sábado, 31 de janeiro de 2026

A calamidade que nos trouxe a Kristin

Depois das depressões Ingrid e Joseph, o território continental português foi assolado pela depressão Kristin e aconteceu uma calamidade, sobretudo na região Centro do país, onde sopraram ventos ciclonicos e foi registada uma rajada de 209 km por hora. 
As imagens televisivas que pudemos observar mostram a dimensão de uma enorme catástrofe para que ninguém estava preparado, apesar dos habituais avisos amarelo e laranja que, por serem tão frequentes, já ninguém lhes liga. Para além de algumas mortes, houve muitas inundações, abundante queda de árvores, destruição de infraestruturas, telhados e postes partidos, cortes de energia, internet e comunicações, numa escala a que o país não estava habituado. 
Os prejuízos são incalculáveis e os efeitos desta calamidade irão sentir-se durante muito tempo.
O episódio, segundo o IPMA, teve as características de um ciclone-bomba e foi agravado por um fenómeno chamado sting jet, que é uma forte corrente descendente que, por vezes, se desenvolve no bordo das depressões extratropicais e gera ventos muito violentos e de efeitos muito destruidores.
Não é possível saber se as autoridades responderam com prontidão a esta catástrofe, porque nestas ocasiões de desespero é normal que surjam críticas por parte daqueles que sofrem e que precisam de ajuda. Agora há que olhar para o problema e atacá-lo deixando para mais tarde a avaliação do que aconteceu. Nestas circunstâncias de emergência, é necessária a solidariedade e a entreajuda de todos – voluntários, bombeiros, militares, associações, entidades locais – sobretudo nas áreas mais afectadas, para ajudar as populações isoladas ou mais carenciadas, para contribuir para a limpeza e para recuperação dos espaços públicos e para que a normalidade regresse tão depressa quanto possível.
Os portugueses que tantas vezes têm sido solidários com causas alheias, bem podem agora unir-se por esta causa humanitária.