Foi
anunciado o imediato cessar-fogo e a reabertura do estreito de Ormuz para pôr
fim ao conflito entre o Irão e os Estados Unidos que se prolongava há vários
meses e essa grande notícia faz a manchete da edição de hoje do jornal espanhol
El
País, curiosamente com maior destaque do que fazem as edições do The New York Times e do The Washington Post, o que pode ter
algum significado.
Se
houve um acordo, quer dizer que essa foi a vontade das partes e que não há
vencedores nem vencidos, que a dignidade das partes foi acautelada e que pode
estar aberto um ciclo de desanuviamento na região.
Porém, o regime extremista
de Netanyahu não deve ter gostado nada deste acordo, pois não mostra sinais de
contenção nem de respeito pela soberania dos vizinhos, o que pode configurar a
continuação da sua agressão ao Líbano com o apoio dos americanos. Só o tempo
dirá se este acordo entre o Irão e os Estados Unidos “tem pernas para andar”, ou
se é apenas uma manobra para Donald Trump se exibir internamente e para menorizar
os líderes que vão estar com ele na reunião do G7.
A
credibilidade de Donald Trump está muito baixa e muitos têm dúvidas sobre este
acordo. Há poucos dias, um canal televisivo referiu-se às “palavras vazias de
Trump” e avançava com o conteúdo das suas declarações sobre a guerra no Irão:
“acordo iminente (38 vezes), Irão derrotado (55 vezes), Irão destruído (35
vezes) e estreito de Ormuz aberto (25 vezes)”. Com tão intensa e tão mentirosa
propaganda, muita gente desconfia. Porém, se o acordo vingar como desejam os
amantes da paz, representará um passo importante para a redução das tensões no
Médio Oriente, embora continuem por resolver questões relacionadas com o
programa nuclear iraniano e outros pontos estratégicos, que deverão ser
discutidos numa nova fase de negociações, dos quais Israel será certamente o
mais importante.
