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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Joana Vasconcelos: exposição em Málaga

A cidade espanhola de Málaga é a capital da província do mesmo nome, sendo uma das oito províncias da comunidade autónoma da Andaluzia, que é a maior das 17 comunidades autónomas espanholas e é do tamanho de Portugal. A cidade situa-se na orla do mar Mediterrâneo, é a capital da Costa del Sol e tem 600 mil habitantes, a que se juntam milhões de turistas. 
Nesta cidade nasceu Pablo Picasso, um dos mais influentes artistas mundiais do século XX, sobretudo na pintura, na escultura e na cerâmica e, em sua homenagem, a cidade criou o Museo Picasso Málaga. Este museu foi inaugurado em 2003 e recebeu 285 obras doadas por membros da família de Picasso, o que o torna uma referência no panorama museológico espanhol.
Neste museu é hoje inaugurada uma exposição de Joana Vasconcelos intitulada Transfiguración, em que estarão expostas 13 obras produzidas entre a década de 1990 e a actualidade, que poderão ser vistas até 27 de setembro em salas de dois andares do museu. Segundo a informação já divulgada pelo museu, a exposição integra obras cedidas por instituições como a Fundação Louis Vuitton, o Museu de Arte Contemporânea de Castela e Leão (MUSAC), o Museu Extremenho e Iberoamericano de Arte Contemporânea (MEIAC), a Fundação EDP, a Coleção Luis Adelantado e o próprio estúdio de Joana Vasconcelos. 
É uma grande exposição e em declarações que fez, a artista disse que “este diálogo no espaço com Picasso” é um marco importante na sua carreira. A edição de hoje do diário malaguenho La Opinión destaca na sua primeira página el art de Joana Vasconcelos com uma fotografia em que a artista aparece junto do sapato de salto alto que criou em 2009 com panelas Silampos e respectivas tampas, a que deu o título Marilyn
Afinal não são apenas os nossos artistas-futebolistas que são apreciados no estrangeiro…

segunda-feira, 29 de abril de 2024

A arte espanhola a deslumbrar a China

Na sua edição do último sábado o jornal Shanghai Daily destacou como manchete a exposição que está acontecer no Museum of Art Pudong da cidade de Shanghai, desde o dia 23 de abril e que se vai estender até ao dia 1 de setembro. Trata-se da maior exposição realizada na China pelo Museo Nacional del Prado e que tem por título Idades de Esplendor: Uma História da Espanha no Museu do Prado, na qual estão expostas setenta pinturas originais seleccionadas da coleção do Museu do Prado, metade das quais nunca foram vistas na Ásia, dezasseis que saem da Espanha pela primeira vez e nove que sairão do Museu do Prado pela primeira vez. O jornal escolheu como ilustração da sua capa a fotografia de “La Inmaculada Conceptión de Aranjuez”, um óleo de Bartolomé Esteban Murillo, de circa de 1675.
Na exposição estão representados cerca de cinquenta pintores de primeiro plano da arte europeia, que o público chinês vai poder apreciar, entre os quais Ticiano, Veronese, El Greco, Rubens, Velásquez, Goya, Murillo, Zurbarán, Ribera e outros, pelo que o jornal escreve em primeira página que a exposição da colecção vinda de Madrid é “uma festa para os olhos”.
A cxposição enquadra-se, naturalmente, numa aproximação cultural entre a Espanha e a China, sendo uma lição a aprender pela nossa diplomacia económica e cultural, se porventura estiver activa. Durante muitos anos falou-se de Macau como “porta giratória” para potenciar os interesses portugueses na China, mas são os espanhóis que marcam pontos sem precisarem de portas...

sexta-feira, 15 de março de 2024

A viagem de um Concorde-peça-de-museu

Um avião Concorde com as cores da British Airways percorreu nos dois últimos dias o rio Hudson sobre uma barcaça, desde os estaleiros navais GMD em Brooklyn até ao Intrepid Sea, Air and Space Museum, situado no Pier 86 em Manhattan, na cidade de Nova Iorque. Por razões de segurança, a viagem foi feita em duas etapas, o que permitiu a captura de interessantes fotografias do famoso avião a passar pela Estátua da Liberdade e pelo World Trade Center, além de outros edifícios marcantes do West Side, uma das quais foi publicada em primeira página na edição de hoje do jornal londrino The Times.
O Concorde foi o avião comercial mais rápido do mundo, tendo realizado a mais rápida viagem entre os aeroportos JFK (Nova Iorque) e Heathrow (Londres) em 2 horas, 52 minutos e 59 segundos. No ano de 2003 um Concorde chegou ao Intrepid Museum, um museu instalado a bordo do navio-museu USS Intrepid, um porta-aviões da época da 2ª Guerra Mundial que se encontra no Pier 86, no West Side de Manhattan. 
Neste museu, o Concorde tornou-se a sua principal atracção, mas no passado mês de Agosto foi retirado da sua exposição permanente para ser sujeito a uma demorada operação de restauro nos estaleiros de Brooklyn. Como então se escreveu, o avião que voara à supersónica velocidade de 2.160 km/h, fez uma viagem subsónica para Brooklyn numa barcaça a 9,2 km/h.
Agora, depois de concluídos os trabalhos de restauro e repintura, o British Airways Concorde regressou a casa para recuperar a sua condição de atracção maior.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Grandes exposições de regresso a Lisboa

Frontispício do catálogo da exposição
Depois do sucesso internacional que foi a Expo 98, a cidade de Lisboa entrou no calendário cultural europeu por via de grandes exposições e de grandes concertos, tendo havido quem dissesse que não era necessário ir a Paris, Londres ou Berlim para acompanhar a melhor oferta cultural europeia. Porém, esse dinamismo cultural quebrou com a crise do covid 19, mas parece ter reaparecido recentemente. 
Por iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian, desde o dia 10 de Novembro que na sua galeria principal de exposições do edifício-sede, está patente a exposição “O Tesouro dos Reis. Obras-primas do Terra Sancta Museum”, organizada pelo Museu Calouste Gulbenkian em colaboração com o Terra Sancta Museum de Jerusalém. A exposição mostra uma parte do tesouro artístico do Terra Sancta Museum, constituído por doações feitas por monarcas católicos europeus a várias igrejas da Palestina, incluindo a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Na tradição cristã, este templo é o local da morte, sepultura e ressureição de Jesus de Nazaré e o envio de ofertas significava a devoção católica dos monarcas europeus, mas também a exibição do seu poder. Assim, diversos soberanos, como Filipe II de Espanha, Luís XIV de França, João V de Portugal, Carlos VII de Nápoles ou Maria Teresa de Áustria, enviaram importantes recursos materiais e financeiros destinados ao sustento das igrejas e comunidades locais, mas também objectos artísticos, tais como ourivesaria, pintura, escultura, têxteis, mobiliário e moedas de ouro, entre outras preciosidades. Como alguém escreveu, são “mil anos de história”, mas também da história da arte.
A exposição é servida por um excelente catálogo de 288 páginas e estará patente até ao dia 26 de Fevereiro, seguindo depois para Santiago de Compostela, Florença e Nova Iorque.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Aplauso pelo novo Museu do Tesouro Real

Foi inaugurado na tarde de hoje com a devida pompa, o novo Museu do Tesouro Real que está instalado na nova ala do Palácio da Ajuda em Lisboa e que será aberto ao público a partir de amanhã. Desta forma se concretiza uma ideia antiga que era a de expor ao público as jóias da Casa Real portuguesa, muitas das quais nunca foram mostradas e que, nalguns casos, estiveram guardadas em cofres durante muitas dezenas de anos. Trata-se, portanto, de um grande acontecimento cultural que só pode orgulhar os portugueses, que a edição do jornal Público justamente destacou.
O novo museu representa um investimento de 31 milhões de euros, que foi financiado por uma parceria em que participaram o Ministério da Cultura, a Câmara Municipal de Lisboa e a Associação do Turismo de Lisboa, podendo afirmar-se que é menor do que o investimento que fazem muitos clubes de futebol portugueses com a compra futebolistas.
Das notícias divulgadas destacam-se as informações relativas aos aspectos museológicos, uma vez que a exposição permanente começou a ser pensada há seis anos por uma equipa de especialistas, mas também à segurança do conteúdo expositivo. Este foi, porventura, o maior desafio para o projecto de arquitectura da nova ala do Palácio da Ajuda, inacabada há 226 anos. Nele está “incrustada” uma caixa-forte que é uma das maiores do mundo, com 40 metros de comprimento por 10 de largura e 10 de altura. A caixa-forte dispõe de duas portas blindadas de 5 toneladas cada uma, à entrada e à saída. Quando estas portas estão abertas, a entrada e a saída na caixa-forte é protegida por portas com vidros à prova de bala. Para entrar no Museu do Tesouro Real os visitantes terão de passar por um controlo de segurança semelhante aos dos aeroportos, que é inédito nos museus portugueses.
A caixa-forte guarda de forma permanente 736 peças, entre as quais a Coroa Real mandada fazer por D. João VI, bem como 22 mil pedras das quais 18 mil são diamantes, mas o conteúdo das 76 vitrinas da exposição, que também estão protegidas por vidros à prova de bala, contém inúmeras e belas peças a a guardar a nossa contemplação.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Histórias de Um Império: exposição a ver

A pandemia do covid-19 desorientou bastante as nossas vidas e os nossos hábitos sociais e culturais mas, apesar de ainda ser necessária muita prudência, começa a sentir-se algum desanuviamento. A vida social agita-se com a retoma das férias, com a chegada dos turistas e com a frequência de restaurantes, enquanto as iniciativas culturais começam a aparecer sobretudo quando podem garantir o “distanciamento social” que as autoridades sanitárias recomendam. Assim acontece com as exposições que, quando são bem planeadas e organizadas, significam aprendizagem e fruição cultural.
Quando ainda está activa no Palácio da Ajuda a excelente exposição D. Maria II. De princesa brasileira a rainha de Portugal. 1819-1853, surge na cidade de Lisboa uma outra exposição intitulada Histórias de Um Império, apresentada pela Fundação Oriente e comissariada por um reconhecido especialista nas artes orientais que é Nuno Vassalo e Silva.
Trata-se uma exposição inédita de obras da Colecção Távora Sequeira Pinto, que documenta, com 150 peças, as relações artísticas entre Portugal e as culturas do império asiático. A exposição centra-se em oito núcleos temáticos e mostra “a riqueza, a complexidade e a surpreendente beleza da arte produzida nas redes comerciais criadas por Portugal, um pouco por toda a Ásia”. As obras de arte e os objetos característicos apresentados documentam uma diversidade muito alargada de origens, tipologias e materiais.
A exposição estará patente até Outubro de 2022 e conta com a publicação de um catálogo que reúne textos de investigadores nacionais e estrangeiros, especialistas nas temáticas abordadas. Segundo foi anunciado, a importante colecção particular de Távora Sequeira Pinto vai encontrar uma nova casa no Matadouro Industrial de Campanhã, uma das 16 futuras “estações” do Museu da Cidade do Porto.
Eu já visitei e recomendo.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Princesa brasileira, Rainha de Portugal

A exposição que está patente na Galeria do Rei D. Luís do Palácio Nacional da Ajuda com o título D. Maria II. De princesa brasileira a rainha de Portugal. 1819-1853, é um acontecimento cultural relevante, não só por representar a retoma das grandes iniciativas culturais a que a cidade de Lisboa já nos habituara e que a crise pandémica suspendera desde há muitos meses, mas também pela grande qualidade expositiva e diversidade de conteúdos.
A exposição celebra o 200º aniversário do nascimento da rainha D. Maria II e foi organizada pelo Museu da Presidência da República (MPR) e pelo Palácio Nacional da Ajuda (PNA), apresentando várias centenas de peças e documentos provenientes de diversos museus, autarquias e coleccionadores privados, bem como do Governo Regional dos Açores, muitas das quais foram restauradas para esta exposição. De entre as obras que ficarão em exposição até ao dia 29 de setembro, destacam-se várias joias pessoais de D. Maria II e a Coroa Real Portuguesa que há mais de duas décadas não era exposta ao público, bem como a bandeira utilizada pelas forças liberais na ilha Terceira, que fora bordada pela própria princesa Maria da Glória.
A exposição evoca a vida e o reinado da rainha que nasceu no Brasil em 1819, que era filha de D. Pedro IV e da imperatriz Leopoldina, mas que veio a falecer precocemente em 1853, durante o parto do seu 11º filho. Dois dos seus filhos - D. Pedro V e D. Luís - foram reis de Portugal.  No seu reinado, que iniciou em 1834 com 15 anos de idade, o país passou do absolutismo ao constitucionalismo e, apesar de ser um período de grande instabilidade que se seguiu à guerra civil, abriu as portas a grandes transformações sociais, económicas e culturais.
Um excelente catálogo apoia a belíssima exposição que, naturalmente, se recomenda que seja visitada, pela sua qualidade pedagógica, documental e estética.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Diálogos com Picasso para ver em Málaga

Na passada segunda-feira o Museo Picasso Málaga inaugurou aquilo a que chamou a nova arrumação da sua colecção da obra de Picasso na sua exposição permanente e deu-lhe por título Diálogos com Picasso.
O jornal Málaga hoy apresenta hoje uma desenvolvida reportagem sobre a exposição que homenageia o mais famoso de todos os malagueños e, para ilustrar a capa dessa edição, escolheu a fotografia da tapeçaria encomendada em 1958 pelo museu, que reproduz o óleo sobre tela intitulado Les Demoiselles d'Avignon, que foi pintado em 1907 e que hoje pertence ao Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Segundo refere o jornal, a mostra “reúne 120 obras de um legado que compreende as 233 obras que constituem os fundos do Museo Picasso Málaga”, acrescidas de 162 obras cedidas pela Fundación Almine y Berrnard Ruiz-Picasso para el Arte (FABA), pelo que o visitante poderá observar 44 pinturas, 49 desenhos, 40 trabalhos gráficos, dez esculturas, 17 cerâmicas, uma tapeçaria e muitos trabalhos em linóleo. É muita coisa para ver. Nesses casos, o visitante por vezes perde-se e confunde-se com o excesso de informação, mas a direcção do museu afirma ter proposto uma exposição que satisfaça esteticamente o visitante e que permita que ele termine a visita com a sensação de “haber entendido a Picasso”.
De Lisboa a Málaga são 650 quilómetros e os Diálogos com Picasso estarão disponíveis até 2023. Sabe-se lá se, depois do covid-19, ainda me meto a caminho.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O Museu do Louvre celebra Leonardo

É inaugurada hoje em Paris e estará patente ao público durante cinco meses no Hall Napoléon do Museu do Louvre, uma exposição evocativa do 500º aniversário da morte de Leonardo da Vinci.
O genial Leonardo viveu no Château du Clos Lucé em Amboise, a pouca distância da residência do rei Francisco I de França, que o convidara para a sua Corte e o nomeara "Primeiro Pintor, Engenheiro e Arquiteto do Rei", tendo ali  vivido três anos entre 1516 e 1519, o ano da sua morte. Por isso, embora seja italiano, a França também parece reivindicar alguma coisa do seu génio.
A exposição está a despertar um invulgar interesse. É a loucura, segundo revela o jornal Aujourd’hui en France. É a maior exposição dedicada ao génio de Leonardo e reúne 162 obras no mesmo espaço expositivo, incluindo 11 das 20 das suas pinturas conhecidas, além de desenhos e manuscritos, que foram identificados e reunidos ao longo de dez anos, num trabalho de pesquisa que exigiu pedidos de empréstimo em todo o mundo. O Museu do Louvre é o principal participante até porque possui a maior colecção de obras de Leonardo, mas a exposição inclui empréstimos de obras cedidas pelo Museu Hermitage de São Petersburgo, pelo British Museum e pelo Museu do Vaticano, entre outros museus de referência mundial. Até a rainha Isabel II permitiu que 24 desenhos que estão na posse da coroa britânica fossem enviados para Paris para serem expostos temporariamente no Louvre. Um desenho pertencente à colecção da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto também integra a exposição.
Curiosamente, a mais famosa obra de Leonardo, a Mona Lisa ou Gioconda, não estará na exposição e só poderá ser vista na galeria onde habitualmente se encontra, porque os organizadores da exposição entenderam que as cerca de 30 mil pessoas que todos os dias querem ver e fotografar aquela obra criariam engarrafamentos intoleráveis na área da exposição. Apesar disso, esperam-se 600 mil visitantes na exposição mais importante do ano que pagarão 17 euros pela visita, mas que terão obrigatoriamente de fazer uma reserva. Porém, diz o jornal que 220 mil bilhetes já estão vendidos...

domingo, 29 de setembro de 2019

Sevilla apresenta “el viaje más largo”

Como tem sido referido em diversos textos já aqui publicados, a frota de Fernão de Magalhães que com a bandeira de Castela saíu para descobrir a passagem do oceano Atlântico para o Mar do Sul e chegar às Molucas navegando para ocidente, largou de Sevilha no dia 10 de Agosto de 1519 e percorreu cerca de 80 quilómetros até à foz do rio Guadalquivir em Sanlúcar de Barrameda. Aí permaneceu durante algumas semanas para ultimar os preparativos da viagem, largando finalmente no dia 20 de Setembro.
Agora que se comemora o 5º Centenário dessa viagem que se tornou na primeira volta ao Mundo, a cidade de Sevilha que foi a capital da expansão marítima espanhola para as Américas e que hoje é uma cidade moderna, dinâmica e ambiciosa, encontrou neste feito histórico uma oportunidade para assumir a liderança dessas comemorações.
Por isso, no quadro das actividades comemorativas espanholas, o programa preparado pela cidade de Sevilha é muito diversificado. Porém, a exposição El Viaje Más Largo: la primera vuelta al Mundo, que está patente em Sevilha no Archivo General de Indias e que apresenta 106 peças e documentos originais é, seguramente, um dos pontos mais altos destas comemorações.
A exposição foi inaugurada no dia 12 de Setembro pelos reis de Espanha e foi organizada pela Acción Cultural Española e pelo Ministerio de Cultura y Deporte, juntando uma colecção de documentos originais únicos, a par de uma apresentação pedagogicamente esclarecedora e com um relato que, no essencial, respeita a verdade histórica, embora seja evidente alguma marginalização da participação portuguesa na viagem. Porém, é uma excelente exposição que interessa a todos os estudiosos da epopeia marítima dos povos ibéricos e, por isso, alguns portugueses já fizeram os 500 quilómetros de Lisboa até Sevilha e, certamente, deram por bem empregue o seu tempo.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Joana Vasconcelos no Guggenheim Bilbao

Abre hoje ao público no Museu Guggenheim Bilbao e estará patente até ao dia 11 de Novembro, a exposição “I’m your mirror”, apresentada pela artista plástica Joana Vasconcelos. É a primeira vez que um artista português se apresenta individualmente no mais moderno museu da península Ibérica e esse facto tem um importante significado cultural, em termos de projecção da imagem de Portugal no mundo.
A exposição inclui uma selecção de trinta obras da mais internacional dos artistas portugueses da sua geração, realizadas entre 1997 e a actualidade, entre as quais 14 obras inéditas, como sucede com a instalação de grande dimensão “Egeria”, concebida especificamente para ficar suspensa no átrio do museu concebido pelo arquiteto norte-americano Frank Gehry.
A exposição é uma antologia do trabalho que tem sido desenvolvido por Joana Vasconcelos e que já conquistou o reconhecimento internacional da crítica, designadamente em Versalhes e Veneza, exibindo algumas das obras emblemáticas dos primeiros anos da sua carreira como “Cama Valium” (1998), “Burka” (2002) e “A Noiva” (2001-2005), bem como alguns trabalhos mais recentes como “Marilyn” (2009-2011), “Lilicoptère” (2012), “A Todo o Vapor” (2012) e “Call Center” (2014-2016).
Não é fácil uma deslocação a Bilbau para ver esta importante exposição, mas já está anunciado que a mesma será apresentada a partir de Janeiro no Museu de Serralves.
E aqui está como a projecção da imagem de Portugal no mundo se faz através de um mix em que aparecem Cristiano Ronaldo, António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa, mas onde também entram Joana Vasconcelos e outros portugueses reconhecidos internacionalmente pelos seus méritos na arte, na música, na ciência, na literatura ou no desporto.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Uma tapeçaria que nos ensina a História

O presidente francês Emmanuel Macron estará amanhã em Londres em  visita oficial e espera-se que anuncie o empréstimo da Tapeçaria de Bayeux para ser exposta no Reino Unido. Se isso acontecer, será a primeira vez que essa famosa tapeçaria que conta a história da batalha de Hastings sairá de França.
A batalha de Hastings travou-se no dia 14 de Outubro de 1066 e opôs Guilherme da Normandia ao rei anglo-saxão Harald II ou a infantaria inglesa à cavalaria normanda. A batalha durou quase um dia inteiro em vez das habituais duas ou três horas e veio a decidir-se pelo uso do arco e flecha no momento decisivo da batalha. Segundo referiu um especialista, a batalha de Hastings assinalou a última vez que a Grã-Bretanha foi conquistada, o que nunca voltou a acontecer depois, nem com a Invencível Armada de Filipe II de Espanha, nem com o poderio de Napoleão, nem com os bombardeamentos aéreos e as ameaças de Hitler.
Muitos dos pormenores da batalha de Hastings são conhecidos através da grande Tapeçaria de Bayeux que foi encomendada dez anos depois da batalha pelo bispo de Bayeux, meio-irmão de Guilherme da Normandia, o vencedor da batalha.
A tapeçaria bordada no século XI é uma longa sucessão de quadros com meio metro de altura por 70 metros de comprimento, com desenhos e legendas complementares, que integra a exposição permanente do museu da cidade normanda de Bayeux, de onde só saiu muito raramente e nunca para o estrangeiro. A hipótese da quase milenar Tapeçaria de Bayeux sair pela primeira vez de território francês, que o diário The Times hoje pré-anunciou, é um acontecimento cultural importantíssimo no quadro das relações entre a França e o Reino Unido..

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Vikings, os Guerreiros do Mar

A exposição “Vikings, os Guerreiros do Mar” está patente no Museu de Marinha em Lisboa e é uma das mais interessantes exposições que actualmente se podem ver na capital.
Os vikings ou guerreiros do Norte habitaram há mais de mil anos nas regiões onde hoje estão a Suécia, a Dinamarca e a Noruega, navegaram pelas costas europeias até ao mar Negro e pela costa oriental americana. Deslocavam-se em embarcações rápidas e versáteis e atacavam as populações ribeirinhas com grande volência. Chegaram também ao território que hoje é Portugal e há registos da sua passagem por vários locais do Condado Portucalense e, mais a sul, pelos territórios islâmicos do Al-Andaluz, como Lisboa ou Alcácer do Sal.
A exposição inclui mais de seis centenas de peças originais e resulta de um conhecimento proporcionado pela investigação arqueológica, abordando muitos aspectos relacionados com a história e com a cultura viking.
Organizada pelo Museu Nacional da Dinamarca, a exposição apresenta um atraente lay out que a torna muito agradável e muito útil sob o ponto de vista didáctico, pelo que merece uma visita. A exposição está em itinerância e, antes de visitar Lisboa devido à intervenção do Museu de Marinha junto das autoridades culturais dinamarquesas, já tinha estado patente no Museu Arqueológico de Alicante.

domingo, 2 de abril de 2017

Que viva o Guernica e que viva Picasso

Uma grande exposição organizada em Madrid pelo Museu Reina Sofia vai celebrar o pintor Pablo Picasso, desde o próximo dia 4 de Abril até ao dia 4 de Setembro, a propósito do 80.º aniversário da criação de Guernica, o símbolo universal da crueldade da guerra e o mais famoso quadro do pintor. Hoje, o diário ABC dedica uma extensa e muito interessante reportagem ao famoso quadro.
Em 1937, em plena Guerra Civil, o governo republicano espanhol encomendou um mural a Picasso para figurar no pavilhão espanhol da Exposição Internacional de Paris de 1937. O tempo correu sem que Picasso executasse a encomenda, até que no dia 26 de Abril de 1937 os aviões da Legião Condor hitleriana bombardearam com grande violência a cidade basca de Guernica. Esse trágico acontecimento inspirou Picasso que em 33 dias realizou o trabalho com 3,51 por 7,82 metros e que foi montado no pavilhão espanhol no dia 4 de Junho. O êxito foi enorme e todos queriam ver a obra de Picasso. Quando a exposição de Paris terminou, o mural começou a circular: Noruega, Suécia, Dinamarca e Londres. Depois Estados Unidos e uma longa itinerância por Nova Iorque, Los Angeles, S. Francisco e Chicago. O Guernica regressou à Europa e foi exposto em Milão, depois foi até São Paulo e voltou de novo à Europa para ser visto na Alemanha, na Bélgica, na Holanda e na Dinamarca. Em finais dos anos 50 regressou aos Estados Unidos e Picasso declara então que o mural deveria ser devolvido ao povo espanhol quando as liberdades públicas fossem restauradas em Espanha.
Depois de muitas negociações o Guernica viajou para Espanha pela primeira vez em 1981 e em 1992 foi depositado no Museu Reina Sofia, onde agora se celebra também o 25º aniversário da sua chegada.
O símbolo universal dos horrores da guerra viajou muito, atravessou várias vezes o Atlântico e percorreu muitos milhares de quilómetros. De grandes dimensões e enrolado, sofreu muito com transportes e foi afectado por temperaturas e luminosidades. Guernica precisa de restauro e, apesar da complexidade dessa operação, parece que isso vai ser feito agora com o apoio técnico dos maiores especialistas mundiais..

quarta-feira, 22 de março de 2017

Lisboa, a cidade global que se apresenta

O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) está a exibir A Cidade Global, uma exposição sobre a  cidade de Lisboa no século XVI, quando a Rua Nova dos Mercadores era a maior praça financeira e o maior mercado de produtos exóticos da Europa. A exposição apresenta-se em torno de dois quadros descobertos em 2009 que representam essa famosa rua lisboeta. Nesses quadros, cuja autenticidade tem estado envolta em alguma polémica, está representada uma parte da vida da cidade, através de mercadores, saltimbancos, cavaleiros, jóias, sedas, especiarias, animais exóticos e outros objectos importados de África, do Brasil e da Ásia. É uma figuração quase única e que, como poucas, simboliza a vida da cidade na época dos descobrimentos.
O objetivo da exposição é exactamente a reconstituição do coração da cidade mais global da Europa do Renascimento e conta com 249 peças pertencentes a 77 emprestadores, muitas delas pouco conhecidas. A Cidade Global apresenta-se dividida por seis salas temáticas, nela se destacando aquela em que são apresentadas as novidades e o conhecimento científico do tempo, através da exposição de manuscritos, livros, mapas e outros objectos que simbolizam a grande aventura dos descobrimentos ou da expansão marítima portuguesa. Porém, as interacções culturais e a arte resultante do contacto com novas terras e novas gentes também estão devidamente representadas na exposição que é servida por um excelente catálogo.
Deve ser salientado que a cidade de Lisboa apresentou nas últimas semanas ou ainda apresenta duas outras grandes exposições sobre Amadeu de Sousa-Cardoso (MNAC) e sobre Almada Negreiros (FCG), o que parece significar um invulgar cosmopolitismo cultural contemporâneo, digno da herança da cidade global do século XVI.  
A exposição termina no dia 9 de Abril e, por isso, nenhum lisboeta deve deixar de agendar uma visita, pois é uma boa oportunidade para ver uma grande e invulgar exposição sobre um período tão rico da história portuguesa.

terça-feira, 7 de março de 2017

Almada ou uma maneira de ser moderno

Almada Negreiros, Retrato de Fernando Pessoa, 1964, FCG.
A Fundação Calouste Gulbenkian apresenta-nos desde há uma semana uma exposição de Almada Negreiros que tem por título José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno”, que é uma homenagem a um autor de talento que marcou o século XX em Portugal.
 obra de Almada Negreiros desdobrou-se por diferentes artes e formas, sempre com um sentido de inovação e de modernidade expressos na pintura, no desenho, na literatura ou no teatro. A exposição reflecte a sua diversidade artística e apresenta um vasto conjunto de obras que evidenciam a sua abordagem complexa, experimental e contraditória da modernidade, com evidentes sinais da sua ligação com os trabalhos que fez em parceria com arquitectos, escritores, editores, músicos, cenógrafos ou encenadores.
A exposição é completa, bem dimensionada e tem o apoio de um excelente catálogo, sendo apresentada num espaço amplo e apropriado, como a obra do artista merece e o público aprecia. Da sua obra móvel está lá tudo, desde os óleos pintados para a Alfaiataria Cunha, passando pelos seus auto-retratos e pelos seus numerosos estudos inspirados na geometria, até aos dois famosos retratos de Fernando Pessoa pintados em 1954 para o Restaurante Irmãos Unidos e em 1964 por encomenda da Fundação Gulbenkian.
Um mapa indica-nos a outra face da obra de Almada, dispersa por Lisboa e que, por exemplo, podemos ver nos frescos murais das Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha de Conde de Óbidos, nos vitrais da igreja de Nossa Senhora de Fátima, nas fachadas dos edifícios da Cidade Universitária ou, até ali ao lado, no mural em pedra gravada que decora o hall principal da sede da Fundação Gulbenkian.
A obra de Almada Negreiros merece ser conhecida e esta exposição é imperdível, podendo ser visitada até ao dia 5 de Junho.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Amadeo, pintor vanguardista português

O Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado tem estado a apresentar uma exposição dedicada a Amadeo de Souza-Cardoso, que evoca a apresentação que o pintor fez das suas obras no Porto e em Lisboa em 1916.
Amadeo vivia em Paris e já era um pintor reconhecido com exposições colectivas em Paris, Berlim, Nova Iorque, Chicago, Boston e Londres, mas no início da 1ª Guerra Mundial regressou a Portugal e, no ano de 1916, realizou exposições em Novembro no Porto e em Dezembro em Lisboa.
A exposição agora organizada intitula-se "Amadeo de Souza-Cardoso/Porto Lisboa/2016-1916” e foi apresentada no passado mês de Dezembro no Museu Soares dos Reis no Porto e, desde o dia 12 de Janeiro, no Museu do Chiado em Lisboa.
Dizem as críticas que as exposições de 1916 provocaram escândalo e debate. Em Lisboa,  a exposição proporcionou o encontro entre Amadeo e Almada Negreiros, que era um entusiástico admirador de Amadeo e que se referiu à exposição como “mais importante do que a descoberta do caminho marítimo para a Índia”. A exposição tem atraido muitos visitantes que esperam em demoradas filas e distribui-se por 7 salas, onde se apresentam 81 obras, das quais 52 pertencem a instituições públicas e 29 a colecções privadas.
Amadeo e a sua obra bem mereciam um espaço mais amplo, para que as pessoas não esperassem tanto tempo e não se acotovelassem nas pequenas salas onde as obras estão expostas.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Guernica: símbolo da crueldade da guerra

Nestes primeiros dias do ano e em jeito de balanço, a imprensa espanhola tem destacado três grandes temas que são as festas religiosas do Natal, a significativa quebra no desemprego e o enorme aumento do turismo, o que de resto parece ser uma característica ibérica.
Porém, no meio de alguma unanimidade noticiosa, o diário Málaga hoy anuncia a realização do Año Guernica que este ano se comemora e em que será homenageado Pablo Picasso, o mais famoso de todos os malaguenhos.
Pablo Picasso nasceu em Málaga em 1881 e de entre as suas obras mais famosas salienta-se Guernica, um painel pintado a óleo em 1937 por ocasião da Exposição Internacional de Paris e que foi exposto no pavilhão da República Espanhola. Esse enorme painel que mede 3,49 x 7,77 metros encontra-se em Madrid no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia e representa o bombardeamento efectuado no dia 26 de Abril de 1937 sobre a cidade basca de Guernica, situada a poucos quilômetros de Bilbau, por aviões alemães e italianos que apoiavam as forças nacionalistas do ditador Francisco Franco.
Guernica tornou-se um símbolo universal da crueldade da guerra e estão anunciadas grandes exposições no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia e no Museu Thyssen-Bornemisza em Madrid e no Museu de Barcelona.
No caso do Museu Rainha Sofia já está anunciada a exposição intitulada “Piedadd y terror em Picasso: el camino a Guernica” que celebrará os 80 anos de Guernica e que estará patente de 4 de Abril a 4 de Setembro, na qual poderão ser vistas cerca de 150 obras primas do pintor, provenientes de colecções de mais de três dezenas de instituições de todo o mundo. Uma grande oportunidade.

domingo, 25 de setembro de 2016

Bosch e a “exposição europeia do ano”

Tem estado exposta em Madrid uma mostra com o título El Bosco. A Exposição do V Centenário, que foi organizada pelo Museu do Prado e foi dedicada à obra do pintor holandês Hieronymus Bosch (1450-1516). A exposição foi inaugurada no dia 31 de Maio com pompa e circunstância e estava previsto que terminasse no dia 11 de Setembro, mas a enorme afluência de público obrigou ao seu prolongamento por mais duas semanas.
A mostra tornou-se numa verdadeira “exposição europeia do ano”, tendo registado mais de 600 mil visitantes. Nunca uma exposição temporária tivera tantos visitantes no Museu do Prado. Segundo os relatos da imprensa, designadamente na edição de hoje do Diário de Notícias, os horários da visita foram substancialmente dilatados e houve filas diárias contínuas que obrigaram a horas de espera.
Um pouco de todo o mundo vieram excursões propositadamente para ver as 21 obras de Bosch que o Museu do Prado reuniu. Entre os 21 quadros apresentados na mostra, provenientes de nove países europeus e de cinco cidades americanas, encontrava-se o tríptico Tentações de Santo Antão, que foi um dos quadros mais apreciados pelo público e que pertence ao acervo do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Esta obra regressará em breve ao seu lugar na exposição permanente nas Janelas Verdes, onde pode ser apreciado com o tempo e a contemplação que merece e que uma exposição temporária como a de Madrid não permite.
Portanto, atrevo-me a recomendar: se não viu, vá ver; se já viu, vá rever!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Amadeo volta a Paris cem anos depois

Foi ontem inaugurada no Grand Palais de Paris, com a presença do primeiro-ministro português e da presidente da Câmara Municipal de Paris, uma exposição dedicada à obra de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), que se realiza no âmbito das comemorações dos 50 anos da delegação francesa da Fundação Calouste Gulbenkian.
Natural de Manhufe, próximo de Amarante, Amadeo viveu em Paris entre 1906 e 1914 e esteve no centro das vanguardas internacionais da arte do seu tempo e, curiosamente, expôs no Grand Palais durante o Salón de Automne de 1912. No ano seguinte participou na exposição internacional de Arte Moderna, em Nova Iorque, Chicago e Boston, tendo vendido sete das oito obras que expusera.
Agora, a exposição do Grand Palais que o JL nos apresentou na sua última edição, revela cerca de 250 obras de Amadeo correspondentes a uma densa produção artística, com registos muito diversos que vão do cubismo ao surrealismo, com largas referências ao seu mundo rural de Manhufe e ao mundo moderno e cosmopolita de Paris.
O grande objectivo desta exposição é internacionalizar Amadeo como grande figura da arte portuguesa. Antes de Amadeo, esteve Picasso e, antes dele, Velázquez. Por estes dias, na loja do Grand Palais haverá catálogos de Amadeo, discos de fado, azulejos e livros de Sophia de Mello Breyner. É uma grande iniciativa cultural portuguesa que vai estar em Paris até 18 de Julho e bom seria que, com o seu indiscutível peso, a Fundação Calouste Gulbenkian também trouxesse esta mostra até nós. Depois de feiras de vinhos e de presuntos que marcaram a nossa presença internacional nos últimos anos, aqui temos uma iniciativa que nos orgulha!