domingo, 9 de dezembro de 2018

Confusão e incerteza ensombram o Brexit

A última edição da revista The Economist trata das enorme dúvidas que estão a turvar o horizonte dos britânicos relativamente ao Brexit e aponta um caminho, ou “a melhor maneira de sair da confusão do Brexit”.
O acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia foi negociado durante 17 meses e chegou ao fim num texto de 585 páginas, tendo sido aprovado pelo Conselho Europeu no dia 25 de Novembro, por entre declarações de ser um “dia triste”, ou ser mesmo “uma tragédia”, como disse Jean-Claude Juncker.
Em qualquer acordo há sempre cedências de ambas as partes e, para muitos deputados britânicos, os negociadores de Theresa May cederam demasiado. Na próxima terça-feira, o acordo de 585 páginas vai ser votado no Parlamento britânico e há sérias dúvidas quanto ao resultado, porque há demasiada confusão e muita incerteza quanto ao futuro, o que de resto é retratado na capa que ilustra a última edição do The Economist. A eventual rejeição do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia e da declaração sobre as relações futuras entre ambos poderá acontecer como resultado de um consenso inesperado entre eurocépticos e euroentusiastas, unidos à volta do Partido Trabalhista, dos Liberais Democratas, dos nacionalistas escoceses, galeses e de muitos conservadores. O problema continua a dividir os britânicos e, aparentemente, Theresa May não vai conseguir que o acordo seja aprovado. A confusão será ainda maior, com uns a defender a revogação do acordo e outros a sua renegociação, que a União Europeia não parece aceitar. Há uma grande desorientação entre os políticos e aumenta a oposição a Theresa May , assim como a convicção de que o Brexit falhou. A ser assim, a saída deste imbróglio poderá ser um novo referendo ou, mais provavelmente, eleições gerais antecipadas.
O que não há dúvidas é que a votação da próxima terça-feira pode muito bem lançar mais incerteza no futuro do Reino Unido, mas também na União Europeia.