terça-feira, 18 de agosto de 2026

A Cisjordânia sofre e a Europa assobia

O Estado da Palestina já foi reconhecido por 157 dos 193 estados membros das Nações Unidas e o seu território actual, depois das anexações que se seguiram às diversas guerras de expansão territorial em que os israelitas se envolveram, está reduzido à Cisjordânia e à Faixa de Gaza, recentemente destruída com mais de setenta mil mortos, numa acção de brutal violência que foi classificado como genocídio.
A política expansionista e agressiva de Israel não se limitou à destruição de Gaza e, como hoje denuncia o jornal francês Libération, os actos de violência multiplicam-se, não só em Gaza onde continua a haver bombardeamentos, mas agora de forma continuada na Cisjordânia, onde a violência é encorajada por Netanyahu e por vários dos seus ministros, enquanto a comunidade internacional aceita passiva e cobardemente, a autêntica anexação dos territórios palestinianos pelos colonos judeus. É uma “annexation de fait” diz o jornal Libération que, em manchete, escreve que “a Cisjordânia está entregue ao terror dos colonos”, pois a anexação progride a um ritmo sem precedentes e multiplicam-se os ataques às aldeias palestinianas, com total impunidade dos colonos judeus, que têm a protecção de soldados israelitas.
A Cisjordânia tem cerca de 5.000 quilómetros quadrados, que é uma área semelhante ao Algarve, aí vivendo três milhões de palestinianos. Os colonos têm actuado no sentido de fragmentar o território e isolar as aldeias que ficam cercadas, para depois serem atacadas com violência, numa ação de verdadeira “limpeza étnica”.
Tudo isto é sabido e não é novo, mas a Europa da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos parece aceitar tudo isto passivamente e sem um grito de revolta. Nunca pensei que o presidente do Conselho Europeu pudesse ser cúmplice desta situação.