quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A cultura republicana

Celebraram-se ontem 101 anos sobre a implantação da República em Portugal. Nos discursos pronunciados na Praça do Município foram deixados alguns diagnósticos, muitos alertas quanto ao nosso futuro e algumas alusões relativas à cultura republicana.
Disse o Presidente da República:
“A cultura republicana implica uma reforma profunda do exercício de funções públicas. Precisamente porque se pedem mais sacrifícios, o exemplo dos agentes políticos tem de ser mais autêntico”.
A ideia de cultura republicana contrapôs-se à pretensa natureza dissoluta, corrupta e injusta da Monarquia e, desde então, constitui o referencial de ética, competência, transparência, disponibilidade e devoção ao serviço público. A cultura republicana exige que cada funcionário sirva a República e não se sirva da República para promover os seus fins pessoais ou os de um determinado grupo. A cultura republicana exige que os agentes políticos e os servidores do Estado cumpram a lei e sejam exemplos de boa conduta para os cidadãos.
Porém, alguns dos importantes convidados que assistiram à cerimónia ainda não devem saber o que é a cultura republicana.
Entretanto, ali ao lado, situa-se o antigo Arsenal da Marinha, a casa-mãe de alguns dos homens que, na Rotunda e no Tejo, tudo arriscaram no dia 5 de Outubro de 1910 para que a República fosse implantada. Nenhum desses exemplos de devoção à causa e à cultura republicana ali foi lembrado.

A Europa inquieta, confusa e sem rumo

A edição do jornal económico francês La Tribune de 3 de Outubro, revela o elevado grau de inquietação que se abateu sobre a União Europeia e os seus líderes – eles têm trinta dias para salvar a Europa. Aparentemente, todos esperam pela cimeira do G – 20, a realizar em Cannes nos próximos dias 3 e 4 de Novembro, para encontrar uma saída para o problema grego, que já ultrapassou a escala europeia e atingiu uma dimensão mundial.
A Grécia encontra-se entre a ameaça da bancarrota e um descontentamento social sem precedentes, ao mesmo tempo que anuncia que não poderá cumprir os objectivos acordados com os financiadores internacionais para 2011 e 2012. As medidas de austeridade continuam a ser anunciadas e as autoridades gregas disseram que só tinham dinheiro até Novembro, esperando receber 8 mil milhões de euros ainda este mês, correspondentes à sexta parte do plano de ajuda acordado em 2010. A Europa hesita no apoio à Grécia, enquanto os trabalhadores gregos resistem, fazem greve geral e bloqueiam os serviços públicos. A situação grega mostra que não há soluções isoladas para nenhum país da União Europeia e, por isso, a saída desta situação complica-se. Fala-se em risco de implosão.
Entretanto, a chanceler Ângela Merkel diz que a Grécia não sairá do euro e elogiou Portugal como o exemplo do que a Itália deve fazer, depois da Moody's ter baixado o seu rating em três níveis, pela primeira vez em quase duas décadas.
Em Espanha, a situação continua difícil e o desemprego está ao pior nível dos últimos 15 anos, enquanto o grupo franco-belga Dexia já é considerado a primeira vítima da crise de dívida soberana na Europa, devido aos empréstimos feitos à Grécia, embora os franceses e os belgas afirmem que não o deixarão cair.
A crise grega mostra de facto que a Europa está inquieta, confusa e sem rumo.