terça-feira, 21 de julho de 2026

Os faróis e a nossa herança marítima

No passado domingo, em que todas as atenções se concentravam no futebol e na final do Mundial, o jornal Açoriano Oriental, que se publica na cidade de Ponta Delgada e que no seu cabeçalho afirma ser “o mais antigo jornal português fundado em 1835 por Manuel António de Vasconcelos", dedicou uma “grande reportagem” aos faróis açorianos que “continuam a orientar quem navega pelo Atlântico”. 
Para ilustrar a sua primeira página, foi escolhida uma fotografia do belíssimo farol do Arnel, localizado na ponta nordeste da ilha de S. Miguel e que está em funcionamento desde 1876. Depois, a reportagem reparte-se por três páginas e assenta em duas entrevistas feitas a Rui Melo e Mário Riscado, dois dos 31 faroleiros que asseguram a operação e a manutenção dos faróis do arquipélago dos Açores e que, nesta reportagem, explicam a especificidade técnica da sua profissão e transmitem ao leitor uma exemplar postura de dedicação a este serviço público.
A reportagem é muito esclarecedora quanto à importância dos faróis, pela confiança que transmitem aos navegantes apesar das modernas ajudas à navegação em que se destaca o Global Position System, vulgarmente conhecido como GPS, mas também pelo seu enquadramento na paisagem marítima.
Na Ode Marítima, um dos mais conhecidos e inspirados poemas de Fernando Pessoa sob o heterónimo de Álvaro de Campos, o poeta evoca “o olhar humanitário dos faróis na distância da noite” e, de facto, sobretudo em condições meteorológicas adversas, os faróis são um sinal de hospitalidade para a comunidade marítima e para aqueles que se aproximam de terra, depois de horas ou dias de muito desconforto e de perigo.
Os faróis são, portanto, indispensáveis à navegação, mas também são uma memória histórica e um elemento patrimonial único da paisagem marítima.
Aqui deixo expressa a minha gratidão e o meu aplauso aos faróis e aos faroleiros, Que sejam mantidos e protegidos em nome da nossa herança cultural marítima.