sexta-feira, 27 de setembro de 2019

A subida dos oceanos já ameaça a Terra

As preocupações ambientais não são um assunto recente, como por vezes parece. Já em 1988 as Nações Unidas tinham criado um grupo de trabalho intergovernamental, aberto a todos os seus Estados-membros, com o objectivo de monitorizar as informações de ordem científica, técnica e socio-económica que pudessem contribuir para uma melhor compreensão das ameaças ligadas ao aquecimento global resultante da acção do homem. Esse grupo passou a denominar-se Groupe d'experts intergouvernemental sur l'évolution du climat (GIEC) ou Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) e tem analisado os efeitos das mudanças climáticas nos oceanos e na criosfera (gelo compactado, geleiras, calotas polares e solos congelados), tendo produzido relatórios com regularidade. Um desses relatórios recentemente divulgado, provocou algum alarme, sobretudo em França, ao estimar que o aumento do nível do mar até 2100 pode atingir 1,10 metros. Esta estimativa resulta do facto de, segundo o relatório, entre Janeiro de 2008 e Janeiro de 2018, o nível médio do mar ter subido 3,3 milímetros por ano e 4,3 centímetros nesse mesmo período.
A subida dos oceanos é uma das principais consequências do aquecimento global e, a médio prazo, poderá fazer com que 280 milhões de pessoas sejam afectadas em todo o mundo, porque vivem junto à orla costeira e, muitas vezes, em áreas situadas abaixo do nível médio do mar.
O relatório do GIEC indica a França como uma das regiões mais ameaçadas da Europa, sobretudo por efeito das inundações costeiras e da erosão que provocam. Por isso, o jornal Le Dauphiné, que se publica em Grenoble, foi um dos jornais franceses que deu notícia deste relatório do GIEC, ilustrando a sua primeira página com uma sugestiva ilustração que em que o nosso planeta está a ser inundado por efeito da subida dos oceanos.