terça-feira, 24 de setembro de 2019

Thomas Cook não resistiu aos tempos

De vez em quando rebentam grandes bombas no mundo dos negócios, como foi caso do Lehman Brothers em 2008 ou, a uma escala mais modesta, o nosso BES que implodiu em 2014, ou as muitas companhias de aviação que desaparecem. Agora, foi a famosa agência de viagens britânica Thomas Cook que faliu, depois de ter estado durante 178 anos no mercado do turismo e em outras actividades a ele ligadas. Era uma referência mundial pois transportava todos os anos cerca de 19 milhões de turistas, mas não conseguiu concorrer com a venda directa online que com ela concorria com preços mais favoráveis. O seu modelo de negócio estava em crise há alguns anos porque não se adaptou aos novos tempos das plataformas digitais, pois quem viaja passou a utilizar o modelo it yourself, em que as reservas de passagens aéreas, hotéis e outros serviços associados são feitas online, o que significa que os serviços prestados pelas agências de viagens têm cada vez menos procura. Os défices de exploração e o passivo da empresa foram-se acumulando e surgiu um ultimato bancário para o qual eram necessários 227 milhões de euros. Ninguém lhe deu a mão, nomeadamente o accionista chinês Fosun, nem o governo de Boris Johnson. Um frio comunicado foi emitido ontem:
Thomas Cook has confirmed that all of the UK companies in its group have ceased trading including Thomas Cook Airlines. As a result, we are sorry to inform you that holydays and flights provided by these companies have been cancelled and are no longer operating. All Thomas Cook’s retail shops have also closed.
Havia 600.000 clientes em viagem, um pouco por todo o mundo, que não sabem como regressar ao seu país e, provavelmente, alguns milhares de hotéis que não vão receber pelos serviços que prestaram aos clientes da Thomas Cook. Há 22.000 funcionários que perderam o emprego. Uma frota de 34 aviões Airbus 321 e 330 parou. Um jornal português diz que “gigante falido deixa calotes a hotéis portugueses”, um jornal das Canárias anuncia que “a falência da Thomas Cook representa a perda de 15 mil empregos” e o jornal económico francês La Tribune diz que esta falência foi "um terramoto para o turismo". Neste caso, como vem sendo hábito nas grandes empresas que vão à falência, os seus gestores receberam salários e bónus de muitos milhões de euros, mesmo quando a falência já estava no horizonte. O problema é que os terramotos costumam ter réplicas...