O problema das
alterações climáticas está na ordem do dia, pelo menos desde a Cimeira de Paris
de 2015, quando 195 países assinaram um acordo destinado a reduzir as emissões
de gases com efeito de estufa. Porém, o compromisso assumido tem sido ignorado
ou adiado por alguns dos seus subscritores, devido a factores muito diversos em
que se destacam as práticas das poderosas indústrias dos combustíveis fósseis e
os seus lobbies, bem como os governos
focados em interesses de curto prazo ou sem ambição reformista.
O facto é que nos
anos mais recentes, os efeitos das alterações climáticas se estão a agravar em
todo o nosso planeta, com ondas de calor e calores extremos, incêndios
florestais que devastam extensas áreas, secas severas, tempestades com alto
poder destruidor e inundações repentinas e incontroláveis, assim como o degelo
acelerado de glaciares e a consequente subida do nível da água do mar. Tudo
isto acontece no mundo, mas também na Europa como regularmente é relatado pela
imprensa.
Há dois dias, a
edição do diário escocês The National, que se reclama ser
“the newspaper that supports an independent Scotland”, quase ignora o novo
primeiro-ministro britânico e dedica a sua edição às alterações climáticas,
escolhendo para manchete a frase “climate change is no longer a distant threat”,
isto é, as alterações climáticas já não são uma ameaça distante. Para
justificar esse título, o jornal informa, em subtítulo da mesma primeira página,
que os activistas alertam que os escoceses estão a dormir e não estão atentos
aos incêndios alimentados pelo aquecimento global que estão a devastar a
Escócia”.
Afinal, a ideia
dos europeus que as alterações climáticas era um problema da Europa
mediterrânica, não corresponde à verdade.

