sábado, 27 de abril de 2019

As piruetas e as ambições de um ex-juiz

Edição de 7 de Novembro de 2018 da revista Veja
Sérgio Moro é o Ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil desde o dia 1 de Janeiro de 2019 e veio a Portugal, um país onde todos os brasileiros são benvindos por circunstâncias históricas, culturais e emocionais.
A visita deste ex-juiz não teve grande repercussão na comunicação social portuguesa até ao dia em que um ex-primeiro-ministro português o acusou de ser medíocre, ser indigno e ser um activista político disfarçado de juiz, ao que o ministro respondeu com uma recusa “em debater com criminosos”.
A partir daí, os espaços de debate televisivo portugueses pegaram no tema e surgiu uma quase unanimidade na condenação das palavras de Sérgio Moro, que cometeu três erros graves:
- Como juiz porque chamou criminoso a alguém que ainda não foi acusado, nem julgado, nem condenado e, por isso, é inocente até prova em contrário.
- Como ministro porque comentou assuntos do foro interno da justiça portuguesa e, ainda por cima, quando se encontrava em território português.
- Como cidadão porque cometeu uma enorme falta de cortesia para com todos os portugueses ao insultar um cidadão português que ainda nem foi acusado e que apenas foi “condenado” por alguns jornais sensacionalistas que vivem dos escândalos.
Sérgio Moro revelou-se, portanto, um homem arrogante, impreparado e de uma chocante vulgaridade. O Brasil merecia muito mais. Foi ele que condenou o Presidente Lula da Silva e que o impediu de se bater com Bolsonaro. É um oportunista que envergonha o Brasil. De resto, a revista Veja já em 7 de Novembro de 2018 tratava Sérgio Moro como o homem da pirueta, isto é, o homem que depois de ter feito um grande servicinho como juiz, aceitou a recompensa de ser ministro e aparece agora cheio de ambição política. Sim, o Brasil merece melhor.