sido um erro humano, por desatenção ou por incompetência profissional.
O navio tinha 290 metros de comprimento, uma tripulação de 1068 pessoas e capacidade para 3780 passageiros, dispondo de 1500 cabines, das quais 505 com varanda privada para o mar, além de 70 suites de luxo. Os passageiros tinham à sua disposição cinco restaurantes e treze bares, Spa, cinco jacuzzi, quatro piscinas, teatro, casino, ginásio, discoteca e um shopping. Uma luxuosa cidade!
O Costa Concordia fazia um dos seus habituais cruzeiros mediterrânicos e a bordo seguiam 4231 pessoas, incluindo passageiros e tripulantes. Cerca das 20 horas do dia 13 de Janeiro, quando navegava próximo da costa e os passageiros jantavam ou se preparavam para jantar, o navio tocou no fundo rochoso, sofreu um enorme rasgo e começou a adornar. Pouco depois eram dadas ordens para o abandono do navio, após o que se verificaram cenas de pânico e disputas entre os passageiros que tentavam entrar nos botes salva-vidas. Aparentemente, os procedimentos de segurança não tinham sido treinados e, segundo foi divulgado, o comandante do navio ter-se-à assustado e esqueceu-se de cumprir a regra de ouro nestas circunstâncias: ser o último a abandonar o navio.
A tragédia do Titanic, ocorrrida exactamente há cem anos, foi imediatamente recordada e inspirou o título do diário italiano Il Messaggero.
Às vezes esquecemos que nem a tecnologia, nem a economia, substituem o homem e a sua inteligência.

Cuerpos de Dolor em exposição

A Galeria de Exposições Temporárias do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) está a apresentar a exposição “Cuerpos de Dolor. A Imagem do Sagrado na Escultura Espanhola (1500-1750)”.
A exposição abrange o período áureo da escultura espanhola e constitui uma amostra seleccionada das importantes colecções do Museo Nacional de Escultura de Valhadolid, chamando-nos a atenção para a relevância do acervo deste museu espanhol.
Pela primeira vez, o público português tem a possibilidade de ver mais de três dezenas de esculturas dos grandes mestres espanhóis, desde o declinar da Idade Média até aos finais do Período Barroco, quando a presença da religião na vida social mobilizava o sagrado em todas as actividades artísticas.
É uma exposição que revela uma clara influência religiosa através de imagens de grande expressividade e que é capaz de provocar no visitante uma impressão que ultrapassa as fronteiras da estética.
A exposição insere-se num programa que valoriza o estabelecimento de parcerias e um esquema de circulação internacional muito consequentes, que permitiu que as duas anteriores exposições apresentadas pelo MNAA estejam actualmente na National Gallery of Art de Washington (“A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana”) e no Museo de Bellas Artes de Valencia (“Primitivos. El Siglo Dorado de la Pintura Portuguesa”).
O MNAA está de parabéns porque, através destas exposições, divulga a cultura portuguesa. A exposição Cuerpos de Dolor pode ser visitada até 25 de Março e recomenda-se.