segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A nova parceria estratégica do Canadá

Vários jornais da imprensa canadiana ilustram hoje a capa das suas edições com as bandeiras da China e do Canadá, países que acabam de assinar um importante acordo comercial, através do qual o Canadá visa diminuir a sua dependência dos Estados Unidos que, actualmente, concentram cerca de 75% do comércio externo canadiano.
Assim, o Canadá dá um passo no sentido da diversificação de alianças e de diminuição de riscos num quadro internacional cada dia mais instável, com o jornal The Gazette, que se publica em Montreal, a salientar em título de primeira página que “Xi recebe um fluxo constante de líderes abalados pela nova ordem mundial de Trump” e que procuram alternativas às suas políticas comerciais. Portanto, parece que não é só o Canadá que procura alternativas à dependência comercial americana, mas que outros países também seguem o mesmo caminho.
No que respeita ao Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney não perdeu tempo e perante as ameaças de Donald Trump e a agressividade da sua política comercial, afastou-se do seu vizinho e aproximou-se da China, com a qual estabeleceu uma “nova parceria estratégica” e um acordo para a importação de 49.000 veículos eléctricos chineses com uma tarifa de 6,1%, um valor que contrasta com a tarifa de 100% que até agora era aplicada aos mesmos veículos. Esta aproximação canadiana à China tende a perturbar as relações com os Estados Unidos, até porque no horizonte estão novos acordos envolvendo a indústria, a tecnologia e a transição energética.
Significa que começa a haver países que contestam o poder comercial hegemónico dos Estados Unidos e que a política do “quero, posso e mando” de Donald Trump já tem quem lhe faça frente. 
E o que está a fazer a Europa? Será que está a fazer como o Canadá, ou será que continua à espera não se sabe de quê?
Note-se que a China já é o principal parceiro comercial do Brasil e que, em 2025, as trocas comerciais entre os dois países cresceram 8,2% em termos homólogos.