quinta-feira, 24 de abril de 2014

Então, cacemos e esfolemos os coelhos

Ao contrário do que o Coelho e o Portas têm dito, não será a 17 de Maio, nem em Junho, nem em qualquer data que caia no meu horizonte de vida, que recuperaremos a nossa soberania, porque os credores internacionais virão a Portugal duas vezes por ano até 2038. Foi isto que eles decidiram e foi isto que os nossos dirigentes aceitaram. Estamos em estado de choque com esta notícia e com esta humilhante submissão que ofende a dignidade de um povo que “deu novos mundos ao mundo” e tem nove séculos de história. Não há memória de uma coisa destas. É uma vergonha, a fazer lembrar o ultimato inglês de 1891, mas aí tivemos a reacção “dos heróis do mar” e da “nação valente e imortal”, com o povo a cantar “A Portuguesa”.
Afinal, quem são os garantes da independência nacional que aceitam esta humilhação? Quem é que nos prometeu uma coisa antes das eleições e depois fez outra? Quem é que nos tem mentido sistematicamente, sem vergonha e sem pudor? Quem é que olha para tudo isto sem nada dizer e nem nada fazer? Quem é que instalou um relógio na sede do seu partido a assinalar o tempo que faltava para a saída da troika? Quem é que disse que estávamos a viver um milagre económico? Quem é que disse que tudo se resolvia com o afastamento de Sócrates e o corte das gorduras do Estado? Quem é que responde pelo nosso empobrecimento e pelo aumento da dívida? Quem é que disse que as nossas exportações eram o porta-aviões da nossa recuperação económica? Afinal, quem são os Miguel de Vasconcelos da nossa história recente?
Está feita a vontade do Coelho, expressa numa entrevista dada ao semanário Expresso em 27/11/2010, quando disse estar pronto para governar com o FMI. A sua vontade está a concretizar-se. Interrogado sobre o que aí vem e para fugir à questão, procurou o humor: “não se deve esfolar um coelho antes de o caçar e eu que estou aqui e sou coelho, não gostaria de ser caçado”. Então, para que nos libertemos do FMI e para que recuperemos o orgulho e a dignidade nacionais, cacemos e esfolemos os coelhos. A bem da nação!