quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A insensata diplomacia dos Tomahawk

Os Tomahawk estão prontos e, um pouco por todo o mundo, os jornais não falam noutra coisa, isto é, o ataque anglo-americano à Síria está em vias de se concretizar, independentemente das conclusões da missão de observação das Nações Unidas que está em Damasco. A decisão de bombardear a Síria foi preparada na imprensa internacional e está em linha com a política que tem sido seguida pelos Estados Unidos, pela Grã-Bretanha, pela França e por alguns alguns estados árabes conservadores que, desde há muitos anos, têm apoiado a oposição ao regime de Bashar al-Assad, dentro do espírito daquilo que se pensou ser a Primavera Árabe. Agora, é uma oportunidade para mostrarem os seus músculos aos que estão do outro lado e, até a França, aproveita estes casos para mostrar ao mundo que existe, que fabrica aviões e que é uma grande potência.
Na realidade, a Síria está a ser palco de uma longa e dura guerra de contornos muito complexos, onde o interesse internacional não decorre apenas da vontade de pôr fim a esta catástrofe humanitária, mas que resulta também dos interesses associados à exploração e transporte do gás natural sírio. De um lado estão a Síria, a Rússia, a China e o Irão e, do outro, os Estados Unidos, a União Europeia, a Turquia, a Arábia Saudita, Israel e o Qatar, além de alguns grupos anti-Assad, como a al-Qaeda e o Hamas.
Os Tomahawk são a diplomacia de um lado, mas não se sabe qual é a diplomacia do outro lado. O que se sabe é que a eventual queda do ditador sírio, pode fazer com que o poder caia nas mãos dos fundamentalistas islâmicos da al-Qaeda e esse é um dos grandes paradoxos desta guerra, isto é, aqueles que são considerados “terroristas” pelos americanos e pelos europeus, que já estão a beneficiar indirectamente das armas fornecidas aos rebeldes sírios, são os principais candidatos para substituir Bashar al-Assad. A diplomacia dos Tomahawk é como deitar gasolina na fogueira. Talvez fosse melhor outra diplomacia, que levasse em conta o que está a acontecer na Líbia, mas também no Iraque, na Tunísia e no Egipto.