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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Campo Maior: a festa da cultura popular

As Festas do Povo de Campo Maior, também conhecidas por Ruas Floridas, são uma das mais vivas expressões da cultura popular portuguesa, que a Unesco reconheceu em 2021 como Património Cultural Imaterial da Humanidade. A sua inauguração aconteceu no dia 8 de agosto com a presença do Presidente da República e o evento vai decorrer até ao dia 16 de agosto.
Desde 1889 que as festas se realizam com periodicidade irregular e sempre que o povo de  Campo Maior decide ornamentar as ruas e as praças da sua vila com milhões de flores de papel feitas de forma artesanal pelos moradores durante semanas ou meses, que proporcionam um singular panorama de arte popular e de múltiplas formas e cores, provocando um verdadeiro deslumbramento estético. A preparação deste espetacular exemplo de genuína cultura popular também é um fator de coesão social para a população desta vila alentejana, que recebe com simpatia e evidente satisfação as muitas centenas de milhar de visitantes portugueses e estrangeiros, sobretudo espanhóis da vizinha Comunidade Autónoma da Extremadura.
As casas são caiadas e os pavimentos limpos, enquanto as ruas “enramadas” se transformam e se enchem de criatividade e de originalidade, proporcionando um cenário inesquecível de beleza para quem o idealizou e preparou, mas também para quem o visita.
Ontem a imprensa da Extremadura deu destaque às Festas do Povo, designadamente o jornal Hoy, que se publica em Badajoz.
Hoje tive o privilégio de ter estado em Campo Maior devido à generosidade do ASV e da ML, guias e companheiros experimentados, que nos proporcionaram uma excelente prova de “turismo cá dentro”, com grande proveito e muita satisfação.

sábado, 18 de julho de 2026

Festas do Povo regressam a Campo Maior

Onze anos depois, regressam a Campo Maior as Festas do Povo, também conhecidas como Festa das Flores, o que é um acontecimento cultural importante. Desde o dia 8 até ao dia 16 de agosto o centro histórico da vila alentejana vai cobrir-se com milhões de flores de papel, feitas artesanalmente pelos moradores de cada rua ao longo de vários meses de preparação. 
As ruas transformam-se e enchem-se de cor e criatividade, com as casas caiadas e as ruas “enramadas” que transformam a vila de Campo Maior num jardim florido e proporcionam um cenário único e inesquecível para quem o idealizou e preparou, mas também para os milhares de visitantes que não perdem a oportunidade de assistir a esta espectacular mostra da cultura popular portuguesa.
As Festas do Povo já se realizam há 137 anos, sem periodicidade certa e apenas quando o povo assim entende e, por isso, neste século XXI apenas se realizaram em 2000, 2004, 2011 e 2015. Porém, em dezembro de 2021 as Festas do Povo de Campo Maior foram classificadas como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, o que representou o reconhecimento da importância cultural deste evento e veio aumentar o entusiasmo, a dedicação e o brio dos campomaiorenses pela realização da Festa das Flores.
As Festas do Povo de Campo Maior são um acontecimento singular no panorama da cultura popular portuguesa pela originalidade, pela estética, pela arte e pela indiscutível beleza que proporcionam, pelo que merecem ser visitadas. Porém, há que evitar os dias e as horas de ponta, em que a vila é demasiado pequena para receber tanta gente… Faltam 19 dias!

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Joana Vasconcelos: exposição em Málaga

A cidade espanhola de Málaga é a capital da província do mesmo nome, sendo uma das oito províncias da comunidade autónoma da Andaluzia, que é a maior das 17 comunidades autónomas espanholas e é do tamanho de Portugal. A cidade situa-se na orla do mar Mediterrâneo, é a capital da Costa del Sol e tem 600 mil habitantes, a que se juntam milhões de turistas. 
Nesta cidade nasceu Pablo Picasso, um dos mais influentes artistas mundiais do século XX, sobretudo na pintura, na escultura e na cerâmica e, em sua homenagem, a cidade criou o Museo Picasso Málaga. Este museu foi inaugurado em 2003 e recebeu 285 obras doadas por membros da família de Picasso, o que o torna uma referência no panorama museológico espanhol.
Neste museu é hoje inaugurada uma exposição de Joana Vasconcelos intitulada Transfiguración, em que estarão expostas 13 obras produzidas entre a década de 1990 e a actualidade, que poderão ser vistas até 27 de setembro em salas de dois andares do museu. Segundo a informação já divulgada pelo museu, a exposição integra obras cedidas por instituições como a Fundação Louis Vuitton, o Museu de Arte Contemporânea de Castela e Leão (MUSAC), o Museu Extremenho e Iberoamericano de Arte Contemporânea (MEIAC), a Fundação EDP, a Coleção Luis Adelantado e o próprio estúdio de Joana Vasconcelos. 
É uma grande exposição e em declarações que fez, a artista disse que “este diálogo no espaço com Picasso” é um marco importante na sua carreira. A edição de hoje do diário malaguenho La Opinión destaca na sua primeira página el art de Joana Vasconcelos com uma fotografia em que a artista aparece junto do sapato de salto alto que criou em 2009 com panelas Silampos e respectivas tampas, a que deu o título Marilyn
Afinal não são apenas os nossos artistas-futebolistas que são apreciados no estrangeiro…

quinta-feira, 28 de maio de 2026

R.I.P. Jorge Barros

O Jorge Barros deixou-nos ontem aos 81 anos de idade, depois de uma longa e corajosa luta contra o infortúnio. Conterrâneo e colega de escola e de turma, mantive com o António Jorge Pinto da Costa Barros – tínhamos o hábito de muitas vezes nos tratarmos pelos nossos extensos nomes – uma amizade que perdurou durante mais de setenta anos e, entre outras causas comuns como a ligação à terra alcobacense e o culto pela liberdade e pela justiça social, tinhamos a atracção pelos Açores, pela sua paisagem natural e pela sua riqueza cultural. 
Às ilhas dos Açores dedicou boa parte da sua obra, percorrendo as ilhas demoradamente e muitas vezes, observando a beleza natural, conversando com as pessoas, fotografando festas e fajãs, picos e enseadas, faróis e embarcações, baleeiros, romeiros e espantalhos. Nada escapou à sua atenta objectiva.
O jornal Público chamou-lhe “o fotógrafo de Portugal e do Atlântico”, porque durante muitos anos fotografou tudo com atenção e talento – as nossas raízes e as nossas gentes, as nossas paisagens e os nossos monumentos, além das mais peculiares práticas culturais e religiosas do nosso Portugal – com arte, com sensibilidade e com inteligência, como mostram as três dezenas de livros que publicou e a sua participação em mais de três centenas de exposições. Muitas das suas obras estão associadas a autores como Orlando Ribeiro, Fernando Pessoa e Raul Brandão, mas também a outros nomes consagrados da escrita, como Eugénio de Andrade, Fernando Assis Pacheco, João de Melo, José Cardoso Pires, Lídia Jorge, Manuel Alegre, Mário Cláudio e Sofia de Melo Breyner.
Homem discreto, quase a roçar a humildade, escondia uma enorme sabedoria que resultava de muita leitura e de muita observação, mas era também um conversador inteligente, um contador de estórias, um inspirado poeta e um amigo atento.
Caro Jorge: não nos voltaremos a encontrar nem por aqui, nem nas Lajes do Pico de que tanto gostavas. 
R. I. P.

domingo, 17 de maio de 2026

R.I.P. João Abel Manta

Com 98 anos de idade faleceu João Abel Manta, um nome maior do panorama cultural português, com atividades artísticas tão diversificadas como a arquitetura e a pintura, o desenho e a cerâmica, a ilustração e o azulejo, além do cartoon, que foi a área que o tornou mais conhecido do público.
Ao longo da sua vida foi um cidadão que lutou pela Liberdade e pela Democracia, antes e depois do 25 de Abril de 1974, tendo participado no MUD Juvenil e sido preso pela PIDE em 1948, mas também nas campanhas contra a Ditadura do Estado Novo.
Começou a sua atividade profissional na arquitetura, mas depressa passou para as artes plásticas, em que entre outros trabalhos se destacou o seu painel de azulejos da Avenida Calouste Gulbenkian, em Lisboa, concebido em 1970 e aplicado em 1982. Depois, ainda antes e depois do 25 de Abril, publicou regularmente durante alguns anos os seus cartoons em jornais de grande tiragem como o Diário de Lisboa, o Diário de Notícias, O Jornal e o Jornal de Letras, sempre com uma abordagem crítica, inteligente e irónica sobre a situação política e social portuguesa e sobre o regime de Salazar. Do cartoon passou para a pintura onde também realizou uma obra notável, vindo a receber diversos prémios nacionais e internacionais de reconhecimento pela sua obra. 
Foi, inquestionavelmente, um homem do 25 de Abril, o “ilustrador da liberdade” ou o “artista da revolução”, com uma importância simbólica nas Artes Plásticas semelhante à que tiveram Zeca Afonso na Música, Manuel Alegre na Poesia, ou Salgueiro Maia na coragem com que ocupou o Largo do Carmo.
Aqui lhe prestamos a nossa homenagem, com a reprodução de Um problema difícil, o cartoon em que retratou a admiração do mundo sobre o que se passava em Portugal em 1975.

Um problema difícil

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A polémica instalação artística em Paris

Terão sido iniciados hoje em Paris os trabalhos de montagem de La Caverne du Pont Neuf, uma instalação temporária de arte urbana concebida pelo artista JR e que vai “transformar” a Pont Neuf, a mais antiga ponte que atravessa o rio Sena na cidade de Paris e que foi construída em finais do século XVI.
A arte urbana ou street art popularizou-se nos últimos anos nos espaços públicos em todo o mundo, desde os mais simples graffiti até às mais complexas instalações (krafts), que combinam arquitectura, escultura, multimedia e até pessoas, de forma a envolver emocionalmente o visitante.
La Caverne du Pont Neuf terá 120 metros de comprimento e presta homenagem aos artistas Christo e Jeanne-Claude, que em 1985 “embrulharam” aquela ponte e, mais tarde, revestiram o Arco do Triunfo. Agora o artista JR vai transformá-la numa gigantesca caverna que estará aberta ao público gratuitamente, de dia e de noite, de 6 a 28 de junho, mas onde não haverá circulação de automóveis e apenas poderão transitar peões e ciclistas.
A estrutura terá a aparência de uma massa rochosa, cuja estrutura será apoiada em módulos têxteis insufláveis, pesará cinco toneladas e não exigirá fundações invasivas. O ar será o principal material utilizado para minimizar o peso, o transporte e o impacto no local. Os 18.900 metros quadrados de tecido foram impressos com tintas à base de água e, em seguida, trabalhados artesanalmente por 25 artesãos numa empresa da Bretanha.
O diário Le Parisien dedica a primeira página da sua edição de hoje a esta iniciativa artística que é muito polémica e daí que a sua edição online tivesse sido “invadida” por comentários, de que transcrevemos apenas dois:

- Quanto custa tudo isso? Esta ponte é linda por si só. Por que estragá-la, mesmo que temporariamente? Esse dinheiro poderia ser usado de forma mais inteligente. Para salvar igrejas, castelos, monumentos em perigo... Chambord, por exemplo!

- Excelente iniciativa, original, extremamente criativa e ambiciosa, tudo em homenagem ao trabalho de Christo e Jeanne-Claude. Mal posso esperar para estar lá.

É caso para dizer que “o mundo fala de tudo tenha ou não tenha razão”, como nos ensina a fábula de ”O Velho, o Rapaz e o Burro”.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Gente que conta: “Le monde selon Vhils”

Alexandre Manuel Dias Farto é um artista português nascido em 1987 no Seixal, que se tem destacado nas áreas do graffiti e da street art, sobretudo através dos seus “rostos” que são esculpidos ou pintados em muros e paredes. Assina as suas obras como Vhils e é por esse nome que é conhecido, aqui e além-mar, pois os seus trabalhos encontram-se em inúmeros países e, naturalmente em Portugal, onde retratou Zeca Afonso e Amália, Sofia e Saramago, entre muitas outras figuras e factos. Recentemente, foi escolhido por Marcelo Rebelo de Sousa para fazer o seu retrato que figura na Galeria dos Presidentes no Palácio de Belém, o que lhe aumentou a notoriedade nacional.
Agora, a prestigiada revista francesa Courrier International decidiu escolher como “invité spécial” da sua edição nº 1853 de 7 de maio, esta “figura maior da arte urbana” e escolheu como capa um dos rostos que desenhou e, como manchete, a frase “Le monde selon Vhils”. A reportagem que é abundantemente ilustrada com obras de Vhils espalhadas pelo mundo, salienta:
“É importante destacar que esta edição com Vhils é inédita em vários aspetos. Em primeiro lugar, é a primeira vez na história do Courrier International que           convidamos um artista para colaborar connosco. Mas é também a primeira vez que concebemos o nosso jornal em parceria entre dois países. Durante quase quatro meses, as nossas equipas e as equipas de Vhils, sediadas em Portugal, trabalharam em conjunto para criar esta edição”.
E aqui está como uma figura da arte e da cultura portuguesa atravessa fronteiras e tem “quelques œuvres majeures autour du monde”, em cidades como Lisboa e Porto, Londres e Los Angeles, Bruxelas e São Paulo, Macau e México City, Pequim e Shanghai, Praia e Cincinnati, Hong Kong e Paris, Rio de Janeiro e San Diego, Fremantle e Dubai. 
Bravo!

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O 25 de Abril é o dia mais bonito do ano

As comemorações do 52º aniversário do 25 de Abril foram uma grande festa popular e confirmaram o que o jornal Expresso escrevera dois dias antes ao referir-se à ”tarde mais bonita do ano na avenida da Liberdade - e noutros pontos do país”.
Embora tenham acontecido as mais diversas cerimónias comemorativas por todo o país – sessões solenes e manifestações, jantares e almoços, exposições e concertos, colóquios e conferências, arraiais e concursos, corridas e outros eventos desportivos, para não referir essa parolice bizantina de ligar o teatro e um só actor ao 25 de Abril – o ponto alto das comemorações do 25 de Abril continua a ser o grandioso desfile popular que sempre se realiza na avenida da Liberdade em Lisboa, com milhares de pessoas, em grande unidade e de cravo na mão, a celebrar a Liberdade e a Democracia, sendo evidente o envolvimento das novas gerações, de que é exemplo aquele jovem que empunhava um simples cartaz em que afirmava ”eu não estava lá, mas agora estou aqui!”.
Por tudo isto, o 25 de Abril está vivo e povo gritou bem alto: “25 de Abril sempre!”.
Porém, os festejos deste 52º aniversário também tiveram um novo aliciante, que foi ver o Presidente da República de cravo ao peito e de se afirmar, sem quaisquer equívocos, um homem do 25 de Abril e de assumir a defesa dos valores de Abril, não deixando de ser curioso e eloquente que, na sessão solene da Assembleia da República, a sua mulher vestisse de vermelho e a mulher do primeiro-ministro vestisse de preto...
As televisões estiveram bem ao divulgar as imagens essenciais da grande festa, mas a imprensa esteve distraída e até o jornal Público, que destacou a festa do 25 de Abril com uma fotografia na sua primeira página a cinco colunas, se limitou a escrever em tímida manchete que “o Presidente falou para os jovens e as ruas encheram-se de cor”. É pouco, para descrever o que se viu…

terça-feira, 31 de março de 2026

Portugal e Cabo Verde unidos e fraternos

A última edição do semanário Expresso das Ilhas que se publica na cidade da Praia, inclui uma desenvolvida reportagem sobre o primeiro transplante renal realizado em Cabo Verde, que “foi um sucesso”. É um marco histórico na medicina em Cabo Verde que aconteceu no dia 24 de março no Hospital Universitário Agostinho Neto e, segundo a equipa médica, tanto a dadora como o receptor que são irmãos, estão a recuperar bem da intervenção. A intervenção durou cerca de três horas e contou com uma equipa de cerca de 30 pessoas cabo-verdianas e portuguesas, chefiada pelo cirurgião português António Norton de Matos que, há 43 anos, realizou o primeiro transplante renal na cidade do Porto.
Evandro Monteiro, o gestor do Hospital Universitário Agostinho Neto, reconheceu o mérito da parceria estabelecida entre Cabo Verde e Portugal nesta matéria, com  o empenho da equipa cabo-verdiana e da equipa portuguesa, “sobretudo do Hospital de Santo António, no Porto, que estiveram directamente envolvidos no processo de preparação e realização do transplante” e afirmou que “é para continuar”.
A mesma edição do Expresso das Ilhas noticia, também em primeira página, que o jornal assegura a distribuição em exclusivo em Cabo Verde de uma edição especial de “Os Lusíadas”, no âmbito das comemorações do V Centenário de Luís de Camões. Essa edição será publicada em fascículos a serem distribuídos na última edição do jornal de cada mês, durante dez meses.
Esta edição mostra que, tanto no plano da cooperação médico-cientifica, como nas vertentes culturais, é realmente enorme a proximidade (e a fraternidade) entre Portugal e Cabo Verde e que não passa apenas pela emoção da morna, ou a da gula pela cachupa.

sexta-feira, 6 de março de 2026

R.I.P. António Lobo Antunes

António Lobo Antunes morreu ontem em Lisboa com 83 anos de idade e de imediato surgiu um coro de elogios à sua obra literária, que um crítico sintetizou numa simples frase: “O Nobel perdeu Lobo Antunes, não foi ele quem perdeu o Nobel”.
Nascido em Lisboa e licenciado em Medicina, foi mobilizado como médico militar para a guerra colonial no Leste de Angola e, no regresso, especializou-se em Psiquiatria. Porém, depressa  o gosto pela Medicina cedeu à sua paixão pela Literatura e aos 37 anos de idade publicou Memória de Elefante, o seu primeiro romance. Depois sucederam-se cerca de três dezenas de romances que levaram a crítica a considerá-lo um revolucionário da literatura portuguesa, sendo também considerado um dos grandes nomes da literatura mundial e sendo traduzido em mais de trinta línguas. O reconhecimento interno e internacional da sua obra levou a que em 2007 fosse distinguido com o Prémio Camões, o mais importante prémio da literatura em língua portuguesa, bem como com mais de uma dezena de prémios literários de grande prestígio em diversos países.
A notoriedade de António Lobo Antunes como escritor era grande até no estrangeiro e um dia, nos anos 1990 em Paris, um amigo francês que estava a ler António Lobo Antunes estranhou que eu nunca o tivesse lido. Fui a correr comprar Os Cus de Judas para não voltar a ser humilhado pela minha ignorância literária. 
António Lobo Antunes foi uma das mais importantes figuras da cultura portuguesa contemporânea e na sua obra, entre outras temáticas, retrata uma geração que viveu a experiência da guerra colonial e do fim do império, sempre com um olhar de grande sensibilidade e humanidade.
Na sua edição de hoje o jornal Público presta-lhe uma justa homenagem.
A cultura portuguesa está de luto.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Diocese de Macau celebra 450 anos

Quando o mundo e a imprensa internacional hoje se concentram, falam e escrevem sobre Davos, Donald Trump, a Gronelândia e sobre essa criação trumpiana que é, ou vai ser, o Board of Peace, no território de Macau celebra-se o 450º aniversário da sua diocese, que foi criada por decisão de 23 de janeiro de 1576 do Papa Gregório XIII.
Nesta cidade de Macau, que até 1999 esteve sob soberania portuguesa, predomina a religião budista e apenas 4% da população segue a Igreja Católica, muitos deles imigrantes filipinos, a Diocese de Macau e a Santa Casa da Misericórdia de Macau são “pilares da identidade histórica do território”, como escreve na sua edição de hoje o jornal macaense Tribuna de Macau. Essa identidade é reconhecida pela Unesco ao classificar o Centro Histórico de Macau como património da Humanidade, com referência explícita aos símbolos do património cultural e religioso macaense, designadamente as ruínas de São Paulo, que é um ex-libris da cidade, a Sé Catedral, a Igreja de São Domingos e o edifício-sede da Santa Casa da Misericórdia, no Largo do SenadoAo longo da sua existência de 450 anos, a Diocese de Macau tem sido um centro de propagação do catolicismo no Oriente e tem assumido a missão de estabelecer pontes entre o Oriente e o Ocidente, promovendo a educação, a caridade, os direitos humanos e o serviço pastoral, mas por via indirecta também tem sido um símbolo da cultura portuguesa em Macau.
A efeméride será assinalada com um programa comemorativo que adoptou o tema “De Macau para o Mundo: 450 Anos de Missão e Misericórdia” e, durante o ano de 2026, organizará uma série de actividades e exposições comemorativas.
Actualmente. a diocese de Macau é gerida pelo Bispo D. Stephen Lee Bun-sang, natural de Hong Kong e com 69 anos de idade, que se formou em Arquitectura em Londres e trabalou como arquitecto em Hong Kong, antes de ser ordenado padre em 1988.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A tradição baiana cumpre-se no Bonfim

O Estado da Bahia fica situado no nordeste brasileiro, tendo uma paisagem tropical na costa atlântica e um interior sertanejo mas, provavelmente, é o estado com a marca cultural mais intensa de todo o país, tanto pela diversidade da sua população, como pelo seu património histórico, em que se destaca a arquitectura colonial do século XVII, sobretudo na cidade de Salvador, ou Salvador da Bahia.
O centro histórico de Salvado foi o palco principal da fusão das culturas portuguesa, africana e ameríndia, tendo sido a capital do Brasil desde 1549 a 1763, estando classificado como património mundial pela Unesco desde 1985. A região é a parte mais antiga do Brasil colonial e foi aí que os portugueses chegaram em 1500 e que, em consequência da sua influência e interacção religiosa e cultural, nasceu a devoção ao Senhor do Bonfim trazida por um capitão português. Na actualidade, essa devoção atrai multidões à capital baiana por ser uma festa que é um dos maiores símbolos de fé dos baianos.
A festa é celebrada em Janeiro na Basílica do Senhor do Bonfim, um templo católico que é um dos mais importantes monumentos de Salvador, nela se incluindo a tradicional “lavagem do Bonfim”, ou lavagem das escadarias da basílica com água de cheiro feita por baianas, em que se confundem o catolicismo e o candomblé. Associada a esta devoção também existe a tradição das “fitas do Senhor do Bonfim” que se usam amarradas ao pulso e com três nós, correspondentes a três pedidos que, quando a fita se desfaz ou rompe, os pedidos são satisfeitos.
Ontem, a edição do jornal A Tarde que se publica em Salvador, destacou em manchete a fé e a festa da Senhora do Bonfim, publicando uma fotografia em que se vê a Basílica do Bonfim, construída a partir de 1745.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

R.I.P. Brigitte Bardot

Brigitte Bardot morreu ontem em Paris com 91 anos de idade e muitas dezenas de títulos da imprensa francesa e mundial escolheram a sua fotografia e frases de homenagem à famosa actriz francesa para manchete das suas edições de hoje. O jornal Le Parisien é apenas um desses jornais e classifica a actriz como a “éternelle BB”, mas as frases com que é homenageada pelos seus compatriotas são, por exemplo, “ícone rebelde”, “imortal”, “ícone do cinema”, “um mito para a eternidade”, “a musa do cinema francês” ou “a exportação mais sedutora da França”, mostrando o enorme apreço que os franceses tinham pela artista que foi um sex symbol dos anos 1960 e que quebrou convenções sociais, mas que também foi uma das marcas da luta pela emancipação da mulher e que, através do cinema, também muito contribuiu para a projecção da imagem da França no mundo. A morte de Brigitte Bardot também teve ampla repercussão na imprensa mundial, porque era um símbolo de uma época e de um país, tendo o jornal The Washington Times, que também noticiou a sua morte em primeira página, feito referência à “French femme fatale” que, como acertadamente salienta, foi um “fenómeno cultural”.
Em Março de 1960 a artista visitou Lisboa e eu recordo como muitas dezenas de alunos do meu liceu faltaram às aulas e foram ao aeroporto para ver ao vivo esse ícone da beleza e da juventude. Não se falava noutra coisa e vivia-se uma verdadeira BB-mania.
O último filme de Brigitte Bardot foi apresentado em 1973, quando tinha 39 anos de idade, tendo a partir de então passado a dedicar-se integralmente à defesa dos direitos dos animais.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Restauro dos murais de Almada Negreiros

As manchetes da imprensa portuguesa e não só, tendem a satisfazer o princípio AIDA - chamar a Atenção, suscitar o Interesse, provocar o Desejo e levar à Aquisição – pelo que recorrem ao sensacionalismo e ao fait divers, sobretudo nas áreas da Sociedade, da Política, da Economia e do Desporto. Os seus títulos e os temas dominantes raramente são da área da Cultura e, por isso, aqui se destaca a capa da edição de ontem do jornal Público, que foi dedicada ao restauro em curso dos murais de Almada Negreiros existentes em Lisboa, junto ao Tejo, nas gares marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde d’Óbidos, dois edifícios desenhados pelo arquitecto Pardal Monteiro que foram construídos na década de 1940.
Os murais foram encomendados pelo Estado Novo e foram pintados nos anos 1940. O seu conteúdo é dedicado ao mar, à vida ribeirinha e ao povo anónimo, aos marinheiros, às varinas e aos pescadores, ignorando as figuras históricas que o regime promovia, bem como a “gesta heróica da difusão da fé e do império”. Nessa linha, os murais ignoram os grandes navegadores e as grandes navegações quinhentistas e inspiram-se no quotidiano das fainas marítimas, sobretudo do porto de Lisboa, bem como em algumas lendas, como a lenda da Nau Catrineta e a lenda de D. Fuas Roupinho e o milagre da Nazaré.
Os murais estão sujeitos a um ambiente agressivo de humidade e salinidade, pelo que careciam de restauro que, no caso dos murais da Rocha do Conde d’Óbidos já está concluído após doze meses de trabalho. A intervenção nos murais da Gare Marítima de Alcântara vai iniciar-se em Janeiro e “deverá superar o meio milhão de euros que custou o restauro dos murais da Rocha do Conde d’Óbidos”, mas é caso para dizer que é um dinheiro bem gasto, porque os murais de Almada Negreiros são um património artístico fundamental a cidade de Lisboa e representam o maior conjunto de pintura mural do século XX em Portugal.

sábado, 15 de novembro de 2025

Cartagena e o Desfile de la Independencia

A cidade de Cartagena de Indias, ou simplesmente Cartagena, é a quinta cidade da Colômbia e o seu historial atesta que foi a sede do governo e a residência dos vice-reis durante o período colonial espanhol até 1811, quando a cidade declarou a sua independência. Situada na orla marítima do mar das Caraíbas, a cidade de Cartagena de Indias conserva as suas fortificações e a sua estrutura arquitectónica militar colonial, que em 1984 foram declaradas Património Mundial pela Unesco.
Todos os anos a histórica cidade comemora o 11 de novembro de 1811 com as Fiestas de Independencia, mas no corrente ano em que se festejavam 214 anos desse dia libertador, as autoridades locais decidiram investir fortemente no sentido de promover a internacionalização do evento e fazer de Cartagena um destino turístico e cultural ainda mais apetecido. O ponto principal das festas foi o Desfile de la Independencia de Cartagena em que participaram “más de 10.000 artistas, 200 comparsas y 28 carrozas elaboradas por 40 artistas plásticos locales”, a que assistiram mais de cem mil pessoas, entre cartageneros e visitantes.
O mais importante jornal da cidade é o El Universal que, na sua última edição, dedicou um alargado espaço ao Gran Desfile de la Independencia de Cartagena 2025 e salientou que num cenário tão especial como a avenida Santander, entre o mar das Caraíbas e o Centro Histórico da cidade, houve tradição e cultura, música, dança, arte e cor, lembrando os famosos desfiles carnavalescos brasileiros.
Satisfeito com a festa, el alcalde Mayor de Cartagena agradeceu aos cartageneros e disse-lhes: “Viva Cartagena de Indias!”.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

A inauguração do Grande Museu Egípcio

O Grande Museu Egípcio (GEM na sua sigla em inglês) foi inaugurado no passado sábado na cidade do Cairo, numa cerimónia faraónica que a edição de domingo do jornal Kuwait Times classificou como “luxuosa”. Parece que o caso não era para menos, pois nela estiveram presentes dezenas de chefes de Estado e de Governo, bem como membros de casas reais de vários países.
O GEM ocupa uma área de 47 hectares e tem cerca de 100 mil artefactos, reunindo as mais emblemáticas peças da história egípcia como a colossal estátua de Ramsés II, com 83 toneladas, que dá as boas-vindas aos visitantes no átrio principalo lendário Barco Solar do Rei Khufu, a colecção completa do Rei Tutankhamon, composta por 5.398 objetos, os tesouros da Rainha Hetepheres, entre muitas outras raridades que fazem do GEM o maior museu arqueológico do mundo.
A sua construção iniciou-se no ano de 2005, durante a presidência de Hosni Mubarak mas, por circunstâncias imprevistas como a turbulência política durante e após a Primavera Árabe de 2011, a pandemia de covid-19 e as guerras na Ucrânia e em Gaza, o projecto sofreu atrasos e a sua construção demorou vinte anos. 
Trata-se de um investimento de 1.000 milhões de dólares, que é dedicado à antiga civilização egípcia e tem como objectivo impulsionar a indústria do turismo e a economia da República Árabe do Egipto, que espera que o museu atraia sete milhões de turistas por ano e se torne um dos mais visitados museus do mundo.
Entre os convidados do presidente egípcio Abdul Fatah Khalil Al-Sisi encontrava-se o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, mas não é conhecida a composição da sua comitiva, nem como se deslocou.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

O salto à vara e o fenómeno Duplantis

Está a decorrer em Tóquio até 21 de Setembro o World Athletics Championships, em que o atleta sueco Armand Duplantis saltou 6,30 metros e voltou a bater o record mundial do salto à vara pela 14ª vez na sua carreira. O jornal L’Équipe dedicou-lhe a sua primeira página com uma expressiva fotografia e classificou-o como galáctico, mas a imagem do salto de Duplantis a passar a fasquia com elegância e segurança ilustrou muitos jornais internacionais, rendidos à sua capacidade atlética, que aparenta ser única na sua geração.
Nasceu nos Estados Unidos de mãe sueca e pai norte-americano, mas dele se pode dizer que “filho de peixe sabe nadar”, pois os seus pais já eram atletas de bom nível e o pequeno Armand parece que aos 4 anos de idade já saltava à vara.
O facto é que aos 25 anos de idade, é bicampeão olímpico com triunfos em Tóquio 2021 e Paris 2024, mas também é tricampeão mundial com títulos conquistados em em 2022 em Eugene/Estados Unidos, em 2023 em Budapeste e agora em 2025 em Tóquio.
A primeira vez que Duplantis bateu o recorde do mundo foi em Fevereiro de 2020 com um salto de 6,17 metros, mas desde então bateu o seu próprio recorde 14 vezes e, centímetro a centímetro, já vai em 6,30 metros.
Armand Duplantis é realmente um fenómeno do desporto, mas também um artista, que optou pela nacionalidade da mãe nas competições internacionais. No entanto, a sua conta bancária deve ser bem mais pequena do que a conta de qualquer futebolista ou tenista de segunda categoria, para não referir os pilotos da Formula 1, os futebolistas de topo ou os basquetebolistas da NBA.
Com as actuais varas de fibra de vidro o salto à vara já não é o que era, mas Duplantis é realmente muito grande!

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Sorte grande para o Morante de la Puebla

A festa brava, ou a fiesta que Ernest Hemingway consagrou no seu famoso romance The Sun also rises, é uma tradição ibérica cada vez mais contestada, mas que continua bem viva em muitas regiões peninsulares, sobretudo espanholas. Os festejos populares que acontecem durante o Verão, a par da componente religiosa incluem uma diversificada componente lúdica, com muitas atracções de feira, competições desportivas, espectáculos e concertos, que enchem o centro das cidades com música e alegria, mas também contemplam as corridas de touros que, por vezes, acontecem em dias sucessivos.
Na cidade de Pontevedra, em honra da padroeira da província, são anualmente celebradas as Festas da Virxe Peregrina, que se iniciam no segundo sábado de Agosto. É a grande semana daquela cidade galega, situada a cerca de 55 quilómetros da fronteira portuguesa.
A Plaza de Toros de Pontevedra, que é a única praça da região da Galiza e que recebe toda a actividade tauromáquica do noroeste de Espanha, apresentou os cartéis com os melhores diestros para a Feria de La Peregrina 2025, com corridas nos dias 9, 10 e 15 de agosto. Na corrida de ontem, que era o segundo dia da Feria Taurina, actuaram os matadores Morante de la Puebla, Alejandro Talavante e Daniel Luque, para lidarem touros da ganadaria Garcigrande, mas o diestro Morante de la Puebla, um ídolo sevilhano de 45 anos de idade, foi colhido com uma grave cornada durante a faena do seu primeiro touro.
O caso foi destacado como notícia de primeira página em vários jornais espanhóis, como por exemplo no diário madrileno ABC, mas poucas horas depois foi anunciado que Morante de la Puebla teve alta. Uma boa notícia para o diestro e para a sua família ou, dito de outra maneira,  que sorte grande ele teve.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

O "mundo celta" e a sua riqueza cultural

A cidade bretã de Lorient recebeu a 54ª edição do Festival Intercéltico que se realiza desde 1971. Trata-se de um evento que envolve populações com culturas e sentimentos celtas e que habitam nas Astúrias, Bretanha, Cornualha, Escócia, Galiza, Irlanda e País de Gales, mas também a diáspora celta que se fixou no Quebec e em várias regiões dos Estados Unidos, da Austrália e da Nova Zelândia.
Apesar do festival ter um vasto programa cultural e muita música, segundo os relatos da imprensa, o Grande Desfile das Nações Celtas é o seu ponto mais alto, sendo aguardado por milhares de pessoas ansiosas e entusiasmadas pelos sons e pelos trajes celtas de mais de três mil artistas, dançarinos e músicos, que marcham em cortejo pelas ruas da cidade, sob grandes aplausos do público.
La Grande Parade des Nations Celtes realizou-se no passado domingo e durou mais de três horas. Na cabeça do cortejo  desfilaram “as bandeiras das nações celtas”, logo seguidas pela Bagad de Lann-Bihoué, a famosa banda bretã composta por gaitas de foles, bombardas e tambores que é a bagad da Marinha Francesa e que a representa em diversos eventos nacionais e internacionais.
O cortejo deste ano teve a participação de 61 agrupamentos provenientes do “mundo celta”, sobretudo muitas bagad ou bandas de música celta, podendo aqui ser destacadas a Banda de Gaitas La Reina del Truébano (Astúrias), a Lorient Festival Highland Dance Team (Escócia), o Grupo de Baile San Félix de Candás (Astúrias), a Bagad New-York (Bretanha/USA), a Interceltic Scottish Pipe Band (Escócia), a Bagad An Hanternoz (Bretanha), o Cercle Quic-en-Groigne (Saint-Malo), o Treorchy Male Choir (País de Gales), a Bagad Naoned (Nantes), a Skeealyn Vannin (Ilha de Man) e a Bagad Sonerien an Oriant (Lorient), entre muitas outras.
Foi uma grande festa que pode ser vista online na plataforma you tube e o jornal Le Télégramme, que se publica em Lorient, dedicou-lhe a sua primeira página, mas La Grande Parade des Nations Celtes mostra que a geografia política da Europa não está bem resolvida, como mostrou o “mundo celta” e o seu festival.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Camões: autor moderno e premonitório

Estão a decorrer as comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões e esse facto influenciou o importante discurso que a escritora Lídia Jorge proferiu em Lagos no dia 10 de junho, que é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Luís de Camões é um poeta do Renascimento e da Modernidade, é uma figura inspiradora da cultura portuguesa e da identidade nacional. 
N’Os Lusíadas, ele celebra a viagem de Vasco da Gama e faz inúmeras observações sobre a História de Portugal, com as suas grandezas e as suas tragédias. De entre as inúmeras mensagens deixadas ao longo dos dez Cantos da obra, sempre admirei o episódio do Velho do Restelo, que se encontra cantado entre as estrofes 94 e 104 do Canto IV, em que “um velho, de aspecto venerando”, “com um saber só d’experiência feito”, falou e, entre outras coisas, disse o seguinte:

   Ó glória de mandar! Ó vã cobiça/ Desta vaidade a quem chamamos fama (XCV)

   A que novos desastres determinas/ De levar estes Reinos e esta gente? (XCVII)

   Deixas criar às portas o inimigo/ Por ires buscar outro de tão longe (CI)

   Buscas o incerto e incógnito perigo/ Por que a Fama te exalte e te lisonje (CI)

   Deixa intentado a humana geração./Mísera sorte! Estranha condição! (CIV)

Glória de mandar, cobiça, vaidade, fama, mísera sorte... Hoje, os versos de Camões revelam-se premonitórios perante o que está a acontecer em Kiev e em Gaza, em Los Angeles e em Paris, mas em muitas mais cidades europeias e americanas.