domingo, 14 de abril de 2024

O confronto não desejado de Irão e Israel

Os espaços televisivos anunciaram ontem à noite que o Irão lançara um ataque aéreo maciço de retaliação contra Israel, que era esperado desde o ataque israelita de 1 de abril contra o complexo diplomático iraniano em Damasco, no qual morreram vários oficiais iranianos. Apesar de viverem há muitos anos em clima de ameaça e de inimizade, foi a primeira vez que o Irão atacou directamente o território israelita, enquanto Israel já antes atacara o solo iraniano. O medo da guerra no Médio Oriente acordou. Toda a região entrou em estado de alerta e o mundo aumentou muito o seu grau de ansiedade e preocupação.
A imprensa matutina ainda não dispunha de informações suficientes e independentes sobre o impacto do ataque iraniano, mas as manchetes já apareceram com o sensacionalismo de “quem quer vender jornais”, assim sucedendo com vários jornais como o nova-iorquino Daily News.
Era sabido que cerca de três centenas de mísseis e de drones tinham sobrevoado o Iraque, a Síria e a Jordânia, mas na sua grande maioria, ou cerca de 99%, terão sido neutralizados pelas forças israelitas, com a ajuda americana e inglesa. Entretanto, as autoridades iranianas declararam que a operação militar contra Israel “foi concluída”, mas que se houver resposta israelita a este ataque “a próxima operação será muito maior” e, ao mesmo tempo, avisaram os Estados Unidos que as suas bases militares na região serão um alvo iraniano, no caso de virem a cooperar em eventuais acções ofensivas israelitas.
Em Israel desvalorizam-se os efeitos do ataque e afirma-se que quase tudo foi abatido, enquanto o Irão se mostra satisfeito com a retaliação que realizou. Não sabemos a verdade, mas desejamos que haja contenção das partes e que a Diplomacia lhes possa mostrar que é melhor pararem…
O facto é que a iniciativa iraniana pode gerar uma escalada perigosíssima. Por isso, foi condenada, sobretudo pelos Estados Unidos e pelos seus amigos e aliados que, mais uma vez, têm dois pesos e duas medidas, pois condenam o Irão por esta acção, mas ainda não condenaram Israel pelos seus excessos e as suas repetidas agressões, além de lhe continuar a fornecer equipamento militar.