quinta-feira, 23 de julho de 2020

A memória sempre presente de Amália


Se fosse viva, Amália Rodrigues completaria hoje cem anos de idade e os portugueses lembraram hoje essa figura singular da nossa vida cultural através de uma homenagem que lhe foi prestada pela Assembleia da República. Porém, as homenagens que lhe foram prestadas por iniciativa da sociedade civil e de muitas associações culturais mostram a grandeza de uma pessoa de forte personalidade e grande talento que, através da sua voz, se tornou conhecida e foi aplaudida internacionalmente. Num tempo de um Portugal sombrio, autoritário, paroquial e “orgulhosamente só”, Amália foi a outra imagem do país, foi o rosto e a voz da cultura portuguesa e foi aclamada e adorada pelos portugueses de todas as classes sociais e de todas as latitudes.
Em 1964, juntamente com muitos outros companheiros, tivemos o privilégio de conhecer e conviver com Amália Rodrigues durante alguns dias numa pequena ilha atlântica, onde se encontrava envolvida em actividades cinematográficas. Todos então pudemos apreciar a simplicidade e a riqueza humana daquela mulher sorridente, coloquial e sempre bem disposta, que então já era uma figura conhecida em meio mundo, onde se impusera pelo seu talento artístico e pela sua inteligência. Ela foi uma criadora que revolucionou o fado, ao dar voz aos poetas portugueses que levou até ao povo, mas também ao levar a música popular até às elites culturais. O sucesso de Amália foi sempre ascendente e o seu prestígio nacional foi inigualável, como era demonstrado pela devoção com que os portugueses a adoravam.
Em Outubro de 1999 deixou-nos, mas a devoção nacional por Amália continuou. Hoje, o seu rosto e a sua voz são memórias que continuam vivas no imaginário português.

“Vélorution” ou a nova moda da bicicleta


O semanário francês L’OBS destaca como tema principal da sua edição desta semana a vélorution ou a revolução das bicicletas nos centros urbanos que, de uma maneira entusiástica, está a levar cada vez mais pessoas a adoptar a bicicleta como meio de transporte, mas também como um instrumento de lazer e de prática de exercício físico.
A maioria das autoridades autárquicas tem incentivado as práticas ciclistas em nome do ambiente e da diminuição da circulação automóvel, da redução da poluição e da melhor qualidade do ar.
Lisboa está na primeira linha da vélorution portuguesa, sendo considerada a cidade europeia mais sustentável e sido eleita a Capital Verde Europeia 2020, o que aconteceu pela primeira vez a uma cidade do sul da Europa. Essa eleição resultou da avaliação de um júri que apreciou a evolução positiva que Lisboa tem registado em todas as doze áreas-chave, entre as quais se contam a energia, água, mobilidade, resíduos, qualidade do ar ou ruído. Porém, a adaptação da cidade de Lisboa tem vários problemas, o primeiro dos quais é a própria geografia da cidade dispersa sobre colinas, sobretudo na zona histórica da cidade, onde as ruas são estreitas. Por outro lado, esta rápida alteração da filosofia de transporte urbano que se aplaude, poderá estar a ser feita a um ritmo demasiado apressado, o que está a gerar conflitualidade entre os ciclistas que se assumem como os utentes prioritários e exclusivos da via pública e os automobilistas com hábitos enraizados de muitos anos e que até pagam imposto de circulação. As revoluções precisam de tempo para serem aceites. Nos próximos tempos vai ser necessário muito bom senso para circular em Lisboa, quer de automóvel, quer de bicicleta.