quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A emergência climática ameaça a Europa

Há uma parte da Europa que está preocupada com o seu reequipamento militar para fazer face à “ameaça que vem do leste”, pelo que vai gastar 5% do PIB em despesa militar, mas há outra parte que sofre com os efeitos das alterações climáticas, que parecem não ser uma prioridade para as autoridades europeias.
De facto, há uma emergência climática que está abalar a Europa, com elevadas temperaturas, extensas áreas devastadas por fogos florestais, a falta de chuva e elevados níveis de seca e, mais recentemente, com a brutal redução do caudal dos rios. Todos estes fenómenos estão a causar mortes, a afetar as populações e a ter um grande impacto económico em muitos países europeus.
O diário alemão Frankfurter Rundschau que se publica na cidade alemã de Frankfurt am Main escolheu como manchete da sua edição de hoje uma frase relativa ao reduzido caudal do Reno e escreveu “a economia está em crise, a seleção nacional de futebol enfrenta dificuldades e, agora, o Reno também está a secar”. Hoje, também o diário Die Tageszeitung que se publica em Berlim, salienta os níveis muito baixos do caudal dos rios Reno, Elba e Danúbio, escrevendo em manchete que “o nível de água alemão baixa para o nível de [Friedich] Merz”, o chanceler alemão. No caso do rio Reno, que é uma das principais vias fluviais no centro da Europa, no último fim-de-semana registou o nível de água mais baixo de sempre.
Porém, não é só na Alemanha que o problema é grave. Os incêndios em Espanha, França, Escócia, Itália e Grécia têm sido devastadores. Na Roménia, na Hungria, na Itália, na Eslováquia e na Croácia, a falta de chuva e o calor extremo já perturbam a economia e o abastecimento de água já tem restrições. As autoridades romenas e húngaras foram obrigadas a parar o funcionamento dos seus reatores nucleares por não haver água no Danúbio para os refrigerar.
A emergência climática e a “grande seca europeia” estão a levar a mínimos históricos os caudais do Danúbio, do Reno e de outros rios, afetando a produção das centrais nucleares, o abastecimento público de água, o transporte de mercadorias e o importante turismo fluvial europeu, vendo-se muitas áreas que normalmente estão submersas a emergir devido aos níveis muito baixos dos caudais.
Como é evidente, estes são alguns dos verdadeiros perigos que ameaçam a Europa.