domingo, 1 de abril de 2012

Sinais preocupantes

Todos sabemos como é difícil e complexa a equação económico-financeira com que nos defrontamos, pelo que os nossos governantes não se podem distrair. Infelizmente há muitos que ainda andam deslumbrados com o poder e com o pin na lapela, mas também demasiado ocupados com os seus interesses pessoais, as suas viagens, os seus amigos e as suas mordomias.
Há cerca de um ano, essa gente afirmou que o nosso problema não tinha relação com a crise internacional e que resultava dos erros do anterior governo e da teimosia do seu chefe, das gorduras do Estado e do excesso de institutos públicos. Ganharam eleições. Ocuparam a EDP e a CGD. Empregaram boys e mini-boys. Porém, hoje vê-se que aquele era um discurso de propaganda e, antes que seja desmascarado pelas evidências, foi montada uma cortina de fumo de protecção e foi retomado o ataque ao anterior governo, o que vem fragilizar a base social de apoio que tem apoiado o actual governo e complicar ainda mais o nosso futuro.
Entretanto, a falta de dinheiro está a levar muitas famílias a não pagar os empréstimos que contraíu e a devolver milhares de imóveis aos bancos. Só no ano passado foram devolvidas quase sete mil casas e o mercado imobiliário está inundado. Agora, chega a notícia de que em Janeiro, mais de 100 mil trabalhadores tinham o seu salário penhorado, dos quais cerca de metade são funcionários públicos, havendo mais de nove mil pessoas que já declararam insolvência. A situação já é dramática para muitas famílias que serão devoradas pela banca, pelo fisco, pela fome, pela pobreza. Os nossos governantes não se podem distrair com estes preocupantes sinais que podem prenunciar o caminho da desagregação social.