quinta-feira, 23 de julho de 2026

Alterações climáticas ameaçam a Europa

O problema das alterações climáticas está na ordem do dia, pelo menos desde a Cimeira de Paris de 2015, quando 195 países assinaram um acordo destinado a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Porém, o compromisso assumido tem sido ignorado ou adiado por alguns dos seus subscritores, devido a factores muito diversos em que se destacam as práticas das poderosas indústrias dos combustíveis fósseis e os seus lobbies, bem como os governos focados em interesses de curto prazo ou sem ambição reformista.
O facto é que nos anos mais recentes, os efeitos das alterações climáticas se estão a agravar em todo o nosso planeta, com ondas de calor e calores extremos, incêndios florestais que devastam extensas áreas, secas severas, tempestades com alto poder destruidor e inundações repentinas e incontroláveis, assim como o degelo acelerado de glaciares e a consequente subida do nível da água do mar. Tudo isto acontece no mundo, mas também na Europa como regularmente é relatado pela imprensa.
Há dois dias, a edição do diário escocês The National, que se reclama ser “the newspaper that supports an independent Scotland”, quase ignora o novo primeiro-ministro britânico e dedica a sua edição às alterações climáticas, escolhendo para manchete a frase “climate change is no longer a distant threat”, isto é, as alterações climáticas já não são uma ameaça distante. Para justificar esse título, o jornal informa, em subtítulo da mesma primeira página, que os activistas alertam que os escoceses estão a dormir e não estão atentos aos incêndios alimentados pelo aquecimento global que estão a devastar a Escócia”.
Afinal, a ideia dos europeus que as alterações climáticas era um problema da Europa mediterrânica, não corresponde à verdade.

Os americanos e a guerra do Irão

O futebol e o Mundial mobilizaram todas as atenções do mundo e os mass media quase ignoraram os problemas importantes, como as guerras da Ucrânia e do Irão, as alterações climáticas, as migrações descontroladas ou a instabilidade económica global.
Agora todos esses temas regressam às agendas da comunicação internacional e, em relação às guerras, ficamos a saber que está tudo na mesma, ou talvez não.
De facto, os maiores jornais americanos, entre os quais o The Wall Street Journal, publicam hoje com destaque de primeira página, uma fotografia da chegada a Dover, no Delaware, das urnas de quatro militares americanos mortos na guerra do Irão, onde foram recebidas pelo presidente Donald Trump e por Peter Hegseth, o ex-apresentador de televisão que é Secretário de Defesa dos Estados Unidos. 
Ao contrário dos nossos comentadores encartados de política internacional – que têm andado desaparecidos dos écrãs televisivos – nós pouco sabemos do que se passa nas guerras em curso, porque só sabemos aquilo que as agências noticiosas e aqueles que as controlam querem que nós saibamos e tudo nos é servido para consumo, isto é, as verdades e as mentiras, a informação e a desinformação.
Porém, a fotografia da chegada das urnas dos militares americanos vai agitar o subconsciente americano e recordar a tragédia que foi a guerra do Vietnam (1955-1975) e a derrota americana, mas também vai abalar ainda mais o decadente prestígio interno de Donald Trump, cuja continuada fanfarronice em relação aos sucessos contra o Irão parece não ter fundamento.
Dizem muitos especialistas que os Estados Unidos perderam a guerra do Vietnam porque perderam o apoio da sua opinião pública, que assistia pela televisão às trágicas e brutais imagens da guerra. Os tempos são outros, mas a fotografia hoje publicada na imprensa americana vai certamente produzir efeitos na opinião pública americana