segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O Brasil escolheu e o Jair é que venceu

O Brasil escolheu ontem o seu 38º Presidente da República e o escolhido foi Jair Bolsonaro com 55% dos votos. Foi uma vitória expressiva e o discurso de vitória surpreendeu pela moderação, pelo anúncio da defesa da Liberdade e da Democracia e, naturalmente, pelo apelo à reconciliação nacional, depois de uma campanha eleitoral quezilenta que acentuou rivalidades e despertou ódios.
Todos os grandes jornais internacionais noticiaram a vitória de Jair Bolsonaro e o jornal espanhol ABC escolheu para título da sua primeira página a sugestiva frase “Brasil elege o seu Trump”. Portanto, a norte teremos o Donald e, a sul, vamos ter o Jair, enquanto entre eles estará o Maduro.
O futuro não vai ser nada fácil porque o país está dividido e Jair Bolsonaro não parece ter capacidade política, nem qualidades pessoais, nem tão pouco o carisma necessário para unir os brasileiros. Há 60 milhões de brasileiros que esperam grandes coisas do novo presidente, mas há 47 milhões de eleitores que não votaram em Bolsonaro e essa enorme massa de potenciais contestatários vai exigir muita prudência e muita habilidade política por parte do novo presidente, que vai ter enormes dificuldades para levar por diante as suas promessas. Significa que o discurso extremista da campanha eleitoral terá que ser atenuado e que muitas das ameaças feitas têm que ser esquecidas, em nome da paz social, da tolerância e do progresso. Nesta margem do Atlântico oriental, onde já vivem e trabalham tantos brasileiros, todos iremos torcer para que o Brasil ultrapasse rapidamente a difícil situação de crise política e social em que se encontra e possa ter êxito no combate à violência e à insegurança, à corrupção e à pobreza, que têm sido as marcas mais negativas  do país nos últimos anos.  Vamos esperar para ver.