O nosso país vive
demasiadas situações contraditórias, como por exemplo os obscenos lucros
anunciados recentemente pela Caixa Geral de Depósitos e pela Petrogal, que
comparam com o risco de pobreza ou exclusão social que atinge 19,7% da
população, isto é, há cerca de 2,1 milhões de portugueses em situação de
vulnerabilidade.
Porém, há muitos
outros sinais contraditórios e perturbadores na sociedade portuguesa, que vão
desde a morosidade da Justiça até à crise demográfica, passando pela
desertificação continuada do interior, pela limpeza urbana, pela indisciplina
do trânsito, pela ausência da polícia de proximidade, pela degradação do
património arquitetónico e natural, pela desinformação generalizada que nos
cerca e, sobretudo, pelas incertezas que nos esperam no Serviço Nacional de
Saúde (SNS), onde os sinais são bem contraditórios. De facto, enquanto se ouvem
muitos utentes do SNS elogiando a qualidade e eficiência dos serviços
prestados, também são recorrentes as más notícias quanto ao encerramento de serviços
de urgência e às listas de espera para cirurgias e consultas.
O SNS tem sido
uma bandeira do regime democrático que temos desde 1974, mas tem sido
demasiadas vezes desconsiderado e prejudicado pela ganância dos grupos de saúde
privados e por aqueles que se prestam a servir os seus apetites.
O facto é que,
com as suas forças e fraquezas, o SNS continua a ser uma marca do nosso regime
democrático e um exemplo de bem servir os que dele carecem, comparando bem com
os serviços de saúde estrangeiros, designadamente com o “modelar” National
Health Service (NHS) do Reino Unido. Ontem o jornal Daily Express anunciava
que nos hospitais ingleses as pessoas morrem nos corredores sem alívio da
dor”… Por cá não chegamos a esse ponto.
O SNS é uma
equação bem difícil e, por isso, é preciso que esteja nas mãos de quem saiba
resolver equações e não à mercê de carreiristas e de gente impreparada.
