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domingo, 18 de janeiro de 2026

O Nobel e os apetites de Donald Trump

A vida internacional está a tornar-se demasiado desregulada, devido à mediocridade de muitos dos seus protagonistas e ao corrupio de casos que vão sucedendo. Porém, Donald Trump destaca-se ao concentrar a maioria dos casos que estão a abalar o mundo, com as suas ameaças, as suas tarifas, os seus bombardeamentos e os seus assaltos. Apesar de anunciar repetidamente que já acabou com oito guerras, o facto é que tem dado ordens para bombardear vários países, sempre para impor a sua ambição, a sua vaidade e os seus interesses.
Nessa sua postura, de que faz parte o seu enriquecimento pessoal, nunca omitiu alguns apetites maiores ou menores, designadamente pelo Prémio Nobel da Paz, embora o Comité Nobel lhe tivesse negado essa vontade. Porém, a venezuelana Maria Corina Machado que foi a laureada de 2025, numa decisão irresponsável decidiu oferecer-lhe o prémio e foi a Washington onde foi recebida por Donald Trump que, sem vergonha nem pudor, o aceitou.
O Comité Nobel tratou imediatamente de anunciar que “independentemente do que aconteça com os símbolos físicos, o laureado original mantém para sempre a honra e o reconhecimento, não podendo o galardão ser revogado ou repartido com terceiros”, acrescentando que a medalha, o diploma e a dotação financeira correspondente continuam a pertencer ao laureado, sendo ele que passa à história como recebedor do prémio. O caso é tão triste que o jornal La Vanguardia, que se publica em Barcelona, o destacou na sua edição de ontem, referindo em primeira página a ”indignação” com que a Noruega assistiu a esta farsa que poucos podiam imaginar.
Trump quis o Nobel e quer a Riviera em Gaza, as terras raras da Ucrânia, o petróleo venezuelano, a Gronelândia...

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

As nossas televisões são demasiado tóxicas

A edição de hoje do diário australiano Daily Telegraph, que se publica em Sydney desde 1879, destacou alguns segredos das estações australianas de televisão e escolheu como título a frase Toxic TV.
Este título despertou-me a atenção, pois desde há algum tempo que sinto que os canais televisivos portugueses, embora em grau diferenciado, nos intoxicam diariamente, sobretudo através de pivots e de comentadores, a maioria dos quais sem escrúpulos e sem outras preocupações que não sejam a propaganda das suas ideias e das suas teses. Os diferentes  canais televisivos dão cobertura a comentários e a comentadores nada honestos e sem amor à verdade, quase como se fossem espaços publicitários. Não são espaços informativos ou de comentário livre, pois são meros espaços de propaganda. 
O caso da guerra no Médio Oriente é apenas um exemplo entre muitos, pois existe um discurso expresso ou subjectivo, que tende a justificar toda a violência e a brutalidade israelita, assim como o efectivo genocídio do povo palestiniano, como se todo ele pertencesse ao Hamas. Recordo, por exemplo, que enquanto o mundo vem condenando a brutalidade israelita, a destruição do património, os massacres e o genocídio sobre os povos palestiniano e libanês, assistimos nas nossas televisões à presença de comentadores/as que continuam a considerar justificada a violência do regime de Netanyahu e a chamar terroristas a todos os vizinhos de Israel. Alguma dessa gente, que pomposamente usa o título de “especialista em Relações Internacionais”, não sabe o que são direitos humanos, nem o que é o sofrimento da guerra. E quando meio mundo elogia e apoia o nosso compatriota António Guterres  na sua procura de um cessar-fogo e da paz, vemos alguns desses comentadores a alinharem com o extremismo israelita e a criticarem  o secretário-geral das Nações Unidas. Essa gente é uma vergonha e a sua presença nas televisões é um escândalo e um atentado à inteligência dos portugueses.
Dando abrigo a essa gente, as televisões portuguesas, tal como as televisões australianas, estão a ficar demasiado tóxicas.

domingo, 29 de outubro de 2023

Aníbal, Maria e os seus 60 anos de amores

Quando o mundo se mostra muito apreensivo pelo que vai acontecendo na Faixa de Gaza; quando constatamos a pequenez dos líderes que governam a Europa; quando gente de todos os continentes chega à Europa em busca de uma vida melhor; quando quase nada se sabe sobre o que se passa na Ucrânia; quando a corrida presidencial americana já está na estrada; quando se anunciam greves em Portugal e a privatização da TAP não é consensual; quando a África do Sul conquista a Rugby World Cup e o Benfica não ganha ao Casa Pia; e quando muitos mais assuntos de interesse vão acontecendo, verificamos que dois jornais portugueses de referência, respectivamente o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias, destacam em manchete nas suas edições de hoje um não-assunto, que é a história dos amores de Aníbal e Maria que, sessenta anos depois do seu casamento, ainda não sabem “qual de nós se apaixonou primeiro”. Chama-se a isto um “furo jornalístico” e é notável, pois nem a Caras nem a Maria, nem a Lux nem a Nova Gente, conseguiram dar essa notícia em primeira mão. Teve honras de muitas páginas no Notícias Magazine.
Tanto Boliqueime como São Bartolomeu de Messines, mas certamente todo o Algarve e, talvez mesmo todo o país, receberam com emoção a notícia do 60º aniversário deste casamento e puderam ver a fotografia do casal enquanto jovem, quem sabe se a antever o ano de 1985, o passeio à Figueira da Foz, a rodagem do seu carro novo e a sua ascensão ao poder.
É caso para felicitarmos editorialmente estes dois jornais por este "jornalismo de primeira qualidade", bem como o seu proprietário que é a holding Global Media Group, presidida pelo empresário Marco Galinha!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Cuidado com os valentões oportunistas!

O incêndio de Pedrógão Grande e o roubo de Tancos foram factos muito graves que têm provocado muito pesar e um justificado alarme na sociedade portuguesa.
A onda de solidariedade que se gerou em torno da tragédia de Pedrógão Grande e a apreensão sobre as circunstâncias em que aconteceu o roubo de Tancos, têm marcado o nosso quotidiano e todos querem saber o que realmente se passou. Depois de muitos meses de euforia económica, de descontracção social e de alegria popular, estes casos foram autênticos murros no estômago.
Ninguém tem dúvidas que, num caso como no outro, houve coisas que não correram bem e que têm que ser esclarecidas.
Ninguém tem dúvidas que, num caso como no outro, há coisas que todos os governos têm desleixado desde há muitos anos.
Ninguém tem dúvidas que, num caso como no outro, os ministros fizeram o que podiam, isto é, a Ministra Constança não ateou qualquer fogo e o Ministro Azeredo não furou qualquer vedação.
Porém, também ninguém tem dúvidas que Cristas disparou numa histeria sem pudor, sem procurar outra coisa que não seja fazer sangue no governo, mas também no seu adversário directo. Este, embora sem a histeria da jovem angolana que quer governar Lisboa, também não se cansa de atacar tudo por interesse eleitoral. Nenhum deles parece lembrar-se dos que sofreram nem do que é preciso fazer para os ajudar. Chafurdam na política. São uns oportunistas. Para eles o que aconteceu não foi uma tragédia, mas tão só uma oportunidade política.
Porquê então este desregramento e esta histeria dos líderes da oposição que ao verem o adversário político debilitado pela tragédia, o esmurram e pontapeiam para colher dividendos, como se o que agora aconteceu não fosse também da sua responsabilidade política, designadamente nos anos do goverrno Passos-Portas-Cristas?  Uns valentões. Cuidado com eles!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O custo dos combustíveis e a demagogia

Uma das principais fontes da receita pública são os impostos indirectos e, de entre estes, os impostos sobre os combustíveis que constituem sempre uma substancial parcela do orçamento do Estado. Do preço pago pelos consumidores nas bombas de abastecimento, cerca de metade reverte directamente para o Estado. É assim por toda a parte e, no início do ano, começa o folhetim dos aumentos dos combustíveis para assegurar as receitas de que o Estado carece.
Embora o assunto já não seja notícia, ainda há jornais que o destacam. Assim sucede hoje com o jornal francês L’Est éclair que se publica na cidade de Troyes, ao destacar na sua primeira página a subida do preço dos combustíveis. Aqui perto, também vários jornais espanhóis tratam desse assunto e, por exemplo, La Voz de Galícia destaca que “las gasolinas cuestam a los gallegos um 23% más que hace um año”.
Aqui em Portugal somos originais e nem os jornais nem os jornalistas trataram este assunto. Vai daí, a jovem presidente centrista de nome Cristas decidiu encenar um número e foi abastecer o seu carro com 20 euros de combustível. Chamou os seus amigos da TVI que servilmente alinharam naquela cena... e desancou no governo. Um caso de pura demagogia de quem politicamente pouco vale e que quer ganhar notoriedade. A orquestrada cena foi ridícula, até porque a jovem Cristas fez parte do governo de Passos-Portas, que foi humilhado pela Europa, que empobreceu o país e que foi mais longe do que a sinistra troika.
A jovem Cristas poderia ter abastecido a sua viatura na bomba de abastecimento do pai, que é revendedor de combustíveis, como provavelmente costuma fazer, mas escolheu outro cenário que lhe pareceu mais favorável. Do que não restam dúvidas é que os filhos dos revendedores de combustíveis gostam da política, sejam eles nascidos em Boliqueime ou em Luanda.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Como eles nos afundam e nos mentem

Um jornal de Lisboa bem conhecido pelos seus títulos sensacionalistas e por algumas campanhas que alimenta, escolheu hoje a dívida pública portuguesa como tema da sua primeira página. A notícia não é nova, mas porque é apresentada a toda a largura da primeira página tem um impacto maior e serve para alertar os mais distraídos.
É sabido que, em plena crise financeira que atravessou o Atlântico e se instalou na Europa, a dívida pública portuguesa passou de 71,0% do PIB (em 2008), para 83,7% (em 2009) e 94,0% (em 2010). Segundo a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP, em 31 de Maio de 2011 a dívida atingia 164.348 mil milhões de euros, correspondentes a cerca de 100% do PIB.
Passados 4 anos, com a intervenção da troika e com um governo submisso que “quis ir mais longe do que a troika”, a dívida pública portuguesa atingiu 224.155 milhões de euros no dia 31 de Maio de 2015, correspondendo a cerca de 130% do PIB. Aumentou 59,8 mil milhões de euros em quatro anos!
Significa que com a troika, o governo nos endividou em cerca de 60 mil milhões de euros, isto é, aumentou a dívida em cerca de 36%, para além de ter aumentado o desemprego, a pobreza e a emigração dos mais jovens e de ter criado graves problemas na educação, na justiça, na saúde e na defesa nacional. A economia e a sociedade estão doentes, mas não faltam lugares para os amigos. No plano europeu tornámo-nos seguidistas sem dignidade e é lamentável termos abdicado da solidariedade para com os nossos parceiros e ouvir o presidente do Conselho Europeu desmentir o primeiro-ministro português. Uma tristeza!
Para quem anda sempre a acusar os outros, a fazer propaganda, a auto-elogiar-se e a afirmar que os cofres estão cheios, esta verdade é demolidora e cobre de ridículo aqueles que têm dito que "é preciso proteger" o que foi feito e "não voltar a cometer os mesmos erros". É que esta gente não só é mentirosa, como também é ousada e atrevida na forma como mente. 

terça-feira, 16 de junho de 2015

O jogo da TAP e os jogadores em off-side

A questão da privatização da TAP tem suscitado muita controvérsia e não tem deixado ninguém indiferente.
Os argumentos de quem a defende são de natureza financeira e ideológica, enquanto os argumentos de quem discorda são sobretudo de ordem económica e emocional. O debate tem sido apaixonante e mostrou que os portugueses estão muito divididos em relação ao assunto. Na sua ânsia privatizadora, o governo não procurou consensos nem soluções alternativas, tratando de construir uma narrativa que servia os seus propósitos, sem atender ao valor simbólico que a TAP tem para os portugueses, nem ao serviço que presta à economia nacional e às comunidades portuguesas, nem ao emprego directo e indirecto que assegura. A privatização da TAP, tal como acontecera com os Correios e com outras empresas estratégicas, não representa uma mera desnacionalização empresarial e um acto de gestão governativa, mas constitui uma desnacionalização do nosso património, da nossa memória, da nossa identidade e do nosso orgulho nacional. Ao actuar como actuou em relação à TAP, à pressa, com sigilo, com uma intensa campanha de propaganda e a poucos meses de eleições legislativas, o governo prestou um mau serviço ao país, com o apoio de alguns obcecados jornalistas que arregimentou para a sua causa.
Porém, a cereja no topo do bolo, veio de outro lado. Continuando sem perceber que a sua função presidencial é promover a união e a coesão entre os portugueses e de ser um árbitro prudente em questões sensíveis como estas, o homem que veio de Boliqueime e se instalou em Belém, colocou-se uma vez mais em off-side ao afirmar, exactamente a bordo de um avião da TAP e em total informalidade, que estava “mais aliviado” relativamente à privatização da TAP. Que tristeza! Está ele preocupado com a pobreza e o desemprego? É ele o presidente de todos os portugueses? Certamente que não. É mais um cartão amarelo e já são demasiados. É uma pena que nestes jogos não haja cartões vermelhos por acumulação de amarelos!

terça-feira, 5 de maio de 2015

O inacreditável discurso da queijaria

Desde há alguns dias que estou quase em estado de choque, depois daquela intervenção do nosso primeiro na inauguração de uma queijaria em Aguiar da Beira, ao branquear " de forma muito amiga e muito especial" um indivíduo que está ligado às mais negras páginas do nosso passado recente, com perigosíssimas ligações a interesses libaneses, marroquinos e portoriquenhos, para além de ser um dos mais destacados rostos do BPN. Trata-se de alguém que, segundo revelam os jornais, acumulou em poucos anos um património de muitos milhões, mas que o nosso primeiro apresentou como “um empresário bem sucedido e que viu muitas coisas por este mundo fora”.  Em vez de fazer o elogio do mérito, do esforço e da seriedade, o nosso primeiro fez o contrário e fez a apologia de quem andou pela política, a partir da qual criou uma rede de influências poderosas e que “venceu na vida” à custa de favores, esquemas, heranças e negociatas pouco transparentes, muitas delas associadas a buracos de muitos milhões que os contribuintes portugueses estão a pagar, como sucede com a gestão ruinosa e criminalmente suspeita do BPN. É caso para perguntar ao Passos, se se passou.
O que se passou naquela queijaria em Aguiar da Beira quando o nosso primeiro fez o elogio de um tipo de carreira sem princípios de ética nem de responsabilidade social, foi um insulto para os portugueses de bem, que se esforçam e trabalham e que não recorrem à política para se servirem. O discurso da queijaria classifica um homem e vai ficar no mais triste historial da política portuguesa.
Realmente, é verdade: estou quase em estado de choque, porque ainda não quero acreditar que o nosso primeiro quis dizer o que disse.

sábado, 11 de abril de 2015

Foi você que falou em homens de palavra?

 
Este indivíduo que foi baptizado como António Pires de Lima (APL) é um economista, igual a tantos outros que por aí andam e, através do seu currículo, sabemos que vendeu sumos, cafés e cervejas Super Bock. Agora, pela mão do irrevogável, chegou a ministro e, com ares de uma competência que ainda está por demonstrar e alguma arrogância, faz propaganda, vende disparates e alimenta ilusões. Para ele, a pasta da Economia são empresas e privatizações, não são trabalhadores. Ele é o privatizador-mor e, aparentemente, é isso que faz no governo para, com obcessão ideológica, servir interesses indefinidos.
Quando há tempos foi à Assembleia da República prestar contas dos seus desempenhos não foi capaz ou não quis retratar a nossa débil economia, nem explicar porque não há investimento, preferindo adoptar um lastimável e ridículo comportamento que foi quase insultuoso para o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que nem estava presente nem era para ali chamado. Esperava-se mais de um PL!
Aqui há dias, a propósito das questões da TAP e do insanável impasse que ameaça a empresa com novas greves, veio dizer que “os acordos em homens de palavra são para se cumprir”. Esta frase, dita por um ministro, é para rir à gargalhada.
Então, o que é que os ministros em geral, e o nosso primeiro Passos em particular, têm feito aos acordos que fizeram com os eleitores? Será que esta gente se esquece que está no governo para cumprir um acordo feito com os eleitores que está inscrito no seu programa eleitoral e, naturalmente, na Constituição da República?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

As más consciências e os guarda-costas

A edição de ontem do Diário de Notícias destacou na sua primeira página que mais 63 polícias iam reforçar o Corpo de Segurança Pessoal da PSP, isto é, os actuais 380 guarda-costas desse corpo já não chegavam para proteger os nossos políticos e juízes. 
O número impressiona e este aumento de 16,5% também surpreende, numa altura em que somos os campeões mundiais no pagamento de impostos e em que, cada vez mais, o Estado nos obriga a pagar os serviços que nos presta sob a forma de portagens, taxas moderadoras, proprinas e licenças para isto e para aquilo. Acontece que este reforço de guarda-costas, dos quais 36 já se destinam em permanência a Cavaco, Passos e Portas, custam ao erário público 54 mil euros por mês para além das ajudas de custo, viagens, alojamento, refeições, viaturas, combustíveis e subsídios para tudo e para mais alguma coisa. Estes e os outros dignitários que usam e abusam de guarda-costas pagos pelos contribuintes, decerto que não estão de bem com a sua consciência e temem o povo e o seu direito à indignação. Se orientassem a sua actividade política e governativa, tal como para isso foram mandatados pelo voto, para contribuirem para o progresso económico e social do país, seriam aplaudidos e ovacionados pela população. Porém, porque não é isso que fazem e não estão de boa consciência, escondem-se atrás de guarda-costas, até na praia. Afinal eles têm medo de quê ou de quem? Não, definitivamente digo não, a este espectáculo de multidões de guarda-costas a proteger gente de má consciência.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Quem enganou as crianças da Esperança?

ESPERANÇA, 28 Março de 2014
Foi há cerca de três meses que o Banco Espírito Santo (BES) decidiu "recuperar a esperança", tendo lançado uma campanha institucional com o duplo objectivo de realizar obras de recuperação numa aldeia alentejana  e de restaurar o sentimento da esperança junto da população portuguesa. Essa aldeia tem 739 habitantes, chama-se Esperança e fica no concelho de Arronches, distrito de Portalegre. Entre outras beneficiações realizadas na aldeia, foi recuperada a Escola Básica da Esperança.
O Presidente da República, a Primeira Dama e o Ministro Crato associaram-se à campanha do BES e visitaram essa escola, fazendo-se fotografar com os seus acompanhantes, mas também com os professores e os alunos da escola. A imprensa noticiou esta iniciativa e descreveu “como uma campanha recupera uma aldeia alentejana” (DN/Dinheiro Vivo, 29-3-2014).
Menos de três meses depois, o Ministro Crato anunciou o encerramento de 311 escolas no âmbito da reorganização da rede escolar, cujos alunos vão ser integrados em distantes centros escolares já no próximo ano lectivo de 2014-2015. Uma dessas escolas é exactamente a EB Esperança, onde o Ministro Crato tinha levado o Venerando Chefe do Estado para a citada acção de propaganda, onde este exibiu um largo sorriso estampado no rosto. Agora, verificamos que as crianças, os professores e as famílias de Esperança foram enganadas!
É sabido que, desde há muitos anos, as assimetrias territoriais têm aumentado em Portugal, mas também é sabido que a nossa desertificação territorial se tem acentuado nos últimos anos com a recessão, o envelhecimento e o desemprego e, sobretudo, com as políticas do actual governo, onde se incluem o encerramento de escolas, centros de saúde, tribunais, repartições de finanças e estações de correios.  
É caso para perguntar: o que foram fazer à Esperança estes altos dignitários da Nação? É assim que se resolve o problema da natalidade?

sábado, 24 de maio de 2014

Lisboa, a capital europeia do futebol

 
Os maiores jornais de Madrid – El País, ABC e El Mundo - ilustram as primeiras páginas das suas edições de hoje com uma fotografia de Lisboa e dos entusiastas espanhóis, em especial os madrilenos, que aos milhares “invadiram” a nossa capital para assistir a uma inédita final da Liga dos Campeões, entre duas equipas de futebol da mesma cidade. Hoje, no Estádio da Luz, defrontar-se-ão as equipas do Real Madrid e do Atlético de Madrid, num jogo que será visto na televisão por muitos milhões de espectadores em todo o mundo.
A escolha de Lisboa para a realização desta final foi decidida há muitos meses e, por ironia do destino, há jogadores portugueses em ambas as equipas finalistas, o que faz desta final um acontecimento desportivo que também interessa e entusiasma os adeptos portugueses.
Desde há vários dias que os jornais madrilenos publicam guias turísticos e culturais com recomendações para os milhares de espanhóis que hoje estão em Lisboa, sugerindo percursos, visitas, museus e restaurantes, havendo alguns deles que vão um pouco mais longe e informam sobre as realidades de um país que, apesar de próximo, os espanhóis conhecem mal.
Por cá, os jornais generalistas mantém alguma distância em relação a este acontecimento futebolístico, mas os jornais desportivos alinham na mesma onda de entusiasmo da imprensa madrilena e, com a mania das grandezas, o jornal A Bola diz que Lisboa é a “capital do mundo”. Eu, que até gosto de futebol, fico estupefacto. Que exagero! Que falta de objectividade! Lisboa será, certamente, a capital europeia do futebol, mas apenas por um dia. Além disso, a presença do Rei de Espanha tira algum brilho a essa efémera glória de Lisboa ser a capital europeia do futebol, mesmo que por um só dia.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Um presidente que é uma enorme tristeza

Podia e devia ser o presidente de todos os portugueses, mas não é capaz. É uma tristeza. Uma enorme tristeza.
Lembramo-nos da noite da sua reeleição em Janeiro de 2013 quando espumou críticas contra os seus adversários eleitorais ao afirmar que foi “a vitória da verdade sobre a calúnia”. Agora vêmo-lo a atacar aqueles que legitimamente previam a inevitabilidade de um segundo resgate como aconteceu na Grécia ou os que defendiam que a saída do PAEF devia ser apoiada por um programa cautelar. Porém, ele também defendeu um programa cautelar há pouco mais de um mês quando, no prefácio dos seus Roteiros VIII, escreveu:
Em termos gerais, para um país que conclua com sucesso um programa de assistência financeira, é possível que um programa cautelar seja preferível a uma saída dita à irlandesa. Ficando inteiramente à mercê da volatilidade e das contingências típicas dos mercados, um país pode incorrer em custos de regressão elevados, sobretudo se as principais forças políticas não revelarem uma firme convicção no sentido de garantir, de forma concertada e a médio prazo, uma trajetória de sustentabilidade das finanças públicas e a prossecução de uma política de reformas para a melhoria da competitividade das empresas”.
Nesse mesmo texto, ele também escreveu que ”é uma ilusão pensar que as exigências de rigor orçamental irão desaparecer em meados de 2014” e  que “o país continuará sujeito a uma supervisão reforçada por parte da Comissão Europeia e a avaliações regulares do cumprimento das medidas acordadas...”. Então isto é que é a saída limpa de que fala o governo e que Belém apoia tão entusiasticamente?
Como todos sabemos, estas matérias não são ciência exacta. São muitos os prós e os contras de cada opção e a decisão tem sempre um elevado grau de incerteza. Só o tempo dirá se foi esta a melhor solução. Eu quero crer que sim. Então, porque razão foi ele espumar outra vez, agora no Facebook, contra os que tiveram opinião diferente daquela que o governo adoptou e que ainda os desafia com a pergunta “o que dizem agora?” Ele não consegue ultrapassar os seus medos nem a sua própria periferia. É uma tristeza termos alguém na presidência que não sabe o que é o consenso nacional. Basta!
 

sábado, 3 de maio de 2014

Mentiras e trapalhadas da nossa troika

A lusa troika
Há duas semanas, perante a aproximação do final do programa de assistência económica e financeira (PAEF), a generalidade dos nossos.governantes "passou-se" e garantiu que os impostos não seriam aumentados e, alguns deles, até admitiram que o IRS pudesse baixar. Essa garantia foi assegurada pelos componentes da lusa troika, isto é, os ministros Passos, Portas e Madame Albuquerque, a contabilista que sucedeu a Gaspar. Pressionados pela proximidade das eleições e pela desproporção entre os sacrifícios impostos à generalidade da população e os resultados catastróficos que foram obtidos, esses governantes não se pouparam em declarações de propaganda e garantiram que não seriam pedidos mais sacrifícios aos portugueses, porque o PAEF tinha sido um sucesso. Mentiram, sabiam que estavam a mentir e agora estão a desconsiderar-nos e a tratar-nos como uns parvos, ao negar que vão subir os impostos e que preparam mais medidas de austeridade.
As 84 páginas do Documento de Estratégia Orçamental (DEO) que entretanto apresentaram, são de uma confrangedora pobreza e prevêem o aumento do IVA e da TSU, além de outros impostos e sacrifícios. Sempre a mesma receita contabilística de aumentar impostos, enquanto o corte das gorduras do Estado continua por fazer. A reforma do Estado não foi feita porque não há coragem para combater os interesses corporativos instalados no aparelho de Estado e porque continua a faltar a coragem para acabar com os boys e as girls que, vindos das estruturas partidárias, enxameiam a administração pública central, regional e local. Foram três anos de empobrecimento, de endividamento, de emigração, de maior desigualdade, de descrença e de bloqueio, mas de muitos assessores, muitas viagens e muitos Audis. Ajustamento, ainda não sei se foi, mas regabofe foi com certeza. Não foram apenas os programas eleitorais e as promessas não cumpridas. Ninguém sabe o que agora aí vem. A desconfiança é absoluta, até porque a incerteza nas perspectivas económicas mundiais é alta, como aliás salienta o DEO. A crítica a esta trapalhada é quase unânime.
Uma política de verdade deveria reconhecer que a maioria dos objectivos do PAEF falharam e deveria prevenir os cidadãos de que a austeridade terá que continuar, porque três anos de sacrifício e humilhação nada resolveram. Para que os portugueses soubessem e ajuizassem.
Porém, eles insistem na mentira que desacredita a democracia e os políticos, além de minar a confiança dos portugueses. Estou curioso por saber o que vai acontecer no dia 25 de Maio.

domingo, 13 de abril de 2014

Uma estátua para o grande Barroso. Já!

Ontem foi um dia de consagração para o actual presidente da Comissão Europeia, que nunca ouvira tão  fartos elogios numa conferência intitulada “Portugal: Rumo ao Crescimento e Emprego. Fundos e Programas Europeus: solidariedade ao serviço da economia portuguesa”, que decorreu em Lisboa na Fundação Calouste Gulbenkian. Nós estávamos habituados a eventos de grande qualidade nas instalações da Gulbenkian, sobretudo exposições e concertos, mas desta vez aquele espaço foi utilizado para uma sessão de circo, com alguns artistas de nomeada. O espectáculo serviu, simultaneamente, para alimentar a ambição política do Zé Manel – o regresso do cherne – e para uma acção de campanha eleitoral da coligação que nos governa. Barroso auto-elogiou-se, elogiou Coelho e ouviu elogios de Cavaco: “Posso testemunhar, como poucos, a atenção que o dr. Durão Barroso sempre prestou aos problemas do país e a valiosa contribuição que deu para encontrar soluções, minorar custos, facilitar apoios e abrir oportunidades de desenvolvimento”. Foi uma bajulação impensável. Não merecíamos tal espectáculo de hipocrisia política!
Barroso tem um longo e bem conhecido historial político. Apoiou a invasão do Iraque com base nas armas de destruição que Sadam Hussein não tinha. Virou-nos as costas para ir para o tacho em Bruxelas. Vergou-se aos alemães e calou-se com o seu esvaziamento de poderes na Comissão Europeia. Alinhou na austeridade que está a abalar os países do sul da Europa. Sabia o que se passava no BPN e diz ter avisado Constâncio, mas promoveu o branqueamento das ligações dos seus amigos a esse mesmo banco. Etc.
Barroso anda agora entusiasmado e atarefado a procurar o seu emprego para o futuro. Usou uma entrevista à SIC e ao Expresso para contrariar a imagem do primeiro-ministro que fugiu para Bruxelas e que esteve do lado dos credores e contra os pensionistas portugueses. Agora organizou a tal conferência-espectáculo, onde se comportou como um intransigente defensor de Portugal e dos portugueses.
Barroso merece nada menos que uma estátua! E porque não uma estátua em cada uma das 28 capitais da União Europeia porque, como Cavaco afirmou, “Portugal e os Portugueses, tal como os outros Estados-Membros, muito lhe devem.”
Só nos faltavam estes cromos...

sexta-feira, 7 de março de 2014

Como eles ameaçam as nossas poupanças

Aqui há dias houve um indivíduo - por acaso bem instalado na vida, que até é Conselheiro de Estado e que tem estado sempre ao lado dos poderes dominantes - que esteve em audiência na Assembleia da República na qualidade de presidente da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS), a entidade que congrega todos os bancos que operam em Portugal e que gere todo o sistema de cartões de débito (Multibanco).
O dr. Vítor Brinquete Bento, assim se chama a referida personagem, tem um percurso de vida que parece respeitável, mas deve andar transtornado com as desgraças por que passa a gananciosa banca e, vai daí, quis ajudar os apetites insaciáveis dos seus patrões e sugeriu que o levantamento de dinheiro nas caixas Multibanco pagasse imposto de selo, o que constituiria uma fonte de receita para o Estado e um proveito adicional para a banca sob a forma de comissão. Mais uma vez, comiam o Estado e a banca, enquanto o mexilhão pagava.
Segundo revela a escassa imprensa que pegou neste assunto, os partidos políticos foram unânimes na condenação desta sugestão contabilística do dr. Briquete, o que mostra como é possível estabelecer consensos políticos sobre muitas matérias. Esta ideia do Dr. Brinquete é um absurdo que nem ao diabo lembra, pois seria mais um confisco ilegal e fraudulento feito aos depositantes, que são os únicos donos do dinheiro. É grave que esta lógica se esteja a instalar no cérebro de “gente que se fez a pulso” e que esquece tudo o que passou para chegar onde chegou. Amanhã ainda se vão lembrar de criar um imposto para quem tenha a ousadia de se manter vivo depois da idade da reforma ou para quem apenas quiser ter o direito de respirar ou de sonhar com uma sociedade mais justa.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O milagre económico lusitano?

A iniciativa de convocar as chamadas jornadas parlamentares da maioria, aparentemente para esclarecer os deputados sobre o conteúdo do Orçamento do Estado que em breve vai ser discutido, teria sido uma coisa positiva se não se tivesse transformado numa jornada de propaganda pura e dura, que encheu as televisões com o discurso de um sucesso que todos sabemos não ser verdade. Porém, propaganda é assim mesmo, mas não gostei. Além disso não gostei nada de ver a segunda figura do Estado metida naquela sessão, inclusive a lembrar-nos que a primeira figura estava ausente. Em nome da credibilidade do Estado, isso não pode acontecer. Não lhe fica bem e, se havia dúvidas, aí está a confirmação de que é uma marioneta do seu partido, o que ajuda a explicar como chegou e onde chegou.
Mas houve outras notas interessantes nestas jornadas, a fazer corar de vergonha o Paul Krugman e o Joseph Stiglitz. A primeira foi a declaração substantiva  do vice-ministro Portas de que "é possível que Portugal esteja a poucas semanas de saber oficialmente que saiu de uma recessão técnica", o que parece ser uma adivinhação ou uma pressão sobre o INE, semelhante às que são feitas sobre o TC. A segunda foi a bomba lançada pelo ministro Lima, que até parecia ser diferente naquele governo de adolescentes (comentador Mendes dixit), ao classificar como "milagre económico" o que está a acontecer com a economia portuguesa. Como é possível dizer-se isto quando “vemos, ouvimos e lemos” uma realidade bem diferente no nosso quotidiano e, no mesmo dia, o INE nos veio dizer que em 2012 emigraram 121.418 pessoas, isto é, mais de 10 mil pessoas por mês do melhor que a nossa comunidade tem – um record histórico desde que há registos. O que é que querem fazer de nós?

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Gente endinheirada e sem nenhum pudor

A notícia surgiu esta manhã através do Correio da Manha: Rui Machete com pensão de 132 mil euros! Numa altura em que o governo de que faz parte, ataca pensionistas e reformados, o valor desta pensão é chocante e mostra que há muita gente endinheirada que anda por aí como se o estado a que chegamos não tivesse sido também da sua responsabilidade. É o caso de Machete que andou sempre na crista da onda da política e que chegou a ter cargos sociais em cinco bancos concorrentes! Já em tempo de  crise, em 2012, entre pensões e trabalho, teve um rendimento de 398 235 euros, para além de algumas centenas de milhares de euros em aplicações financeiras, designadamente depósitos a prazo e fundos de investimento. O passado do homem até lhe podia dar o estatuto de senador, mas afinal não passa de um simples sacador! Incansavelmente sacou e saca de todo o lado. Acumulou cargos em 31 instituições, desde o BPI ao BCP, passando pela EDP, CGD, Taguspark, FLAD e pela famosa SLN, de que também foi accionista (embora se tenha esquecido), tendo ainda tempo para dar aulas em duas universidades, aconselhar sociedades de advogados e ser dirigente partidário. Se não fosse tão triste e tão miserável esta promiscuidade e esta falta de pudor, até dava vontade de rir.
Foi este sacador que alguém teve a lata de convidar para o governo e foi este sacador que teve a lata de aceitar. Diz-se, por vezes, que temos vivido acima das nossas possibilidades. Não é verdade. Quem viveu acima das nossas possibilidades foram os machetes todos que por aí andam, que só pensaram em acumular cargos e em engrossar as suas contas bancárias e que, como claramente se vê, pouco ou nada fizeram pelo país que tanto sugaram. Só os podemos desprezar.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

As práticas feudais foram ressuscitadas

A ser verdade aquilo que diz a última edição do jornal luso-canadiano Correio da Manhã – o jornal português de maior circulação no Canadá, que se publica às terças-feiras em Toronto e tem uma tiragem de 25 mil exemplares - é absolutamente ridículo que quatro políticos ocupem 100 polícias no Algarve. Meia dúzia deles ainda se poderia aceitar, mas um cento... só por exibicionismo ou má consciência. Assim, com este tipo de despesismo, não há país que aguente e nunca haverá impostos suficientes para custear esta aparatosa ou discreta comitiva que acompanha e serve Suas Excelências, como se uma estadia nas praias algarvias fosse um assunto de Estado. Provavelmente, nem Ceausescu, nem Mobutu, nem Kadaffi foram tão longe.
Por vezes, Suas Excelências deixam-se fotografar com ar descontraído e em atitude de passeio, chegando a parecer-se com pessoas como nós, mas com este tipo de comitiva ficamos a saber que é tudo uma encenação. Afinal, mesmo na praia, esta gente não está de consciência tranquila e provavelmente tem medo do povo, pois só assim se compreende a mobilização de tantos polícias e, provavelmente, de outros tantos súbditos a servir de motoristas, assessores, talvez cozinheiros e eu sei lá que mais. Até parece que regressamos à Idade Média, uma vez que Suas Excelências escolhem comportar-se como verdadeiros senhores feudais. Queixamo-nos que não temos policiamento suficiente e que andar pelas nossas ruas é um exercício de risco. Pudera, a polícia que pagamos com os nossos impostos está ocupada com Suas Excelências. 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Festejar o Novo Ano em tempo de crise

Hoje é o último dia do ano e, apesar de estarmos em tempo de crise e de austeridade, os portugueses não abdicam de festejar a entrada de 2013 e de se divertir, no país ou no estrangeiro, com viagens, festas, ceias, música, bailes e fogo de artifício.
As agências de viagens sugeriram propostas mais ou menos económicas para a passagem do ano em Londres ou Barcelona, Paris ou Praga, Roma ou Berlim, mas também na Turquia, em Marrocos ou Cabo Verde. As televisões têm exibido as imagens da preparação dos festejos domésticos, mostrando os hotéis, os restaurantes, as iguarias e os foliões que festejarão a passagem do ano no Algarve, na Madeira, no Alentejo, no Douro ou na serra da Estrela. Os jornais apresentam propostas de programas para entrar no novo ano, com indicação dos locais, dos preços, das ementas e dos artistas que animarão a noite. Com tanta oferta de alternativas até parece que não estamos em tempo de crise ou, então, que o melhor é “divertir para esquecer”.
Porém, no momento em que se anuncia uma austeridade ainda mais rigorosa e se reconhece que cerca de um milhão de portugueses estão desempregados, há gente que voa mais alto. Gente que devia dar o exemplo de contenção. O jornal i revela hoje que o ministro Relvas passa férias de fim de ano no Rio de Janeiro, tendo-se instalado no famoso Copacabana Palace onde “o preço médio por dormida é de 800 euros, sem incluir taxas de serviço de hotel ou pequeno-almoço”. Que belo exemplo de austeridade! Que novo-riquismo! O jornal ainda insinua que o homem estará no Rio de Janeiro como convidado. A ser assim, a pouca vergonha é maior.
Esta gente nem sequer tem noção do ridículo!