quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Exporte-se o gaspar. Já!

As medidas de redobrada austeridade e de empobrecimento que estão anunciadas caíram como uma bomba sobre os portugueses e, como refere o jornal i, geraram uma onda de choque e de pavor. Formou-se uma corrente de indignação geral, gerada pela incompetência, brutalidade fiscal e desorientação dos nossos governantes que, como agora verificamos, estão impreparados para nos dirigir, que se ausentam para o estrangeiro quando o navio começa a meter água e que puxam cada qual para o seu lado, sem discurso coerente ou substantivo, sem sensibilidade social e sem cultura democrática. A trapalhada é total e as medidas anunciadas configuram um brutal ataque aos trabalhadores e aos pensionistas. O país começa a ficar destroçado e ninguém consegue compreender o porquê de tantos sacrifícios. A situação está a complicar-se devido às erradas opções governamentais e, todos os dias, há ameaças a pairar no ar e são anunciadas mais medidas que estão a deixar os portugueses em pânico, até porque muitas delas são absolutamente incompreensíveis. Hoje o jornal electrónico Dinheiro Vivo revelou que o contabilista gaspar até nem foi honesto. É um teimoso e auto-convencido. Embora só precisasse de cortar 850 milhões de euros para cumprir as metas acordadas com a troika para 2013, decidiu impor aos portugueses um esforço de redução do défice da ordem dos 4,9 mil milhões de euros, um valor quase seis vezes superior à redução necessária que foi combinada com a troika. Apeteceu-lhe? Obrigaram-no? Tudo isto está a ser feito sem sabermos o que se passa nas negociações. Sem sabermos para onde vamos. Sem termos quem nos comande e nos mobilize. Sem termos quem nos dê bons exemplos. Provavelmente, a solução dos nossos problemas passa por exportar o gaspar e depressa, antes que ele afunde mais o nosso país e nos continue a roubar. A roubar.

Cataluña, nuevo estado de Europa

Ontem foi o Dia Nacional da Catalunha ou Diada, em que se evoca o dia em que, depois de 14 meses de cerco, a cidade de Barcelona se rendeu às tropas de Filipe V em 1714 e foi de facto integrada na Espanha. Depois de muitos anos de repressão às ideias autonómicas, com o fim do franquismo renasceu a celebração do nacionalismo catalão e as iniciativas nacionalistas têm-se sucedido regularmente. Ontem, Barcelona assistiu a uma grandiosa e pacífica manifestação independentista como nunca acontecera, que juntou um milhão e meio de pessoas de todas as idades e condições sociais. Eram três quilómetros de manifestantes, uma enorme maré humana que agitava milhares de bandeiras catalãs. Foi uma autêntica e, aparentemente irreversível, explosão do independentismo catalão, convocada pela Assemblea Nacional Catalana (ANC), um grupo independentista cujo lema é Cataluña, nuevo estado de Europa.
A Catalunha vive um tempo económico e financeiro muito difícil, com graves problemas de défice orçamental e de dívida pública, para além de mais de 700 mil desempregados. Assim, esta manifestação teve raízes de resistência à austeridade do Estado e ao centralismo espanhol, mas também foi sustentada por um nacionalismo que tem aumentado nos últimos anos. Como salientou o jornal catalão La Vanguardia, foi evidente que “el pueblo de Catalunya se está manifestando contra la asfixia financiera y la recentralización” e que o caminho para a independência está aberto. Por isso, os principais dirigentes catalães avisam os poderes centrais para que as reivindicações sejam ouvidas. E nestas circunstâncias, até a Monarquia espanhola pode ser questionada.