sábado, 31 de janeiro de 2026

Os brilhantes andebolistas portugueses

Neste ano de 2026 realizou-se pela 17ª vez o EHF European Men's Handball Championship ou, mais simplesmente, o Campeonato da Europa de Andebol, com a equipa portuguesa a classificar-se no 5º lugar, o que constitui a sua melhor classificação de sempre.
A equipa fez oito jogos e brilhou: na fase preliminar (grupo B) com a Roménia (40-34), a Macedónia do Norte (29-29) e a Dinamarca (31-29); no main round (grupo I) com a Alemanha (28-30), a França (38-46), a Noruega (35-35) e a Espanha (35-27). Seguiu-se o jogo para a atribuição do 5º lugar e bateu a Suécia (36-35). Foram 4 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, numa campanha de grande nível competitivo, em que esteve com os melhores. Amanhã, a Dinamarca e a Alemanha vão disputar a final e, tendo essas duas equipas estado no caminho da equipa portuguesa, basta ver os resultados para concluir que Portugal poderia ter sido finalista. Entretanto, a equipa ficou apurada para o próximo Campeonato do Mundo que se realizará em 2027, no qual procurará melhorar o seu 4º lugar conquistado em 2025. Estão de parabéns os andebolistas portugueses que fazem do andebol um espectáculo tão artístico como um moderno bailado.
Pensava-se que a imprensa desportiva portuguesa iria destacar esta proeza desportiva, mas assim não aconteceu. Hoje os três jornais desportivos portugueses tratam de futebol, de futebol e de futebol. Com grandes fotografias na primeira página, cada jornal mostra um “ídolo”, que por acaso nenhum é português: um mostra um tal Alisson que o Nápoles quer mas que ninguém sabe quem é, outro exibe o Suárez que diz que não tem limites e o outro elogia um tal Temem Moffi que ainda nem chegou ao nosso país, mas que os nossos jornalistas já idolatram. 
Os brilhantes e talentosos andebolistas portugueses – n’A Bola, no Record e n’O Jogo – não mereceram mais que uma pequena nota de rodapé na sua primeira página. Palavras para quê?

A calamidade que nos trouxe a Kristin

Depois das depressões Ingrid e Joseph, o território continental português foi assolado pela depressão Kristin e aconteceu uma calamidade, sobretudo na região Centro do país, onde sopraram ventos ciclonicos e foi registada uma rajada de 209 km por hora. 
As imagens televisivas que pudemos observar mostram a dimensão de uma enorme catástrofe para que ninguém estava preparado, apesar dos habituais avisos amarelo e laranja que, por serem tão frequentes, já ninguém lhes liga. Para além de algumas mortes, houve muitas inundações, abundante queda de árvores, destruição de infraestruturas, telhados e postes partidos, cortes de energia, internet e comunicações, numa escala a que o país não estava habituado. 
Os prejuízos são incalculáveis e os efeitos desta calamidade irão sentir-se durante muito tempo.
O episódio, segundo o IPMA, teve as características de um ciclone-bomba e foi agravado por um fenómeno chamado sting jet, que é uma forte corrente descendente que, por vezes, se desenvolve no bordo das depressões extratropicais e gera ventos muito violentos e de efeitos muito destruidores.
Não é possível saber se as autoridades responderam com prontidão a esta catástrofe, porque nestas ocasiões de desespero é normal que surjam críticas por parte daqueles que sofrem e que precisam de ajuda. Agora há que olhar para o problema e atacá-lo deixando para mais tarde a avaliação do que aconteceu. Nestas circunstâncias de emergência, é necessária a solidariedade e a entreajuda de todos – voluntários, bombeiros, militares, associações, entidades locais – sobretudo nas áreas mais afectadas, para ajudar as populações isoladas ou mais carenciadas, para contribuir para a limpeza e para recuperação dos espaços públicos e para que a normalidade regresse tão depressa quanto possível.
Os portugueses que tantas vezes têm sido solidários com causas alheias, bem podem agora unir-se por esta causa humanitária.