No passado
domingo, em que todas as atenções se concentravam no futebol e na final do
Mundial, o jornal Açoriano Oriental, que se publica na cidade de Ponta Delgada e
que no seu cabeçalho afirma ser “o mais antigo jornal português fundado em 1835
por Manuel António de Vasconcelos", dedicou uma “grande reportagem” aos faróis
açorianos que “continuam a orientar quem navega pelo Atlântico”.
Para ilustrar a
sua primeira página, foi escolhida uma fotografia do belíssimo farol do Arnel,
localizado na ponta nordeste da ilha de S. Miguel e que está em funcionamento
desde 1876. Depois, a reportagem reparte-se por três páginas e assenta em duas
entrevistas feitas a Rui Melo e Mário Riscado, dois dos 31 faroleiros que
asseguram a operação e a manutenção dos faróis do arquipélago dos Açores e que,
nesta reportagem, explicam a especificidade técnica da sua profissão e
transmitem ao leitor uma exemplar postura de dedicação a este serviço público.
A reportagem é
muito esclarecedora quanto à importância dos faróis, pela confiança que
transmitem aos navegantes apesar das modernas ajudas à navegação em que se
destaca o Global Position System,
vulgarmente conhecido como GPS, mas também pelo seu enquadramento na paisagem
marítima.
Na Ode Marítima, um dos mais conhecidos e
inspirados poemas de Fernando Pessoa sob o heterónimo de Álvaro de Campos, o
poeta evoca “o olhar humanitário dos faróis na distância da noite” e, de facto,
sobretudo em condições meteorológicas adversas, os faróis são um sinal de
hospitalidade para a comunidade marítima e para aqueles que se aproximam de
terra, depois de horas ou dias de muito desconforto e de perigo.
Os faróis são,
portanto, indispensáveis à navegação, mas também são uma memória histórica e um
elemento patrimonial único da paisagem marítima.
Aqui deixo expressa a minha gratidão e o meu aplauso aos faróis e aos faroleiros, Que sejam
mantidos e protegidos em nome da nossa herança cultural marítima.
