terça-feira, 5 de outubro de 2021

A falibilidade das plataformas digitais

Uma enorme e inesperada avaria, possivelmente devida a uma defeituosa configuração que ainda estará por identificar, tornou ontem inoperativas durante meia dúzia de horas, as aplicações Facebook, WhatsApp, Instagram e Messenger. A notícia correu mundo como se fosse um grande cataclismo à escala universal, pois impossibilitou o acesso àquelas aplicações do grupo Facebook e prejudicou muitos negócios que dependem cada vez mais destas plataformas digitais. Porém, o destaque desta notícia não foi a constatação de estarmos perante uma dependência digital que “liberta” ou que “condena” os seres humanos, as economias e as relações internacionais, mas o facto da riqueza pessoal de Mark Zuckerberg, um dos fundadores do grupo Facebook, ter “caído” mais de seis mil milhões de dólares após este episódio.
As agências noticiosas insistiram nesse pormenor e toda a imprensa mundial que pudemos consultar salientou que as acções do Grupo Facebook caíram 4,9%, o que significa que a fortuna de Mark Zuckerberg, um jovem americano de 37 anos de idade, caiu para 121,6 mil milhões de dólares e que o seu nome desceu um lugar na lista dos mais ricos do mundo. Porém, essas notícias esquecem que as cotações bolsistas são como as marés, isto é, descem e sobem regularmente, pelo que o Mark não sairá afectado desta situação. 
Um dos jornais que destacou esta notícia foi o Jornal do Comércio, que se publica na cidade brasileira de Porto Alegre e que escolheu para manchete da sua edição de hoje a frase: “pane derruba Facebook, WhatsApp e Instagram". O apagão veio mostrar ao mundo como estamos colonizados pelo mundo digital.