sábado, 17 de abril de 2021

Telma Monteiro, grande campeã europeia

A judoca Telma Monteiro triunfou ontem no seu combate final e, pela 6ª vez na sua carreira, tornou-se Campeã da Europa de Judo na categoria de menos de 57 quilos. Foi um notável resultado desportivo, embora a atleta tenha um tão vasto currículo de resultados desportivos que, por vezes, a imprensa e a opinião pública a esquecem. No entanto, ela ganhou uma medalha olímpica no Rio de Janeiro em 2016, foi vice-campeã mundial por quatro vezes e foi Campeã da Europa por seis vezes, além de ter conquistado mais três medalhas de prata e sete de bronze nesses mesmos Campeonatos da Europa. Hoje, o jornal A Bola dedicou-lhe muito justamente a sua primeira página e escreveu que Telma Monteiro “conquistou em Lisboa a sua 15ª medalha em… 15 Europeus”, mas cometeu um lapso porque foram 16 medalhas em 16 Campeonatos da Europa.
Telma Monteiro faz parte do grupo de 1.115 praticantes desportivos de alto rendimento, isto é, aqueles que “obtém classificações e resultados desportivos de elevado mérito, aferidos em função dos padrões desportivos internacionais”, que são certificados pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Naturalmente, os resultados desportivos que Telma Monteiro tem apresentado desde 2004, justificam todos os apoios e benefícios que tem recebido do Estado, enquanto praticante desportiva de alto rendimento.
Porém, a existência de mais de mil praticantes classificados como “atletas de alta competição”, que são abençoados pelo pote dos dinheiros públicos, parece-me um exagero ou mesmo um abuso. Ficamos surpreendidos quando vemos que há 1.115 praticantes desportivos de alto rendimento em Portugal, alguns dos quais praticam modalidades como o automobilismo, a motonáutica, a orientação, o campismo, o golfe, o tiro, ou o surf. 
Portugal deve ser um país muito rico e eu não sabia disso. 

O perigoso estado do Reino Unido

Na sua mais recente edição a revista The Economist usa um trocadilho no seu título e, em vez de escrever United Kingdom, troca a posição de duas letras e escreve Untied Kingdom e, dessa forma, em vez de se referir a um reino unido, refere-se a um reino desatado ou desligado.
O caso tem a ver com os protestos violentos que surgiram na Irlanda do Norte, primeiro em Londonderry e depois em Belfast, que estão a comprometer o acordo entre os republicanos e os unionistas, que está em vigor desde 10 de Abril de 1998. Depois da entrada em vigor do Brexit e apesar das promessas feitas quanto ao regime das fronteiras, nem os republicanos (que defendem a união com a República da Irlanda), nem os unionistas (que defendem a permanência do país no Reino Unido), estão satisfeitos. O problema é histórico, mas agravou-se a partir dos anos 1960 quando a comunidade católica que coincide com a ideia republicana reagiu às perseguições que estavam a ser feitas aos seus membros, no emprego público, nas escolas, nas práticas religiosas. Foi uma verdadeira guerra urbana de grande violência, que durou quase trinta anos e que agora se teme que se possa reacender. A juntar a este conflito histórico ainda estão os resultados do Brexit, pois 55,8% dos eleitores da Irlanda do Norte votaram pela permanência na União Europeia e viram gorada a sua pretensão de estarem mais próximos de Dublin e de Bruxelas, do que do poder de Londres que consideram autoritário e colonial.
Porém, The Economist também lembra que 62% dos escoceses votaram contra o Brexit e que a sua vontade de se desligarem de Londres continua muito forte, pelo que considera perigoso o estado do Reino Unido e utiliza a expressão Untied Kingdom. Portanto, como sugere a capa da revista, a corda pode mesmo partir-se.