domingo, 4 de junho de 2023

As brutais tragédias ferroviárias na Índia

Quando em 1947 a Índia se tornou independente, uma das mais apreciadas heranças do património deixado pelo Império Colonial Britânico foi a sua rede de transportes ferroviários, que cobria todo o território do país. Então, tal como agora, muitos milhões de passageiros utilizam diariamente os comboios indianos, uns com carruagens com camas e com lugares marcados, mas outros sem lugares marcados ou sem assentos, onde as pessoas viajam de pé. Viajar de comboio na Índia é uma experiência singular e o passageiro ocidental deve estudar e escolher previamente o comboio em que pretende viajar. A maioria das linhas ferroviárias foram construídas no período colonial e muitas delas não têm recebido o necessário investimento em modernização, daí resultando um registo histórico negativo relativamente à segurança e ao conforto. 
Na passada sexta-feira aconteceu uma catástrofe com o Shalimar-Chennai Coromandel Express que seguia de Bangalore para Calcutá e circulava a 130 quilómetros por hora. Na estação de Bahanaga Bazaar no distrito de Balasore do estado de Odisha, no nordeste do país, aquele comboio colidiu com uma composição de mercadorias que estava parada. Muitas das suas carruagens descarrilaram e tombaram sobre uma linha adjacente, por onde circulava o Expresso Yeshwantpur-Howrah. Foi uma das maiores tragédias ferroviárias da história da Índia e envolveu três comboios. Hoje o diário The Hindu, que se publica em Chennai e tem circulação nacional, destacou aquela tragédia e atribuiu-a a erro humano, ao mesmo tempo que informa que já estão apurados 288 mortos e mais de mil feridos.
Porém, a imprensa indiana também recorda a frequência com que ocorrem acidentes ferroviários da Índia e destaca aquele que aconteceu no dia 6 de Junho de 1981 no estado do Bihar, quando sete carruagens de um comboio que atravessava uma ponte caíram num rio e morreram entre 800 e 1000 pessoas. Com todas estas brutais tragédias é caso para perguntar: guerras para quê?