domingo, 20 de setembro de 2026

Robert Schuman, sempre o Pai da Europa

A edição de hoje do diário francês La Croix, um  jornal católico que se publica em Paris e que tem uma alargada difusão por todo o país, para além do seu habitual noticiário geral, inclui uma desenvolvida reportagem, que também é uma homenagem dedicada a Robert Schuman.
Robert Schuman (1886-1963) foi um verdadeiro europeu, pois nasceu no Luxemburgo, estudou na Alemanha e radicou-se em França, onde exerceu advocacia e teve actividade política como democrata-cristão. Durante a guerra integrou a Resistência Francesa e foi preso pela Gestapo. Com o fim da II Guerra Mundial tornou-se 1º Ministro da França (1947-1948) e seu Ministro dos Negócios Estrangeiros (1948-1953), tendo nessa condição feito um famoso discurso em Estrasburgo, no dia 9 de maio de 1950, que ficou conhecido como a Declaração Schuman.
Nessa histórica declaração lida quando a Europa ainda estava devastada pela guerra, Schuman disse que qualquer guerra entre a França e a Alemanha, rivais históricos, se tornaria "não apenas impensável, mas materialmente impossível" e declarou que "a paz mundial não pode ser salvaguardada sem esforços criativos proporcionais aos perigos que a ameaçam". Além disso, defendeu uma Europa unida, o estabelecimento de relações pacíficas entre todos e propôs que a produção franco-alemã de carvão e aço ficasse sob a alçada de uma autoridade internacional, aberta à participação de outros países europeus, daí nascendo a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), que esteve na origem da actual União Europeia.
Entre 1958 e 1960, Robert Schuman foi o primeiro presidente do Parlamento Europeu que, no final do seu mandato o distinguiu com o título de Pai da Europa. Robert Schuman não esteve sozinho na construção da “ideia de Europa” e com ele estiveram Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide De Gaspieri, Paul-Henri Spaak e outros grandes estadistas, mas se Schuman hoje ressuscitasse e visse o que está a acontecer nesta Europa de António Costa, de Ursula von der Leyen e daqueles que os escolheram, ficaria decepcionado ao verificar que eles não estão a fazer os “esforços criativos proporcionais aos perigos que ameaçam a Europa”, vindos de todas as direcções. 
Essa é a mensagem implícita do jornal La Croix, ao homenagear Robert Schuman.