segunda-feira, 25 de maio de 2026

A maturidade democrática de Cabo Verde

A República de Cabo Verde, ou simplesmente Cabo Verde, é um país constituído por dez ilhas, divididas entre o grupo de Barlavento e o grupo de Sotavento e com a sua capital na cidade da Praia, na ilha de Santiago. 
Cabo Verde tem um pouco mais de 500 mil habitantes, mas haverá mais caboverdianos em Portugal, em França e nos Estados Unidos, do que no próprio país. Independente desde 1975, é uma democracia estável em que existe paz social e uma verdadeira alternância do poder.
No passado dia 17 de maio realizaram-se eleições legislativas para escolher os seus 72 deputados. Havia 414.088 eleitores inscritos e entraram nas urnas 192.746 votos, isto é, o país também sofre da "abstencionite", embora o fenómeno da emigração caboverdiana justifique uma boa parte dessa elevada abstenção.
Apresentaram-se ao sufrágio cinco partidos, com destaque para o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) de Francisco Carvalho que conseguiu eleger 36 deputados e para o Movimento para a Democracia (MpD) de Ulisses Correia e Silva, que conseguiu 32 deputados. Estes partidos inverteram posições: o PAICV ganhou 6 lugares e ficou com a maioria absoluta, enquanto o MpD perdeu 6 deputados e vai perder o atual 1º ministro Ulisses Correia e Silva, que vai ceder o cargo a Francisco Carvalho. Tudo com exemplar normalidade democrática e, assim, Cabo Verde avança.
Também concorreram às eleições a União Caboverdiana Independente e Democrática (UCID) que elegeu 2 deputados, o Partido de Trabalho e Solidariedade (PTS) e o Partido Social Democrata (PSD) que não elegeram quaisquer deputados.
O que aqui se regista com agrado é a exemplar maturidade democrática de Cabo Verde, que a edição do semanário Expresso das Ilhas acentua e, porque aí vem o Mundial de Futebol, aqui se deseja que a equipa de Cabo Verde tenha muito sucesso para alegria de caboverdianos e de portugueses.

Os líderes fracos e o declínio da Europa

Como tem sido evidente desde há alguns anos e como neste espaço tem sido salientado algumas vezes, a Europa está em acentuado declínio e tem desperdiçado o seu histórico capital de credibilidade perante o mundo, sobretudo porque tem sido dirigida por gente incompetente, vaidosa e medíocre. Gente que, simplesmente não presta. 
A edição de fim-de-semana do jornal The Guardian inclui uma excelente reportagem sobre a impopularidade dos líderes europeus, salientando the sinking feeling, ou o sentido de afundamento. A capa desta edição é esclarecedora, com uma embarcação a afundar-se com Keir Starmer, Emmanuel Macron e Friedrich Merz, enquanto Pedro Sánchez e Giorgia Meloni usam bóias que ainda os poderão salvar. Segundo a ilustração, apenas a dinamarquesa Mette Frederiksen consegue salvar-se numa pequeno bote a remos, porque enfrentou com coragem o fanfarrão americano.
O jornal revela os índices de popularidade, ou de apoio-rejeição, dos líderes europeus: Starmer (27-63), Merz (19-76) e Macron (18-75), isto é, são ainda mais impopulares que Donald Trump (38-57). Quando os líderes alemão e francês, que também são os líderes da União Europeia, têm apenas o apoio de 19% e de 18% dos seus cidadãos, é caso para nos preocuparmos, tal como nos sentimos enganados quando vemos as tristes figuras que fazem os submissos Mark Rutte e Ursula van der Leyen.
Evidentemente que os europeus não aceitam a timidez, ou até a cobardia, destes líderes perante Donald Trump, nem a sua passividade, ou mesmo cumplicidade, face ao comportamento criminoso de Netanyahu. Nem reconhecem que a solução do problema ucraniano esteja na entrega de rios de dinheiro a Zelensky e na aplicação de sanções a Putin. 
Significa, portanto, que os líderes europeus têm estado do lado errado, do lado de quem não privilegia a paz, do lado do extremismo e a favor dos interesses das indústrias do armamento e que são cúmplices com a desinformação que tem enganado os europeus.