quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A Catalunha exige um referendo

Ontem foi o Dia Nacional da Catalunha – a Diada – que todos os anos celebra o dia 11 de Setembro de 1714, a data em que durante a Guerra da Sucessão Espanhola, a cidade de Barcelona e as tropas catalãs se renderam às tropas castelhanas e francesas. O novo rei – Filipe V de Espanha – incorporou então o território catalão no Reino de Espanha, extinguindo todas as suas instituições políticas e impondo um processo de repressão cultural. Pode afirmar-se que o actual independentismo catalão nasceu nesse dia, mas que viveu clandestinamente durante quase três séculos.
Hoje, a corrente independentista catalã tornou-se muito forte e assenta no princípio de que a Catalunha é uma nação, por razões históricas, culturais e linguísticas, mas também na afirmação de que a sua plenitude cultural, social e económica só se alcançará quando se desligar do centralismo de Madrid e se separar da Espanha. O independentismo catalão tem-se acentuado nos últimos anos, sobretudo desde que a crise económica atingiu a região. Ontem, cerca de um milhão e meio de pessoas participaram numa acção reivindicativa e de protesto, ao formar um  cordão humano com cerca de 400 quilómetros, desde o sul da Catalunha até à fronteira francesa, para exigir um referendo à sua independência. Foi chamada a Via Catalã e toda a imprensa espanhola a relatou, a confirmar que constituiu um êxito e um verdadeiro desafio ao governo de Rajoy e, naturalmente, ao Rei que é o símbolo da unidade da Espanha. As forças políticas independentistas exigem agora um referendo, enquanto uma sondagem revela que 81% dos catalães desejam que a consulta popular se realize, independentemente do seu sentido de voto e  52% se afirmem a favor da secessão. Porém, há várias "catalunhas" por essa Europa fora, além de que a União Europeia já fez saber que uma Catalunha independente não tem assento imediato em Bruxelas.