O futebol e o
Mundial mobilizaram todas as atenções do mundo e os mass media quase ignoraram os problemas importantes, como as
guerras da Ucrânia e do Irão, as alterações climáticas, as migrações
descontroladas ou a instabilidade económica global.
Agora todos esses
temas regressam às agendas da comunicação internacional e, em relação às
guerras, ficamos a saber que está tudo na mesma, ou talvez não.
De facto, os
maiores jornais americanos, entre os quais o The Wall Street Journal,
publicam hoje com destaque de primeira página, uma fotografia da chegada a
Dover, no Delaware, das urnas de quatro militares americanos mortos na guerra
do Irão, onde foram recebidas pelo presidente Donald Trump e por Peter Hegseth,
o ex-apresentador de televisão que é Secretário de Defesa dos Estados
Unidos.
Ao contrário dos nossos
comentadores encartados de política internacional – que têm andado desaparecidos
dos écrãs televisivos – nós pouco sabemos do que se passa nas guerras em curso,
porque só sabemos aquilo que as agências noticiosas e aqueles que as controlam
querem que nós saibamos e tudo nos é servido para consumo, isto é, as verdades
e as mentiras, a informação e a desinformação.
Porém, a
fotografia da chegada das urnas dos militares americanos vai agitar o
subconsciente americano e recordar a tragédia que foi a guerra do Vietnam
(1955-1975) e a derrota americana, mas também vai abalar ainda mais o decadente
prestígio interno de Donald Trump, cuja continuada fanfarronice em relação aos
sucessos contra o Irão parece não ter fundamento.
Dizem muitos
especialistas que os Estados Unidos perderam a guerra do Vietnam porque
perderam o apoio da sua opinião pública, que assistia pela televisão às
trágicas e brutais imagens da guerra. Os tempos são outros, mas a fotografia
hoje publicada na imprensa americana vai certamente produzir efeitos na opinião
pública americana…

Vivemos tempos muito estranhos! Um abraço
ResponderEliminarAlfredo Sanches Vieira