Acabou – foi a palavra escolhida para título da sua edição de hoje pelo jornal Record.
Portugal perdeu com a
Espanha, com um golo sofrido já depois dos 90 minutos de jogo e não chegou aos
quartos de final do Mundial. Ficou triste e desolado o país futebolístico, mas também
o país anestesiado pela televisão e pelos comentadores, que nos venderam a
ideia que seríamos campeões mundiais. Portugal e a Espanha eram duas equipas
muito iguais e tudo podia acontecer. Saímos derrotados pela mesma porta por onde
saíram o Brasil e os Estados Unidos, por onde já tinham saído a Alemanha, a
Suécia, os Países Baixos e o Uruguai e por onde nem sequer tinham passado a
Itália, a Dinamarca, a Hungria, a Grécia e a Polónia.
Estivemos nos 16 melhores
do mundo, mas não entramos na galeria dos 8 melhores. Que bom seria se também estivéssemos
nos 16 melhores em prosperidade económica, em qualidade de vida e em confiança nas
instituições. Foi pena e até houve portugueses que choraram, mas por isso não
veio mal ao mundo, nem ao país. Os jogadores lutaram com brio e com dignidade e
não há que lhes atribuir culpas, nem tão pouco ao selecionador, nem sequer ao Cristiano
e, muito menos, ao guarda redes Diogo Costa. É futebol, uns ganham, outros perdem. Simplesmente, o Mundial acabou para os portugueses
Lamentavelmente, as
televisões passaram horas a fio a falar daquele jogo, entrevistando meio mundo,
querendo saber quem iria marcar os golos, confundindo o dever de informar e o nosso
direito a ser informados. Foi um sufoco que também acabou.
Com 41 anos de idade,
Cristiano Ronaldo tornou-se o único futebolista a marcar golos em seis Mundiais
e, com as suas qualidades e os seus defeitos, tornou-se um símbolo do futebol português
e até da própria portugalidade, como tantas vezes vimos nas reportagens televisivas.
Chorou e a fotografia do seu desalento encheu a primeira página de muitos jornais
mundiais. Aqui lhe deixo o meu aplauso.
