quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Reis de Espanha visitam Ceuta e Melilla

Dois meses e meio depois da entrada massiva de imigrantes em Ceuta e em tempo de grande tensão, aquela cidade autónoma espanhola recebeu ontem a visita dos Reis de Espanha, que foram recebidos com grande entusiasmo popular, até porque desde 2007 que um chefe de Estado espanhol não visitava as cidades autónomas de Ceuta e Melilla. O significado desta visita é politicamente muito importante e é ainda mais relevante porque os reis de Espanha não só estão de visita às duas cidades, como pernoitaram em Ceuta, uma coisa que nunca tinha acontecido com qualquer chefe de Estado espanhol.
Toda a imprensa espanhola dá grande destaque a esta visita e, na sua edição de hoje, o jornal ABC destaca em manchete as palavras de Felipe VI: “la soberania de nuestro país no es negociable”, numa clara advertência às pretensões de Marrocos.
O processo histórico da Península Ibérica foi muito complexo e teve disputas entre muitos povos, dando origem a várias nações e a dois estados independentes, mas tem algumas peculiaridades, como são as cidades autónomas de Ceuta e Melilla que, estando fisicamente no norte de África, estão sob soberania espanhola há mais de cinco séculos. Porém, há outras peculiaridades ibéricas como acontece com o território ultramarino de Gibraltar que os britânicos ocupam desde 1713, ou com o território do município português de Olivença que os espanhóis ocupam ilegalmente desde 1801. Para todos estes casos há argumentos de toda a espécie, mas para todos eles se aplica o princípio da soberania popular, isto é, será que os ceutis e os melillenses querem ser marroquinos, ou que os gibraltinos querem ser espanhóis, ou que os oliventinos querem voltar a ser portugueses?
Contudo, o que não parece adequado ao século XXI são as iniciativas como aquelas que o governo de Marrocos objectivamente patrocinou em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho de 2026.